Na segunda-feira, 18 de maio, quando Carlo Ancelotti anunciou o nome de Neymar entre os 26 convocados para a Copa do Mundo, a torcida presente irrompeu em aplausos, tambores e um coro de “Olé, olé, olé – Neymar! Neymar!” – fato que o jornal norte-americano USA Today tratou de registrar com espanto admirado. O povo brasileiro, esse que a imprensa esportiva cultua em teoria e ignora na prática, havia dado seu veredito. A intelligentsia midiática, naturalmente, discordou.
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No programa Posse de Bola, do UOL, Juca Kfouri classificou a convocação como “um crime” e “uma confissão de submissão” de Ancelotti. Para o ultrapetista Kfouri, que ao longo dos anos não só “deplorou” o posicionamento político de Neymar como chegou, na semana da convocação, a compará-lo à família Bolsonaro – “faz tudo errado, mas está sempre no meio da notícia” –, o problema com Neymar nunca foi apenas futebolístico. Mauro Cezar Pereira, o indignado perpétuo, foi na mesma toada, chamando a convocação de “decepcionante” e evocando o fantasma de Weggis 2006 – a preparação festiva que antecedeu o fiasco da Copa da Alemanha –, enquanto acusava Ancelotti de se submeter a “marqueteiros, lobbies e o Movimento Verde e Amarelo”. Walter Casagrande – aquele ex-jogador e comentarista segundo o qual “dinizismo lembra nazismo”, por conta do sufixo nominal “-ismo”, formador de substantivos abstratos na língua portuguesa – também questionou publicamente se o retorno ao futebol bastaria para justificar uma vaga no Mundial.
Há, nesses julgamentos, uma dose de truísmo. Neymar acumula lesões, passou 31 meses sem atuar pela Seleção e não joga uma Copa desde 2022. Sem precisar depender das lições de nossos Conselheiros Acácios, todo brasileiro minimamente interessado em futebol sabe que o jogador do Santos não está em sua melhor condição física e técnica. O problema é quando essa ponderação de ordem técnica se torna pretexto para uma hostilidade que claramente transcende o futebol – e quando jornalistas politicamente radicalizados, que “deploram” abertamente as preferências políticas de um atleta, se apresentam como árbitros neutros de sua capacidade física.
E aqui não podemos deixar de convocar Nelson Rodrigues para a peleja. Em fevereiro de 1968, nas páginas de O Globo, o dramaturgo cunhou a célebre expressão “idiota da objetividade” para descrever a nova imprensa que, seduzida pelo copy desk norte-americano, havia trocado a emoção pela aridez e a grandeza pelo dado. O idiota da objetividade, dizia Nelson, cobria o cadáver ainda quente de Kennedy com o mesmo tom com que noticiava um atropelamento na esquina. Aplicado ao futebol, o conceito tem um corolário preciso: o jornalista que reduz um craque a planilhas de GPS e índices fisiológicos, esquecendo que numa Copa do Mundo – torneio curto, de mata-mata, em que o imponderável reina – um gênio pode decidir num único lance o que nenhum substituto mais “apto” seria capaz de fazer.
Ancelotti, que ganhou quatro Champions Leagues e sabe mais de futebol do que toda a bancada do Posse de Bola reunida, foi preciso: “Que jogue um minuto, cinco, 90 ou nos pênaltis – escolhemos esses jogadores porque trarão algo à equipe.” É a lógica do imponderável, que os idiotas da objetividade são constitucionalmente incapazes de processar.
E o povo? O povo entendeu. Crianças que haviam se distanciado de uma Seleção sem rosto nem ídolo voltaram a se identificar com o verde e amarelo. A convocação de Neymar foi, antes de qualquer análise tática, um ato de reconexão entre a Seleção e sua torcida — algo que nenhum dos substitutos “mais objetivos” seria capaz de produzir.
Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues teria adorado este momento. E escreveria, com a volúpia autoral que o copy desk nunca lhe extinguiu, que Neymar é o Brasil irracional, imprevisível e genial — e que seus críticos são, todos eles, uma matilha de idiotas da objetividade ressentidos e alienados do público. O craque está de volta à Seleção que mais os abrigou ao longo da história. Essa é a sua última chance de trazer o hexa tão esperado pelo país, e, apenas por isso, pela motivação pessoal que a inspira (como foi a volta por cima de Ronaldo em 2002), a Copa já se torna mais interessante do que era até alguns dias atrás.





































Esperemos… Talvez Neymar nem jogue. Ele já tentou 3 copas – um número que sempre dá títulos de recordistas: se perder mais esta, já se aposentará com o recorde de ter perdido 4 copas. Devemos lembrar que esse jogador já foi refugado pela Europa, pelo Oriente, pela Ásia e até certo ponto pela África – que o diga Marrocos. Tudo isso por decurso do prazo de validade. O fato de ser recondicionado pelo Brasil, sem regras sanitárias aprovadas para o rejuvenescimento, mostra que este país não entende daquilo que está dentro das 4 linhas, por isso segue o que está fora delas.
Prezado Flávio.
Os ultrapetistas são muito bem remunerados para fazer do futebol plataforma política.
É só lembrar que o juca e o trajano são empregados daquela empresa que só abriga pelegos, a ebc.
Ao que consta, cada um recebe a bagatela de 150 mil mensais dos petralhas ocupantes do governo. Não existe petista grátis!
No âmbito do futebol, não vejo a mínima chance do bostil ganhar a copa e, copiando os ultrapetistas acima mencionados, torcerei contra, para que o molusco não faça propaganda política no caso de vitória.
FORA PT!
Também você oi escolher 3 gêmios da bola para ilustrar seu comentário!!! Você não merece isso, nem seus leitores. Já que você tá nessa balada meio rave, meio pancadão, vou me atrever a dizer que você esqueceu o nome de mais um iluminado: Reinaldo Azevedo. Não diga que ele não é analista de futebol. É. Ele é especialista em tudo!
Quem é esp
Quem é especialista em tudo na verdade é especialista em nada, porque especialista em tudo é um oximoro.