Drones lançando granadas contra policiais. Trinta e dois blindados atravessando becos estreitos. Escolas fechadas, comércio paralisado, famílias trancadas em casa. Não é filme de guerra — é o Rio de Janeiro de outubro de 2025.
A megaoperação Contenção, deflagrada em 28 de outubro nos Complexos do Alemão e da Penha, mobilizou mais de 2,5 mil policiais. O resultado? 81 prisões, mais de 90 fuzis apreendidos e um número que pesa na consciência: 121 mortos — quatro policiais, 117 criminosos. Dois moradores feridos. Toda a rede de batalhões do Rio em alerta máximo por risco de represálias. Planejada por 60 dias e executada apenas pelas forças estaduais, já é considerada a operação mais letal da história da cidade.
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Para quem pensa sério sobre liberdade e Estado de Direito, há uma verdade incômoda que precisa ser dita em voz alta: duas coisas podem — e devem — ser verdade ao mesmo tempo.
Primeiro: quando uma facção criminosa controla território, impõe toques de recolher, expulsa o Estado e aterroriza moradores, não estamos diante de “questão social”. Estamos diante de uma ferida aberta na soberania nacional. Proteger vida, liberdade e propriedade exige que o Estado recupere o espaço público e desarticule o poder armado do crime organizado. Não há conversa mole que substitua isso.
Segunda: mesmo em guerra, existem limites. E aqui é onde muita gente perde o fio da meada.
A tradição tomista nos ensina que justiça é “dar a cada um o que é seu”. Punir o culpado, proteger o inocente, reparar o dano, restaurar a paz. Mas justiça não é vingança. E polícia não é pelotão de fuzilamento.
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Tomás descreveu três pilares para o que chama de “guerra justa”: autoridade legítima, causa justa e intenção reta. No Rio de 2025, os dois primeiros existem. A polícia estadual opera sob a lei, autoridade legítima. A causa é justa: defender inocentes e o bem comum contra uma agressão contínua, organizada e violenta.
O terceiro pilar é onde mora o problema — e também a diferença entre civilização e barbárie. Intenção reta significa que o objetivo não é “eliminar” pessoas como quem dedetiza uma casa. É reordenar a cidade à paz. Por isso, na condução do combate, valem dois guias que não podem ser negociados: distinguir alvos (combatentes, não moradores) e agir com proporcionalidade (usar a força necessária, não o ódio acumulado).
O princípio do duplo efeito, outro conceito tomista, lembra que efeitos colaterais podem ocorrer quando o objetivo é legítimo e a ação é moralmente boa em si. Mas esses danos não podem ser nem o meio escolhido nem desproporcionais. E precisam, sempre, ser prevenidos e investigados.
Então, não: reconhecer a natureza bélica do inimigo — criminosos que usam drones para lançar explosivos contra policiais — não é “passar pano” para execução. Um criminoso rendido é um ser humano sob custódia do Estado. Ponto final.
A massive anti-drug operation in Rio de Janeiro turned deadly, leaving 64 suspects and four police officers dead in violent shootouts. The raid, involving 2,500 police and soldiers, targeted the Red Command gang in the city’s Complexo de Alemão and Penha favelas.#Brazil… pic.twitter.com/vRjgcitoFM
— The Daily Jagran (@TheDailyJagran) October 29, 2025
Quem mata um rendido não está fazendo justiça. Está usurpando a função de juiz, rompendo a hierarquia dos poderes e traindo a própria missão que jurou defender. A boa política é aquela que recusa a barbárie, inclusive quando ela veste uniforme. O Estado pode matar em confronto. O que o Estado não pode é matar à margem do Direito.
Por que tudo isso acontece? Por que precisamos ter essa discussão? Tudo isso pode ser rastreado principalmente ao sistema de justiça brasileiro, que falha. Falha muito. O prontuário interminável de “passagens” sem pena cumprida é sintoma de uma engrenagem que não pune nem reabilita ninguém.
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Mas essa falha não autoriza atalhos homicidas. O policial que executa um rendido não está “corrigindo” a omissão do Judiciário. Está criando outra injustiça, mais profunda, porque corrói o próprio alicerce do Estado de Direito. Em bom português: se aceitarmos que “quem tem muitas passagens” pode ser abatido fora de combate, estamos abrindo a porta para que cada agente decida, no calor do momento, quem merece viver.
A operação Contenção apresenta traços claros de legitimidade: planejamento, objetivo definido, autoridade competente. Mas também carrega um saldo trágico de mortes. Efeitos severos no cotidiano de milhares de pessoas.

É justo cobrar transparência: números, circunstâncias, apuração rápida de abusos, comunicação honesta com a população. É justo reconhecer a coragem dos policiais — quatro deles morreram — e exigir que a instituição a que pertencem continue digna do luto de suas famílias. É justo lembrar os moradores, quase sempre reduzidos à estatística, que precisam de presença permanente do Estado que protege e constrói, não de incursões episódicas que cicatrizam mal.
Tudo isso se chama dar a cada um o que é seu. Ao criminoso armado, o peso da lei. Ao policial honesto, honra e respaldo. Ao policial que abusa, sanção. Ao morador, proteção. Ao país, o território de volta.
A ordem é moral antes de ser tática. E a moral, aqui, não é verniz de um sermão dominical. É o caminho para não nos tornarmos aquilo que combatemos.
Há quem tema que, ao falar de limites, estamos “enfraquecendo” o combate. É o contrário. Só uma força que se submete à Justiça é forte o bastante para vencer sem se corromper. A vitória que importa é aquela que devolve a paz com dignidade — porque toda paz comprada com desumanização cobra juros na próxima geração.
Estamos, sim, em guerra. Não a pedimos, mas ela chegou às ruas brasileiras. O Estado precisa vencê-la. E precisa vencer como Estado: com autoridade legítima, causa justa e intenção reta. Distinguindo combatentes de civis. Evitando o mal desnecessário. Investigando e punindo crimes, inclusive quando são cometidos do nosso lado.
Quando o Brasil recuperar o território e devolver dignidade às pessoas que vivem nele, não terá apenas desarmado facções. Terá provado a si mesmo que ainda sabe o que é justo.
* Por Yuri Quadros, fundador do action-tank Instituto Aliança, diretor de formação do Instituto de Formação de Líderes de Belo Horizonte e conselheiro da Rede Liberdade.
O sistema de justiça falha sempre.O criminoso não se reabilita para a sociedade . Depois de solto pela (in)justiça , volta rápido para o crime, danificando a estruturas familiares diariamente . O que fazer? Sair nos becos das comunidades com bandeirolas pedindo que entreguem as armas ao desarmamento e se dirijam às igrejas para o catecismo?
Outro bobão , precisa leva lo até a favela e depois recolher o que sobrar do idiota e é terrar
Não sou especialista, mas essa idéia fantasiosa me parece inexequível para a realidade do Rio de Janeiro.
Encurralar os marginais em area de mata foi sim o terceiro pilar . Os bandidos tiveram chance de se render. Chega desse negócio de proteger vida de marginal que não está nem aí com a vida dos outros. O Rio é a Faixa de Gaza do Brasil e os narcoterroritas que ali estão é o Hamas.
Gostaria que a jornalista, antes de mais nada, analisasse a “justiça” brasileira (com ADPF 635, audiências de custódia que soltam assassinos, traficantes e outros lixo, etc.), para depois analisar a atitude de combate usada pela Polícia do Rio, fazendo inferências sobre execuções, etc. Se você, Loriane Comeli, pensa assim, vá para o Brasil 247,globolixo e que tais.
O articulista parece desconhecer a realidade dos morros cariocas. As ORCRIM são verdadeiras forças paramilitares. Os membros dessas facções não são meros “criminosos”. São, de fato, narcoguerrilheiros-terroristas pois estão armados com fuzis automáticos, fuzis-metralhadoras, metralhadoras pesadas .50 Pol, granadas de mão e drones lançadores de granadas. Ou seja, as facções estão equipadas com armamentos de guerra. Portanto, não é mera questão de polícia. É estado de guerra (não estou falando semanticamente!!!). É guerra meu, guerra real. E você aí com essa balela tomista! Você por acaso já foi lá na favela?! Já subiu o morro com os policiais pra ver como é que é?! Repito, narcotraficantes não são bandidos comuns, são de fato guerrilheiros (narcoguerrilheiros). A situação real é de guerra e guerra se resolve com o emprego das Forças Armadas. O resto é hipocrisia.
Concordo.
O Articulista poderia ser mais explícito!
Ele tem provas de que ocorreram execuções? Ele estava no local da ação ou se baseia nos vídeos de narcoterroristas mortos enfileirados sem roupa, por seus comparsas, exatamente para criar essa narrativa de que eram moradores inocentes que foram executados? Coincidência que os mortos enfileirados sejam adultos jovens, que em alguns vídeos aparecem sendo despidos de suas roupas de combate.
Texto lamentável que como sempre tenta colocar uma pecha de ilegalidade na ação legítima do Estado de reconquistar um território dominado por um Estado Paralelo que afronta o monopólio do uso da força estatal que é uma pedra basilar para a existência de uma sociedade organizada.
belas palavras, bela analise, tudo muito bonito, porem quando o policial vai enfrentar esses criminosos, será recebido por poderosas armas de fogo, então sim, se não se render vai morrer, simples assim,,,,
Bingo…!
tudo bem, mas não entendi qual é o objetivo do texto……