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Juíza vê indícios de ação combinada entre Itaú e Santander para esconder dados da Americanas

Conforme a investigação, fraudes contábeis contaram com a participação de funcionários do alto escalão das instituições financeiras

Americanas encolhe rede para melhorar rentabilidade e vende ativos para fazer caixa: estratégias em meio à recuperação judicial | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
A Justiça investiga o papel de grandes bancos na ocultação de dados sobre o endividamento real da varejista | Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

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A juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, encontrou indícios de conluio entre os bancos Itaú e Santander para ocultar informações financeiras da varejista Americanas, conforme decisão que autorizou buscas contra executivos das instituições. A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure em 25 de junho, visando coletar provas sobre manipulações contábeis que mascararam a insolvência da empresa.

A juíza Giovana Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, identificou indícios de que os bancos Itaú e Santander atuaram em conjunto para ocultar informações financeiras da varejista Americanas. Os detalhes constam na decisão judicial que autorizou os mandados de busca e apreensão contra os executivos das instituições de crédito, conforme revelou o portal UOL.

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A determinação da magistrada embasou as ações da Polícia Federal (PF) durante a segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada em 25 de junho, com o objetivo de colher provas sobre o funcionamento do esquema criminoso. De acordo com as investigações, funcionários do alto-comando de ambas das instituições financeiras agiram de forma coordenada para emitir cartas de auditoria sem o registro de dívidas reais da empresa.

As mensagens de texto compartilhadas entre os diretores dois dois bancos fundamentaram a suspeita de cooperação mútua na fraude de balanços. A juíza Giovana Calmon destacou que o aval de uma das companhias funcionava como fator decisivo para que a outra também seguisse as orientações da varejista. O relatório policial sinaliza que essa colaboração fraudulenta foi indispensável para viabilizar as manipulações contábeis e ocultar o rombo financeiro do mercado por anos.

Leia mais: “Alvos da PF: Sicupira e clã Lemann têm fortuna avaliada em mais de US$ 25 bi

O papel do segmento bancário no caso é investigado pelas autoridades federais há bastante tempo devido ao volume dos recursos envolvidos. Em agosto de 2024, reportagens do UOL mostraram que as empresas chegaram a enviar relatórios completos com os débitos reais por engano. Ao notar o deslize, os envolvidos mandaram mensagens corrigidas para a empresa de auditoria, retirando os dados sobre os compromissos.

Ocultação de contratos

A omissão de dados girava em torno das chamadas operações de risco sacado, em que o banco adianta a verba aos fornecedores. As investigações revelam que a varejista usava essa triangulação para contrair empréstimos pesados sem a devida declaração em seus informativos aos investidores. Com a conivência dos executivos bancários, a marca conseguiu omitir o crescimento de suas obrigações financeiras e mascarar a insolvência da companhia.

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As instituições financeiras negam qualquer participação ou conhecimento prévio sobre as adulterações nos livros contábeis da empresa compradora. A assessoria do Itaú comunicou que a empresa sofreu prejuízos bilionários e que já comprovou a regularidade de suas atividades em juízo. O Santander declarou que também figura como uma das vítimas do episódio e que a contratação de serviços reais não indica cumplicidade. A PF analisa os computadores e celulares recolhidos na Operação Disclosure para tentar identificar novos responsáveis pelo sumiço das informações.

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