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Mais de 16 milhões de brasileiros vivem em favelas, aponta IBGE

Os dados fazem parte do Censo de 2022, que apresenta uma abordagem renovada na avaliação desses territórios

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O novo método prioriza aspectos como o traçado das ruas, circulação de pessoas, acesso e características do entorno, pontos pouco observados em pesquisas anteriores | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Uma análise inédita do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 16,3 milhões de brasileiros residem em 12.348 favelas e comunidades urbanas, o que representa cerca de 8% da população do país.

Os dados fazem parte do Censo de 2022, que apresenta uma abordagem renovada na avaliação desses territórios, destacando características de infraestrutura, mobilidade e condições urbanas.

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Pela primeira vez, o levantamento deixa de usar o termo “aglomerado subnormal” e adota a expressão “favelas e comunidades urbanas”.

O novo método prioriza aspectos como o traçado das ruas, circulação de pessoas, acesso e características do entorno, pontos pouco observados em pesquisas anteriores.

Essa alteração reflete uma perspectiva mais detalhada sobre a dinâmica dos espaços analisados.

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Desafios de infraestrutura e mobilidade

O desafio da infraestrutura ainda é marcante nesses locais. Regiões como Rocinha, Heliópolis, Paraisópolis, Terra Firme, Ibura e Cidade de Deus enfrentam restrições causadas por vias estreitas e circulação limitada, prejudicando o transporte coletivo e dificultando o acesso de ambulâncias e outros serviços essenciais.

No Norte e em partes do Nordeste, a precariedade na drenagem e pavimentação agrava o deslocamento diário da população.

Internamente, escadarias, becos e ruas sem calçadas compõem uma rede labiríntica, tornando a mobilidade um ponto crítico em áreas com alta densidade.

A iluminação pública varia bastante entre as comunidades, com ruas alternando entre trechos iluminados e outros escuros, o que influencia diretamente a segurança e a rotina dos moradores.

Leia também: “IBGE mapeia o mundo da Lua”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 296 da Revista Oeste

Os maiores agrupamentos de favelas continuam concentrados nas regiões metropolitanas, como Rio de Janeiro, São Paulo, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador e Manaus.

Nessas cidades, as ocupações se espalham por encostas, margens de rios e áreas de várzea, perpetuando padrões históricos de vulnerabilidade social.

Ainda que muitas dessas comunidades apresentem forte atividade econômica e social, o acesso a infraestrutura básica nas vias permanece como um dos principais entraves ao desenvolvimento urbano.

O estudo do IBGE reforça que a solução desses problemas é fundamental para a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Quase 20% dos moradores de favelas vivem em ruas sem acesso a carros

De acordo com o IBGE, o país tinha 19,2% da população em favelas e comunidades urbanas que morava em vias acessíveis apenas por moto, bicicleta ou a pé em 2022.

Essa proporção representa 3,1 milhões de habitantes em trechos sem acesso para carros, caminhões, ônibus e veículos de transporte de carga.

Fora dessas comunidades, apenas 1,4% da população convivia com essa situação. Nesses locais, ambulâncias também tinham o acesso restrito, por exemplo.

Além disso, em 2022, 78,3% (12,7 milhões) dos moradores de favelas viviam em trechos de vias pavimentados, enquanto 21,7% (3,5 milhões) residiam em trechos sem pavimentação. Fora desses territórios, 91,8% dos habitantes viviam em trechos de vias pavimentados.

Menos da metade (45,4%) dos moradores de favelas vivia em trechos de vias com bueiro ou boca de lobo, totalizando 7,3 milhões de pessoas, enquanto 54,6% (8,8 milhões) viviam em trechos sem a presença dessa infraestrutura.

Nas áreas fora de favelas, a proporção de pessoas com esse equipamento sobe para 61,8%.

Nove de cada dez moradores (91,1%) de favelas viviam em trechos de via com iluminação pública, totalizando 14,7 milhões de pessoas, enquanto 8,9% (1,4 milhões) viviam em trechos sem iluminação pública.

Nas áreas fora desses territórios, a proporção de pessoas com esse equipamento urbano chegou a 98,5%.

Apenas 5,2% (836 mil) dos moradores de favelas viviam em trechos de vias com ponto de ônibus ou van.

Fora dessas áreas, a proporção de pessoas com disponibilidade dessa infraestrutura urbana era mais que o dobro (12,1%).

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