Os pobres continuarão pobres depois da eleição

Candidatos vão se aproveitar do tema para se elegerem, ninguém vai resolver nada e os pobres vão levar na cabeça
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'Todas as doutrinas ideológicas que orientam a política brasileira vão na direção exatamente contrária ao interesse dos pobres', escreve J.R. Guzzo
'Todas as doutrinas ideológicas que orientam a política brasileira vão na direção exatamente contrária ao interesse dos pobres', escreve J.R. Guzzo | Foto: Canva

(Por J.R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 20 de dezembro de 2021)

O ano eleitoral está aí adiante e, desde já, parece que a pobreza vai estar no centro dos debates. Má notícia para os pobres. Todas as vezes em que candidatos, partidos e o universo à sua volta começam a dizer que estão interessados em resolver a pobreza, pode-se garantir uma coisa: todos vão se aproveitar do tema para se elegerem, ninguém vai resolver nada e os pobres vão levar na cabeça.

Qual poderia ser a dúvida? Nos quase 40 anos que se passaram desde a redemocratização, e especialmente depois da “Constituição Cidadã” de 1988, todo o discurso político do Brasil pretende salvar os pobres — ou eliminar “a fome”, “a miséria”, a “desigualdade”, etc. De lá para cá não se resolveu absolutamente coisa nenhuma; é óbvio que tudo aquilo que foi tentado, proposto e feito neste tempo todo deu completamente errado.

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Se falar contra a pobreza servisse para alguma coisa, por que o Brasil continua tão pobre? A economia cresceu dos anos 1980 para cá, mas a população cresceu mais ou menos no mesmo ritmo. O resultado foi uma soma zero em termos de renda per capita.

A pobreza continua a existir no Brasil porque todas as doutrinas ideológicas que orientam a política brasileira vão na direção exatamente contrária ao interesse dos pobres. A consequência inevitável disso é que as forças que mandam no país tomam, em todos os níveis, decisões de governo que fazem a redução da miséria e dos miseráveis ficar materialmente impossível.

Há 40 anos o mundo político transfere, sem parar, mais e mais recursos para o setor público — sua folha de pagamentos, suas aposentadorias e suas despesas de funcionamento. O que resulta essa deformidade é o completo oposto de distribuição de renda; é concentração direta na veia, e determinada por lei.

Como algum candidato pode falar a sério em combater a pobreza quando os políticos acabam de rejeitar o veto presidencial ao “Fundo Eleitoral” e, por conta disso, metem a mão em quase R$ 6 bilhões para gastarem nas campanhas, ou no que bem entenderem?

Durante os próximos meses a população vai ser massacrada com discurseira demagógica contra “a fome”, etc. Mas nenhum candidato ou partido vai deixar de se forrar de dinheiro tirado do público — ou seja, dos mesmíssimos pobres que querem tanto ajudar. Voando pelo país em seus jatinhos último tipo, todos vão propor mais despesa de governo, mais “programas sociais”, mais poder e recursos para o Estado.

Ninguém vai pregar uma única medida que ajude realmente a reduzir a pobreza — a começar pela oferta de mais oportunidades, algo que só existe numa economia que tenha liberdade para crescer. Os pobres, naturalmente, continuarão pobres.

Leia também: “Pobre São Paulo”, reportagem de Paula Leal publicada na Edição 91 da Revista Oeste

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