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Desvios na pandemia: ‘Tem muita gente que vai ficar rica com isso, né?’

A maior organização criminosa que atuava na área da saúde desviou do Pará R$ 455 milhões durante a crise sanitária
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A organização obteve contratos de R$ 1,2 bilhão para gerir cinco hospitais apenas entre 2019 e 2020
A organização obteve contratos de R$ 1,2 bilhão para gerir cinco hospitais apenas entre 2019 e 2020 | Foto: Freepik

Uma investigação da Polícia Federal (PF) mostrou que a maior organização criminosa que atuava na área da saúde desviou do Estado do Pará R$ 455 milhões em contratos públicos em meio à pandemia de covid-19.

O médico Cleudson Montali e o empresário Nicolas Morais são apontados como cabeças do bando especializado em desvios milionários, segundo reportagem do jornal Estado de S.Paulo deste domingo, 20.

Ambos foram alvo da Operação SOS, da PF naquele Estado, que chegou a cumprir buscas em endereços do governador Helder Barbalho (MDB), e a prender três secretários do governo.

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No mesmo dia, sofreram buscas na Operação Raio X, da Polícia Civil de São Paulo, que levou à condenação de Cleudson a 200 anos de prisão por desvios e corrupção.

Cleudson e seus colegas conseguiram contratos de R$ 1,2 bilhão para gerir cinco hospitais apenas entre 2019 e 2020. As Organizações Sociais de Cleudson subcontrataram mais de 200 empresas de médicos para escamotear os desvios, informou a PF.

Em grande parte, o dinheiro foi usado na compra de fazendas e gado em nome de um laranja escolhido pelo médico. Já Nicolas é visto como o lobista do grupo no Pará. Sua missão era garantir novos contratos por meio da aproximação com políticos.

Interceptações telefônicas indicaram as fraudes

O grupo de Cleudson é investigado também em razão da empresa Kaizen, que fechou um contrato de R$ 73 milhões para a distribuição de cestas básicas na pandemia.

“O cara que trouxe nós pra cá, que é ligado ao governo aí, pegou um sócio pra fornecer um milhão e meio de cesta básica, aqui pro Estado do Pará”, disse Régis Pauletti, apontado como operador financeiro de Cleudson.

Ao saber dos valores do contrato, outro integrante da organização disse: “Nossa Senhora, Ricardo, tem muita gente que vai ficar rica com isso né?”

Até na aquisição das cestas haveria uma “comissão embutida”, confessou um integrante do grupo em uma mensagem. Com o telefone grampeado, Pauletti contou ter dito a Cleudson que a empresa não passava de fachada. Pauletti foi flagrado confessando que a quadrilha comprava kits de exame contra a covid-19 por US$ 8 e repassava ao Pará por US$ 40.

Respiradores desviados pela quadrilha

No começo da pandemia, Pauletti contou em um telefonema que desviou três respiradores artificiais para atender a ele e aos familiares da organização criminosa, enquanto o equipamento faltava em hospitais gerenciados pela quadrilha.

“Porque se der o surto, bicho, nós temos respirador. ‘Cê’ monta em casa mesmo.”

O governo do Pará informou ao Estado de S.Paulo que encerrou o contrato com as organizações sociais dirigidas pelos citados.

Leia também: “A indústria da calamidade e a farra sem licitação”, artigo de Augusto Nunes publicado na edição 7 da Revista Oeste

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