publicidade
Brasil

InterCement solicita recuperação judicial em razão do impasse com a CSN e seus credores

As dívidas da empresa alcançam R$ 14,2 bilhões, entre passivos da Mover Participações

InterCement
O valor proposto pela venda da InterCement não foi suficiente para cobrir os créditos dos bancos, que têm uma dívida de R$ 5,9 bilhões | Foto: Reprodução/InterCement

As negociações para a reestruturação do passivo da InterCement se intensificaram. Isso ocorreu em razão da falta de consenso entre a Mover, controladora da companhia, a CSN e os bancos credores. O impasse surgiu em torno da elaboração de um plano que fosse minimamente aceitável para todas as partes envolvidas. Como consequência, a InterCement ajuizou um pedido de recuperação judicial.

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

Receba nossas atualizações

O pedido foi protocolado na noite desta terça-feira, 3, na 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo. O valor das dívidas a serem reestruturadas soma R$ 14,2 bilhões, incluindo passivos da própria Mover, controladora da cimenteira.

A empresa informou que a ação foi movida em conjunto com suas controladoras indiretas, InterCement Participações (ICP) e Mover Participações, além de outras sociedades do grupo econômico.

No comunicado oficial, o grupo afirmou que, sob a coordenação da ICP e seus assessores financeiros e jurídicos, a companhia e as outras empresas do grupo tentaram encontrar uma solução para suas obrigações financeiras. No entanto, para que as negociações prosseguissem e a reestruturação do capital fosse viabilizada, foi necessário formalizar o pedido de recuperação judicial.

A empresa também esclareceu que o acordo de exclusividade para a venda de ações que representavam 100% do capital da ICP não está mais em vigor

A InterCement destacou que as negociações devem avançar rapidamente, independentemente de um possível processo de venda de ativos. A empresa considera sua robusta capacidade de geração de caixa como um fator que garante a continuidade das operações. Além disso, também esclareceu que o acordo de exclusividade para a venda de ações que representavam 100% do capital da ICP não está mais em vigor.

Leia também: “Saiba como o controle de estoque eficiente ajuda na saúde financeira das empresas

O grupo já havia solicitado a recuperação extrajudicial em setembro. O prazo para a conclusão do plano e adesão de 50% mais um dos credores estava estabelecido até o dia 16 de dezembro. No entanto, a dificuldade nas negociações, que se arrastam há mais de um ano, tornou a recuperação judicial uma necessidade premente.

InterCement espera maior segurança em negociações com credores

Com a recuperação judicial, a InterCement espera ter maior segurança nas negociações com seus credores. A dívida financeira já ultrapassa R$ 10 bilhões, incluindo debêntures emitidas com os bancos Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, além de títulos estrangeiros com bondholders que estão vencidos desde julho.

Para os credores, a recuperação judicial pode representar uma solução mais favorável. Até o momento, esse grupo estava isolado das discussões. Em recuperação judicial, a InterCement continuará a gerar caixa, e os credores terão voz ativa nas novas negociações.

As tensões aumentaram com a pressão para que a CSN assumisse não apenas as dívidas da InterCement, mas também as responsabilidades da Mover. Isso gerou divergências quanto às garantias oferecidas.

As condições para a renovação das dívidas com os bancos tornaram-se cada vez mais difíceis. O valor proposto pela venda da InterCement não foi suficiente para cobrir os créditos dos bancos, que têm uma dívida de R$ 5,9 bilhões. Além disso, as disputas judiciais que envolvem os detentores de mais de R$ 3 bilhões em títulos de dívida no exterior também contribuíram para o impasse.

Empresa solicitou recuperação extrajudicial em tribunais estrangeiros

A InterCement havia solicitado a recuperação extrajudicial em tribunais estrangeiros, incluindo na Holanda. O prazo para apreciação do caso expirou no último sábado, 30. A empresa pediu uma prorrogação de três meses, mas teve o pedido rejeitado. O juiz holandês deve decidir o caso até 5 de dezembro.

O valor das dívidas no plano de recuperação extrajudicial totalizava R$ 22 bilhões, com R$ 12 bilhões que envolvem as empresas do grupo. Com a recuperação judicial, a CSN perde a exclusividade nas negociações. Outros interessados podem surgir. A venda da companhia provavelmente ocorrerá de forma fatiada.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade