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Brasil

Dez anos depois da PEC das Domésticas, informalidade aumenta

Críticos alertaram que regulamentação poderia encarecer o custo do trabalho e prejudicar o setor

Número de empregadas com carteira assinada caiu de 31% para 25% em dez anos | Foto: Reprodução/Freepik

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para conceder às empregadas domésticas todos os direitos trabalhistas das demais categorias, a chamada PEC das Domésticas, foi aprovada há 10 anos e se converteu na emenda constitucional 72, publicada em 2 de abril de 2013. A proposta foi regulamentada em 2015.

A expectativa era dar segurança às empregadas, melhorar as condições de trabalho do setor e aumentar a formalidade. Os críticos alertaram que a medida iria impulsionar a informalidade no setor, uma vez que os custos da contratação iriam aumentar. Apenas com o FGTS, o impacto foi de 20% e economistas estimaram, na época, aumento de até 70% dos custos com a contratação de uma empregada doméstica. Mas os defensores da regulamentação não ouviram as críticas.

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Agora, dez anos depois, a informalidade efetivamente aumentou. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que agora o número de empregados domésticos com carteira assinada é menor do que há dez anos, antes da PEC.

Em 2012, 31,4% dos trabalhadores domésticos tinham carteira assinada; em 2022, esse porcentual caiu para 25%. O índice inicial foi superado, e de maneira tênue, apenas entre 2014 e 2016.

Índice de carteira assinada ao longo de 10 anos, segundo o IBGE:

  • 2012 — 31,4%
  • 2013 — 30,9%
  • 2014 — 31,8%
  • 2015 — 32,1%
  • 2016 — 33,2%
  • 2017 — 30,2%
  • 2018 — 29,2%
  • 2019 — 28,3%
  • 2020 — 27,9%
  • 2021 — 25,2%
  • 2022 — 25,2%

A carteira assinada garante previdência, auxílio-doença, licença-maternidade, férias, décimo terceiro, jornada diária de oito horas, seguro-desemprego, acesso ao FGTS e indenização em caso de demissão sem justa causa.

Porém, todos esses benefícios custaram mais caro às famílias e muitas, nesses dez anos, demitiram as domésticas e optaram por contratar diaristas, que são autônomas e não têm vínculo empregatício.

O diretor social da FGV Social, Marcelo Neri, disse que houve perda de mais de 250 mil vagas com carteira assinada na última década e que muitas viraram diaristas, na informalidade, e que “os salários também estagnaram”.

Em entrevista à rádio CBN, Neri afirmou que até 2015 houve aumento da formalização, mas, com a recessão no governo de Dilma Rousseff (PT) e, posteriormente, a pandemia, o setor encolheu. “Foi aí que houve uma grande perda de empregos formais. Os empregadores e empregadores reagem ao aumento de custo. Então, houve uma defesa por parte do mercado de trabalho evitando os ganhos trabalhistas que se pretendia com a legislação’, explicou.

Com a pandemia, muitas pessoas passaram a trabalhar em casa, o que contribuiu para a queda ainda mais expressiva das demissões das domésticas contratadas com carteira assinada.

O advogado Bernardo Santoro, do Instituto Liberal, foi um dos que em 2015, na época da regulamentação, alertou para os prejuízos que a regulamentação poderia causar às próprias domésticas, como a informalidade e o desemprego.

“E enquanto empregadores e empregados saem prejudicados, o Governo aumentará a sua arrecadação de FGTS, que é uma poupança compulsória em cima do salário do trabalhador, gerido pelo governo, com remuneração ridícula (normalmente abaixo da inflação real) e que será aplicado em projetos de retorno financeiro duvidoso e de cunho populista, dilapidando o patrimônio público. Essa regulamentação não é boa para nenhuma das partes envolvidas e nem para o Brasil”, escreveu Santoro, há 8 anos.

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0 comentários
  1. Christian
    Christian

    Cada vez que aumentam os impostos, dá nisso. AO IVÉS DE DAR SEGURANÇA AOS EMPREGADOS, GERA DESEMPREGO.

  2. FABIO BORGES DE AQUINO
    FABIO BORGES DE AQUINO

    Que português horrível: “O advogado Bernardo Santoro, do Instituto Liberal, foi um dos que em 2015, na época da regulamentação, alertou para os prejuízos”. O jornalista precisa estudar concordância verbal e uso da vírgula?

  3. João Mário Antunes Pereira
    João Mário Antunes Pereira

    Impeachment urgente do ex-presidiário

  4. Josevaldo Arantes
    Josevaldo Arantes

    O que tem de gente dessa categoria que demoniza os patrões não está escrito.
    Ah, fazuelly para ambos.

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