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Ex-contador de Lulinha é alvo de operação contra o PCC

Segundo o MPSP, João Muniz Leite fez declarações de Imposto de Renda para líder de rede de 'laranjas' da facção criminosa

Apesar da movimentação milionária, Muniz declarou um salário de R$ 26 mil | Foto: Reprodução/Facebook
João Muniz Leite, o ex-contador de Lulinha | Foto: Reprodução/Facebook

Suspeitas de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC) atingem novamente o contador João Muniz Leite, que já prestou serviços às empresas de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Leite foi alvo de buscas e apreensões no âmbito da Operação Spare, realizada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra um suposto esquema ligado à facção criminosa que envolve postos de combustíveis.

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Na quinta-feira 25, agentes estiveram tanto na residência de Leite quanto em seu escritório, localizado em Pinheiros, zona oeste da capital paulista, no mesmo edifício onde funcionavam empresas administradas por Lulinha.

Segundo apuração do MPSP, o contador deixou de prestar serviços para o filho do presidente no ano passado, depois de se tornar alvo da Operação Fim da Linha, que apura infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo.

Investigação aponta papel central de contador de Lulinha em esquema do PCC

PCC
O PCC usava empresas para lavar o dinheiro da facção | Foto: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público revela que Leite elaborava declarações de Imposto de Renda para Flávio Silvério Siqueira, o Flavinho, acusado de liderar uma rede de “laranjas” que movimentava recursos oriundos de postos de combustíveis, casas de jogos, imóveis e motéis.

Ainda segundo a investigação, o contador teria papel central na ocultação de patrimônio suspeito dos investigados, sendo descrito como participante ativo nas estratégias de lavagem de dinheiro da organização criminosa.

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A Receita Federal identificou relação direta entre Leite e Flavinho, incluindo a elaboração de declarações para outros envolvidos, como Adriana Siqueira de Oliveira e Eduardo Silvério. O grupo recorria a nomes de terceiros e empresas de fachada para movimentações financeiras.

Ao site Metrópoles, o contador afirmou, por meio dos advogados Jorge e Marcelo Delmanto, que a investigação não recai sobre ele e que só foi atingido por um equívoco na análise das datas.

Defesa nega envolvimento recente

Os advogados ressaltaram que o escritório de contabilidade do qual o cliente é sócio atendeu um dos investigados e suas empresas apenas até 2020, sem vínculo comercial desde então — fato confirmado pela própria busca e apreensão, que não encontrou relação recente.

João Muniz Leite, além de atuar para empresas ligadas a Lulinha, prestou serviços ao presidente Lula, ao elaborar suas declarações de Imposto de Renda de 2013 a 2016, e foi ouvido como testemunha em processos da Lava Jato sobre o triplex do Guarujá (SP).

Não é a primeira vez que o contador aparece em apurações ligadas ao PCC. Ele já foi suspeito de movimentar recursos para Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, morto em 2021. Durante cinco anos de serviços ao traficante, Leite e sua mulher foram contemplados em loterias pelo menos 55 vezes, o que levantou suspeita de lavagem de dinheiro.

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