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O impacto do uso de máscaras na comunicação das crianças

'Durante a alfabetização, a professora usa muito a pista visual', diz especialista 

máscaras crianças
Foto: Reprodução/ Pixabay

Durante a pandemia de covid-19, muitos hábitos foram incorporados à vida cotidiana: o distanciamento social, a lavagem constante de mãos, a utilização de álcool em gel e, talvez, o uso do acessório mais simbólico desta crise sanitária — as máscaras.

Mas será que crescer em meio a adultos com máscaras pode ter atrapalhado o desenvolvimento das crianças? Nesses dois anos, brotaram preocupações sobre o efeito do uso do equipamento de proteção no aprendizado de bebês e crianças.

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O rosto é uma fonte rica de sinais sociais, emocionais e linguísticos. A junção de todas as expressões faciais é fundamental para que a comunicação não seja falha, fazendo com que cada um leia e entenda os sinais do outro. 

Segundo um estudo realizado na França, as máscaras podem interferir no aprendizado da linguagem, na emoção e na sociabilidade infantil. Porém, estudos sobre esse tema ainda são escassos. 

Em 17 de março, o governo do Estado de São Paulo decretou o fim da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados — o que inclui as escolas —, porém cada instituição tem autonomia para decidir se deve continuar com o uso.

O que dizem os especialistas

A Academia de Pediatria Americana não recomendou o uso de máscaras em crianças com menos de 2 anos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária seguiu o mesmo caminho, ao contraindicar o uso de máscaras para crianças na mesma faixa de idade.

Segundo a fonoaudióloga Elisabete Giusti, especialista em desenvolvimento da linguagem, a recomendação fez todo sentido. “Nessa idade, a visualização dos movimentos faciais e a tentativa de imitá-los são essenciais para as crianças de até 2 anos.”

A especialista alerta para o fato de que o impacto gerado pelo uso de máscaras na vida das crianças maiores de 2 anos depende de muitos fatores. 

Bruna Boskovic é mãe de Joaquim Boskovic, de 5 anos. Ela conta que o filho se desenvolvia muito bem antes da pandemia. “Tenho três filhos, e o Joaquim, o mais novo, estava se desenvolvendo muito em relação à idade”, disse a mãe. 

“Quando a pandemia começou, ele foi para o maternal 1, para o maternal 2, e agora, com 5 anos, vemos a dificuldade dele na fala.” Bruna ressalta que, em breve, a criança irá passar por um fonoaudiólogo para acompanhamento na fala.

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De acordo com Elisabete, é preciso analisar se a criança tem o desenvolvimento atípico ou se já tinha certa dificuldade na fala, sem levar em conta a pandemia. Para ela, o contato com os pais também é primordial.

“Existem crianças que, em casa, os pais compensam. Eles leem um livro, cantam, brincam, essas crianças não tiveram tanto impacto, pois, mesmo perdendo o contato externo, em casa isso é compensado.”

A especialista chama a atenção para um grupo de crianças que de fato pode ter sido impactado. “Se essa outra criança já tem predisposição para ter dificuldades na fala, e em casa o ambiente familiar tem pouco estímulo, sem dúvidas ela foi impactada”, alerta.

Luciana é mãe de João, de 6 anos, que está no 2° ano do ensino fundamental. Ela conta que o filho foi alfabetizado durante a pandemia e que percebeu certa dificuldade nesse processo. 

“Ele tem dificuldade na leitura de alguns sons como ‘v’ e  ‘f'”, disse Luciana. “Confunde as duas letras em algumas palavras, pois não enxergava a boca da professora”.

Elisabete explica que a alfabetização é um contínuo de linguagem e fala. A criança relaciona o símbolo gráfico com o som que ouve e com o movimento que representa o som. “Durante a alfabetização, a professora usa muito a pista visual”, disse a  profissional. “Ela usa o modelo do movimento com a boca para ensinar”.

Para a fonoaudióloga, quanto melhor a habilidade de fala e de linguagem, melhor é o sucesso na alfabetização, na leitura e na escrita. “É como se estivéssemos em uma rua que começa com sons, primeiras sílabas, palavrinhas e seguimos para a linguagem escrita.”

Como solucionar

Para recuperar esse atraso gerado pelo confinamento e pelo uso de máscaras, Elisabete diz que será necessário um esforço conjunto. “Por parte da escola, é importante retomar a revisão do conteúdo que foi passado on-line, e, se necessário, incluir a criança no reforço.”

O papel dos pais também é primordial: “Os pais precisam acompanhar o que está sendo passado na escola e estimular a criança nas atividades”, concluiu a especialista. 

Leia também: “O surreal baile de máscaras”, artigo de Augusto Nunes e Paula Leal publicado na Edição 104 da Revista Oeste

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3 comentários
  1. Silvia Helena
    Silvia Helena

    Mas não será exatamente esse o objetivo a ser atingido? Pessoas que tenham seu desenvolvimento limitado, atrofiado? Populações mais manipuláveis. Pra que se desenvolver, raciocinar, contestar? Vai que o cidadão tenha noção daquilo que os atuais “donos da verdade” acham incômodo? Mete mascara na turma, e quanto mais cedo, melhor. Assim o cara fica bem limitado.

  2. Renato Perim
    Renato Perim

    Os mascaralovers vão continuar usando essa focinheira ridícula por longos anos ainda. E eu estarei rindo de suas caras de otários.

  3. Daniel P. A. Bueno
    Daniel P. A. Bueno

    Os coronalovers precisarão pagar o preço de todo o mal disceminado mundo afora. A conta está chegando a conta-gotas e com juros altíssimos.

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