Precisa ser na base do tudo ou nada?

As alternativas para conter o coronavírus não precisam ser extremadas; a solução pode estar no equilíbrio Já deu para notar que desde a chegada do vírus chinês ao Brasil todo…
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Empresa garante ter desenvolvido tecido capaz de eliminar 99,9% do coronavírus | Foto: DIVULGAÇÃO/FLICKR
Empresa garante ter desenvolvido tecido capaz de eliminar 99,9% do coronavírus | Foto: DIVULGAÇÃO/FLICKR | Empresa garante ter desenvolvido tecido capaz de eliminar 99,9% do coronavírus | Foto: DIVULGAÇÃO/FLICKR

As alternativas para conter o coronavírus não precisam ser extremadas; a solução pode estar no equilíbrio

Já deu para notar que desde a chegada do vírus chinês ao Brasil todo mundo tem uma opinião a respeito. Tem a turma dos que estão “nem aí”, a turma dos hipocondríacos que vivem com um termômetro a tiracolo, a turma dos otimistas – “isso vai acabar logo”, a turma dos pessimistas – “esse confinamento vai durar até setembro”. O fato é que até entre os especialistas não há consenso sobre o assunto e muitos mudam de opinião conforme as pesquisas sobre a doença evoluem em todo mundo.

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E não deveria ser diferente. Afinal, estamos diante de um inimigo invisível e alienígena. É normal que os especialistas ajustem as recomendações conforme os resultados obtidos a partir de testes e novas teses.

O Brasil adotou a estratégia da quarentena geral. A população está confinada sob o argumento de que a medida pode conter o crescimento da curva do vírus no País. E assim segue o povo brasileiro na expectativa de que o sacrifício coletivo surta os efeitos desejados.

Mas haveria outro caminho para reduzir a ameaça desse vírus? Em artigo publicado na New York Times desta segunda-feira, 23, o colunista Thomas L. Friedman faz uma provocação ao leitor: “podemos minimizar a ameaça desse vírus para os mais vulneráveis ​​enquanto maximizamos as chances de o maior número possível de americanos voltar ao trabalho com segurança o mais rápido possível?”.

Fridman conversou com o Dr. John PA Ioannidis, epidemiologista e co-diretor do Meta-Research Innovation Center de Stanford. O especialista apontou em um ensaio de 17 de março no statnews.com, que ainda não existe uma mensuração exata da taxa de mortalidade de coronavírus em toda a população. A análise de algumas das melhores evidências disponíveis atualmente indica que pode ser de 1% ou até menor.

“´Se essa é a verdadeira taxa, trancar o mundo com consequências sociais e financeiras potencialmente danosas pode ser totalmente irracional. É como um elefante sendo atacado por um gato doméstico. Frustrado e tentando evitar o gato, o elefante acidentalmente pula de um penhasco e morre´”, disse Ioannidis.

Mas então qual seria a alternativa para conter os avanços da pandemia?

Friedman compartilha a ideia defendida pelo Dr. David L. Katz, diretor fundador do Centro de Pesquisa em Prevenção de Yale-Griffin e especialista em saúde pública e medicina preventiva. De acordo com Katz:

“Perdemos a oportunidade de contenção em toda a população, então agora precisamos ser oportunistas estratégicos: deixe aqueles que inevitavelmente vão pegar o vírus e são altamente propensos a ter uma recuperação sem intercorrências, criar imunidade e voltar ao trabalho e à vida normal. E, enquanto isso, proteja os mais vulneráveis​​”, disse ele.

A lógica é simples: na tentativa de salvar o mundo todo da epidemia, corremos o risco de matar a economia e talvez o futuro das próximas gerações.

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