publicidade
Brasil

Irmãos descobrem 'herança' de 32 milhões em cruzados, depois da morte do pai

No entanto, 'fortuna' não tem mais valor na cotação atual

Cruzados foram instituídos em 1986 | Foto: TV Anhanguera/Reprodução
Cruzados foram instituídos em 1986 | Foto: TV Anhanguera/Reprodução

Irmãos residentes em Araguaína, no norte do Tocantins, encontraram uma fortuna escondida nos pertences do pai, falecido. Uma mala guardava quase 32 milhões em cruzados, moeda do século passado. A história foi divulgada nesta terça-feira, 29.

“Chegou o tempo em que ele faleceu, entrávamos na casa dele e não mexíamos em nada”, relatou Waloar Magalhães à TV Anhanguera, filial da Globo em Tocantins. “Até que encontramos uma mala cheia de dinheiro.”

Receba nossas atualizações

+ Leia mais notícias de Brasil em Oeste

O tesouro herdado consiste inteiramente em cruzados, datados da década de 1980, com notas e moedas estampadas com imagens de políticos e personalidades da época. No entanto, a quantia foi substituída pelo Cruzado Novo (1989-1990), Cruzeiro (1990-1993), Cruzeiro Real (1993-1994) e, finalmente, pelo real que circula atualmente.

Segundo especialistas, as notas e moedas encontradas pelos irmãos não têm mais valor financeiro. André Luiz Padilha, presidente do Clube Numismático do Estado do Rio de Janeiro, explica que a desvalorização das moedas se deve, em parte, à maneira como foram armazenadas pelo pai.

Leia mais:

“O fato de ele ter encontrado as cédulas dobradas, todas unidas, com manchas e marcas, e por serem cédulas de grande produção, faz com que seu valor numismático seja muito baixo, em comparação com cédulas novas”, afirma Padilha. “Assim, as cédulas gastas já não possuem valor algum.”

Waloar e seus irmãos esperam conseguir vender a herança para colecionadores ou trocar as moedas pela moeda corrente em agências bancárias. “Se Deus ajudar e ainda houver uma maneira no banco de fazer essa troca, daria para a gente começar uma nova vida”, disse.

Cruzados foram instituídos em 1986

Lançado em fevereiro de 1986, sob o governo do presidente José Sarney, o Plano Cruzado foi o primeiro pacote econômico a intervir de maneira drástica na economia brasileira, com o objetivo de eliminar a hiperinflação.

Além das medidas econômicas, o plano se destacou por ações simbólicas, que representavam uma ruptura com o regime militar e marcavam o começo de um ciclo republicano.

Entre suas inovações, estava a reforma monetária, que substituiu o antigo cruzeiro pela nova moeda nacional, o cruzado. Em abril, o Congresso aprovou o plano econômico com facilidade: na Câmara, foram 344 votos a favor e apenas 13 contra; no Senado, apenas um dos 49 parlamentares votou contra.

José Sarney, enquanto ainda era governador do Maranhão | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Inicialmente, a mudança de moeda e o congelamento de preços proporcionaram um aumento no poder de compra da população. Em retribuição, os brasileiros se tornaram “fiscais do Sarney” e ajudaram a combater os aumentos de preços abusivos, o que elevou a popularidade do presidente.

No entanto, essa popularidade se manteve apenas enquanto o plano parecia eficaz. Em novembro de 1986, o ministro da Fazenda, Dilson Funaro, anunciou novas medidas de correção “para evitar o sacrifício dos mais pobres”, que ficaram conhecidas como o Plano Cruzado II.

Na ocasião, Funaro deu uma longa entrevista a seis jornalistas, que se estendeu pela madrugada, para explicar os ajustes, que incluíam aumentos em produtos como automóveis. Nos anos seguintes, o governo tentou controlar a economia por meio de outros programas de estabilização, mas sem sucesso. A inflação superava 50% ao mês quando os brasileiros foram às urnas, em 1989, para eleger, finalmente por voto direto, um novo presidente.

Leia também: “Bagunça institucional, econômica e afins”, artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 219 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

4 comentários
  1. Roberto Lopes Bezerra
    Roberto Lopes Bezerra

    É o que o centrão faz com povo brasileiro! Os coloca na miséria!

  2. Osmar Martins Silvestre
    Osmar Martins Silvestre

    A reportagem menciona “fortuna”. De fato, hoje essa moeda não vale mais nada, mas quanto valia na época? Fazendo a correção de 30 milhões de Cruzados pelo site do Banco Central, de abril 1986 até setembro de 2024, usando o IPCA como índice de correção, chega-se ao valor de R$32.623.026,56, o que, convenhamos, é uma fortuna mesmo, uma fortuna sem aspas.

  3. ALEX
    ALEX

    Vocês fazem uma reportagem dessas e nem procuram pesquisar e nos informar o quanto valeria à época? Vocês já foram melhorzinhos, viu?

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade