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Brasil

O futebol e o Hino Nacional

A música, do professor e maestro Francisco Manuel da Silva, é linda

bandeira do Brasil em propaganda eleitoral
Foto: Divulgação/Deyvid Setti

(Artigo de Deonísio Silva)

Não é segredo que a música do Hino Nacional Brasileiro é muito bonita. E também é público e notório que a letra é de difícil entendimento. Não apenas pelo vocabulário, mas também pela sintaxe obscura e intricada.

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A letra quente do hino, diferentemente da letra fria da lei,  deve ser ainda mais complicada para os jogadores da seleção brasileira de futebol. Mesmo em momentos gloriosos para a seleção canarinho, a vergonha é geral: poucos de nossos craques ousam cantá-lo ou sequer acompanhá-lo.

E se o “professor”, o técnico Tite, tivesse que explicar aos pupilos, além de estratégias e táticas, o significado de “lábaro estrelado”, “raios fúlgidos”, “impávido colosso”, “florão da América” e “clava forte”, seríamos desclassificados bem antes das Eliminatórias.

Há coisas mais cabeludas. No segundo verso, depois das famosas “margens plácidas”, lemos “heroico brado”, mas ouvimos soar “herói cobrado”.

O “Hymno Nacional Brasileiro, na grafia original, teve letra provisória do desembargador e poeta Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva. Não era apenas complicado, era controverso e hoje seria criminoso.

Foto: Arquivo pessoal

No estribilho, proclamava: “Da Pátria o grito /Eis que se desata; /Desde o Amazonas, /Até ao Prata”.  O Uruguai, como se sabe, não gostou desta concepção, mas os brasileiros sabem mais do “maracanazo” de 1950 do que da perda da outrora Província Cisplatina, em 1825. Até então o Uruguai era nosso. “Chutatis chutandis”, já teríamos sido hexa e heptacampeões, uma vez que o Uruguai foi campeão mundial em 1930 e em 1950.

Antes do triunfo do futebol, ou da passagem das guerras de outros campos de batalha para os estádios, a coisa era feia. Uma das estrofes dizia dos portugueses: “Homens bárbaros gerados /De sangue judaico e mouro /Desenganai-vos: a pátria /Já não é vosso tesouro”.

A música, do professor e maestro Francisco Manuel da Silva, é linda. A letra, do professor e poeta Joaquim Osório Duque Estrada, tem alguns senões, mas ainda bem que a letra do Hino Nacional Brasileiro é a atual. Não falamos mal de nenhuma etnia.

Um tanto imodestos, por justos motivos, exaltamos nossa grandeza e nossa riqueza, embora “gigante pela própria natureza”, o Brasil esteja demorando muito a erradicar a pobreza extrema.

Demora também a ensinar a modalidade escrita do português a quem somente conhece a própria língua de áudio e de vídeo, isto é por ouvir e ver, não por ler e escrever.

Mas já avançamos muito e não no sentido de “Avante, soldados: para trás”. Temos melhorado muito desde que o Brasil proclamou sua independência e exaltou suas virtudes. O povo vive melhor hoje do que vivia em 1822.

Artigo de Deonísio Silva: Professor e escritor, seus livros são publicados no Brasil e em Portugal pelo Grupo Editorial Almedina. Veja em www.almedina.com.br

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2 comentários
  1. Luiz Rodrigues
    Luiz Rodrigues

    Acrescente o absurdo que nos inícios do jogos de futebol. As emissoras deixar som aberto para gritos e sátiras no ritmo do hino. Apelo ao bom senso e respeito ao hino nacional.

  2. Bruno Araujo Barbaresco
    Bruno Araujo Barbaresco

    O hino deixou de ser estudado, interpretado e cantado, após o regime militar, com a entrada desses esquerdistas anistiados. Ficou um vazio de 30 anos e está aí uma geração que não sabe nosso hino. Temos que começar de novo.

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