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Federação dos Correios critica decisão do TST

Tribunal determina assembleias para votação de acordo mediado; parte dos trabalhadores da estatal mantém greve

Correios
Agência dos Correios I Foto: Elza Fiúza

O diretor jurídico da Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), Marcos Sant’aguida, criticou na quarta-feira 17 a decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que determinou a realização de assembleias para votar proposta de acordo coletivo mediada pelo tribunal entre os Correios e entidades sindicais.

Sant’aguida, que também preside o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos (Sintect-RJ), declarou ao portal Poder360 que o ministro Guilherme Augusto Caputo Bastos “esconde o direito do trabalhador ter seu salário atualizado”. Segundo ele, a proposta omite a devida correção salarial dos empregados.

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Em despacho, Caputo Bastos determinou que a Findect e a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telegrafos e Similares divulguem em até 24 horas a íntegra da proposta construída em audiência de conciliação.

O texto prevê a renovação de 79 cláusulas do acordo coletivo (com exceções no vale-alimentação), recomposição salarial de 5,13% a partir de janeiro de 2026 — com pagamento em abril — e vigência do acordo por dois anos.

Caso a proposta seja aprovada em assembleia, o TST marcou para 26 de dezembro, às 14h, a audiência de assinatura do acordo.

Greve dos Correios

Correios enfrentam crise e têm rombo bilionário | Foto: Reprodução/Flickr
Correios enfrentam crise e têm rombo bilionário | Foto: Reprodução/Flickr

Na terça-feira 16, sindicatos de trabalhadores dos Correios aprovaram greve geral por tempo indeterminado em ao menos sete Estados, entre eles Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. Em São Paulo, a paralisação foi aprovada pelas bases, apesar da orientação contrária da direção sindical estadual.

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Também decretaram greve as bases do Vale do Paraíba, Campinas, Santos e Londrina. As decisões ocorreram após assembleias locais e diante da falta de consenso com a estatal sobre o novo acordo coletivo.

Situação financeira

Os Correios registraram prejuízo de R$ 6,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2025 e passam por um plano de reestruturação. Na terça-feira 16, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou aporte direto do Tesouro Nacional “neste momento”.

Haddad afirmou que está em análise uma proposta de empréstimo que pode chegar a R$ 12 bilhões, que envolve Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander. Segundo ele, a taxa de juros está dentro dos parâmetros considerados aceitáveis pela Fazenda.

Em decreto editado em 9 de dezembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou estatais não dependentes em dificuldade a apresentarem plano de reequilíbrio econômico-financeiro, mecanismo que pode ser utilizado pelos Correios para evitar reclassificação como empresa dependente do Tesouro.

Leia também: “Uma bomba chamada Correios”, reportagem de Uiliam Grizafis e Lucas Cheiddi na Edição 287 da Revista Oeste

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