No futebol profissional marmanjões cercam o árbitro em cada marcação. Mas, no infantil, lugar de pai mal-educado é fora da arquibancada. A Federação Paulista de Futebol (FPF) proibiu a entrada dos pais nos jogos das categorias sub-11 e sub-12 no último mês.
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O motivo? O comportamento agressivo deles. Estavam incontroláveis os gritos homofóbicos, gordofóbicos e dotados de todo o tipo de ofensa quando eles viam seu filho perder a bola para o garotinho adversário. As rodadas 16 e 17 ficaram sem público.
A atitude foi tomada por recomendação do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-SP), em decorrência do crescente número de casos de mau comportamento destes “torcedores”.
Nessas duas competições, em menos de três meses, até setembro, foram registradas 46 ocorrências. Em todo o ano passado o total foi de 34 casos.
A entidade constatou que tal postura cria um ambiente hostil, e o problema, se não tratado, tende a se intensificar com o tempo, influenciando o comportamento das crianças. A FPF criou um vídeo publicitário, dentro da campanha “-Ódio +Futebol”, que tenta mostrar isso.
Mistura educação e uma reprimenda à postura agressiva dos adultos nos jogos. Os depoimentos foram feitos, em forma de desabafo e de lição, pelos meninos.
“Não é legal xingar uma criança. Fiquei triste. Até chorei”, diz uma delas. “A gente tem muito medo de errar. Se erra, os pais xingam”, acrescenta outra.
“Eu queria pedir muito para os pais não xingarem as crianças”, insiste outro garoto. “Só torcer e ficar feliz”, completa mais um.
Isso sem contar os desabafos que descrevem xingamentos, ameaças, ofensas à estrutura física, homofobia e por aí afora.
Pais de castigo precisam ser educados, segundo FPF
Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF, não esconde a intenção de conscientizar. “Fechar os portões não foi para punir, mas, sim, para educar”, disse o presidente, no portal da entidade.
“Esperamos que a medida tenha feito alguns pais refletirem sobre o comportamento que têm nos jogos. As atitudes deles são, acima de tudo, observadas pelos filhos, que não querem e não merecem passar por situações de agressividade e descontrole como as que temos observado.”
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Os portões, segundo a entidade, se fecharam para ensinar aqueles que deveriam ter aprendido há décadas. E que estimulam, e refletem, a falta de capacidade de diálogo da sociedade atual. Cujas consequências são, desde os apressadinhos furando filas, até jogadores profissionais cercando árbitros.
A entidade considerou que os adultos são os principais agentes de agressividade nas arquibancadas. Postura que se espalhará, no futuro, pelas ruas, empresas e gramados. Para a entidade, neste caso, o futebol infantil não é campo de guerra, mas de aprendizado. Não só para as crianças.
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