Revista Oeste - Eleições 2022

Paratleta é o 1º brasileiro a escalar o Everest

Amputado e sem parte de um pulmão, João Saci chegou a 5 mil metros de altitude
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Ele chegou até o acampamento Base da montanha a 5.364 metros de altitude
Ele chegou até o acampamento Base da montanha a 5.364 metros de altitude | Foto: Reprodução/Redes Sociais

O paratleta João Carlos Costa, de 38 anos, descobriu aos 17 um câncer no joelho. Ali, ele começou uma luta contra a doença. Por causa da gravidade, na época, teve que amputar a perna esquerda. De lá para cá, foram outros quatro diagnósticos diferentes (2002. 2005, 2009 e 2010) e parte do pulmão retirado. Ele, que tem 1,80 de altura, chegou a pesar 52 quilos. “Teve um momento em que eu pensei em desistir”, confessou João em entrevista a Oeste.

Entre as idas e vindas ao hospital em meio ao tratamento, o goianiense descobriu na natação que poderia ir aonde nunca imaginou. O esporte foi sua válvula de escape e o ajudou a enfrentar o câncer, inclusive, o tornando mais forte física e mentalmente.

“O esporte começou a ser o meu remédio, a me empoderar e me tornar mais forte. Foi ele que me mostrou que eu era capaz de fazer tudo que eu quisesse”, disse.

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Vinte anos depois, João Carlos, conhecido como João Saci, embarcou numa aventura de 5.364 metros de altitude até a Base Sul do Everest. “Eu queria um desafio que me tirasse da zona de conforto e depois que conversei com um amigo, em 2019, tive a ideia de arriscar.”

A expedição começou no dia 10 de abril na cidade de Lukla, no Nepal. Foram sete dias, cinco deles caminhando cerca de seis horas diariamente. No trajeto, o paratleta enfrentou temperaturas que variavam de -15 a 10 graus.

Ele se tornou o primeiro atleta amputado brasileiro a chegar à Base Sul do Everest | Foto: Reprodução/Redes Sociais

Mesmo sem uma parte do pulmão, o paratleta chegou ao acampamento Base (serve como apoio às equipes que vão até o cume) da montanha mais alta do mundo. Ele só percebeu a redução na oxigenação quando atingiu 4,9 mil metros de altitude.

“O dia mais difícil foi quando a gente enfrentou uma subida de 400 metros, foi muito cansativo, foram quase quatro horas”, contou.

Ele se tornou o primeiro atleta amputado brasileiro a chegar à Base Sul do monte Everest. “Foi um dia de cada vez, um passo de cada vez. Foi dessa forma, mas em nenhum momento eu pensei em desistir”, disse.

Ao final do percurso, João foi buscado por um helicóptero, não pela exaustão, mas por causa de um pelo inflamado no coto da perna que estava causando dores.

“O esporte prepara seu corpo para os desafios, porque você passar por uma quimioterapia não é fácil, passar por uma amputação não é fácil, tirar parte do pulmão não é fácil e, se seu corpo está pronto para responder a essas adversidades, ele vai responder muito bem”, concluiu.

Leia também: “A receita para um cérebro turbinado”, reportagem de Dagomir Marquezi publicada na edição 105 da Revista Oeste

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