O Ministério Público de São Paulo pediu à Justiça que decrete a perda de bens de até R$ 65 milhões da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra Santos, de Marco Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, um dos líderes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outros quatro réus na ação por lavagem de dinheiro e organização criminosa apresentada na última quarta-feira, 10, pelos promotores do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os promotores pedem ainda que os acusados sejam condenados a pagar multa de R$ 10 milhões por danos morais difusos.
O pedido foi feito no âmbito da Operação Vérnix, investigação que apura um amplo esquema de branqueamento de ativos ligado a uma transportadora com sede em Presidente Venceslau, no interior paulista. A empresa é apontada como parte da engrenagem financeira da cúpula do PCC.
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A defesa de Deolane, conduzida pelo criminalista Aury Lopes Jr., e a de Marcola e seus familiares, patrocinada por Bruno Ferullo de Rita, negam as acusações. “Não sou bandida”, afirma a influenciadora, enquanto o líder do PCC diz que não conhece Deolane.
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Os promotores pediram à Justiça que considere como produto ou como proveito do crime a parte do patrimônio dos acusados incompatível com os rendimentos lícitos dos réus durante o período investigado. Ou seja, tudo o que foi adquirido com recursos além do que eles obtiveram de fontes de renda legais, ou cuja origem lícita não pode ser comprovada. Ao reconhecer a fonte ilegal do patrimônio, o Poder Judiciário decreta o perdimento dos bens.
PCC e lavagem de dinheiro
Para quantificar os valores que cada acusado teria obtido com o esquema de lavagem de parte do dinheiro da cúpula do PCC, a Promotoria pediu perícias ao Laboratório de Lavagem de Dinheiro (LAB-DL), da Polícia Civil de São Paulo.
Esse mesmo setor do Departamento de Inteligência da Polícia já fez um trabalho semelhante sobre o patrimônio ilícito do traficante internacional André Oliveira Macedo, o André do Rap, que levou ao sequestro de R$ 25,1 milhões em bens.

No ranking de patrimônio ilícito obtido pelos réus estabelecido pelos promotores na página 335 da denúncia da Operação Vérnix é Deolane quem aparece em primeiro lugar.
A advogada, detida em uma cela da Penitenciária de Tupi Paulista, a mais de 600 km da cidade de São Paulo, teria auferido bens de origem criminosa avaliados em R$ 27 milhões.
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O segundo lugar é ocupado por outro acusado de integrar o esquema de branqueamento de dinheiro da facção: Everton de Souza, o “Player”. Ele teria amealhado cerca de R$ 9,5 milhões.
A lista traz em terceiro lugar Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, que, segundo o LAB-DL teve em suas mãos R$ 8,5 milhões em recursos sem origem lícita ligados ao esquema da transportadora de cargas de Presidente Venceslau.
Em quarto lugar, o laboratório de lavagem verificou que três acusados dividiram entre si em partes iguais cerca de R$ 20,7 milhões. São eles: Marcola, seu irmão Alejandro Herbas Camacho Júnior e Paloma Sanches Herbas Camacho, filha de Alejandro. Cada um deles teria obtido com o esquema da transportadora aproximadamente R$ 7 milhões. Paloma está foragida na Espanha, segundo os investigadores. Leonardo estaria na porção sul da Bolívia.
Além de defender o perdimento de carros de luxo, imóveis, joias e outros bens, os promotores do Gaeco concluíram a denúncia e pediram que a 3ª Vara Judicial de Presidente Venceslau condene os réus a pagar solidariamente multa de R$ 10 milhões a título de dano moral difuso.
Com isso, caso sejam condenados, Deolane, Marcola e os demais acusados poderão arcar com o prejuízo de R$ 75 milhões, além de uma pena que pode chegar até a 22 anos de prisão.
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Revista Oeste, com informações da Agência Estado
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