Depois de ser denunciado por violência doméstica contra a ex-mulher em 2023, o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (PP-SP), conhecido como Delegado da Cunha, está diante de nova acusação na Justiça de São Paulo. O parlamentar é alvo de ação por abuso de autoridade e constrangimento ilegal durante uma operação policial na zona leste da capital paulista.
Conhecido por compartilhar vídeos de ações policiais na internet, Da Cunha, de 46 anos, é investigado pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por supostamente ter simulado o flagrante do resgate de um sequestro ocorrido em 2020. O processo está em segredo de justiça e, até o momento, a defesa do deputado não se manifestou sobre o caso.
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“O parlamentar aguarda com serenidade e confiança o trâmite dos respectivos procedimentos administrativos”, afirmou por meio de nota a assessoria do deputado.
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A Polícia Civil também está conduzindo uma investigação administrativa contra o delegado. A Corregedoria da Polícia concluiu que ele cometeu crimes de abuso de autoridade e constrangimento ilegal.
Entenda a acusação
Da Cunha teria forçado um homem sequestrado e seu sequestrador, que já haviam sido liberado e preso, respectivamente, a retornarem ao local do cativeiro para fazer filmagens.
Quando a polícia chegou, o sequestrado, que nega o abuso sexual, estava para ser julgado pelo “tribunal do crime” pelo estupro de uma adolescente na comunidade.
A acusação contra o parlamentar aponta que Da Cunha teria feito a simulação com o objetivo de filmar a operação como se fosse o responsável pelo resgate, mesmo não tendo participado diretamente da ação.
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Ele divulgou as imagens nas redes sociais e para a imprensa, como se tivesse capturado o suposto líder do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Com a repercussão do caso, o parlamentar chegou a admitir a simulação: “Eu quis novamente registrar a cana”, afirmou.
A situação de Da Cunha na polícia de SP
A situação de Da Cunha se complicou ainda mais com a recomendação do Conselho da Polícia Civil para sua demissão.
Porém, como delegados só podem ser demitidos administrativamente pelo chefe do governo estadual, a decisão final está nas mãos do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que está aguardando o parecer da Assessoria Jurídica do Governo (AJG).
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O processo está em análise há mais de um ano, sem previsão de conclusão. A recomendação da Corregedoria e do Conselho da Polícia Civil para a demissão de Da Cunha chegou à AJG em dezembro de 2022, durante a gestão do ex-governador Rodrigo Garcia (PSDB).
Redes sociais e votos
Com mais de 3,7 milhões de inscritos, o canal de Da Cunha no YouTube se apresenta como um veículo documental que acompanha a rotina da Polícia Civil de São Paulo no enfrentamento ao crime organizado.
O policial foi eleito deputado federal em 2022 com mais de 180 mil votos dos paulistas.
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