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PCC dominou setor sucroalcooleiro com compra forçada e coação

Megaoperação investiga dominação territorial do crime organizado no interior de São Paulo

Cana de açucar
Com o aprofundamento do caso, o MP paulista acionou o Ministério Público Federal | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

Empresários do agronegócio, produtores de cana e donos de usinas foram alvos diretos de ameaças, incêndios e coações no interior paulista. Os responsáveis por esses atos, segundo o Ministério Público (MP) de São Paulo, integram a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo teria se infiltrado em toda a cadeia do setor sucroalcooleiro, da lavoura ao varejo de combustíveis.

A ofensiva contra esse esquema bilionário mobilizou, nesta quinta-feira, 28, 1,4 mil agentes em uma operação conjunta. A ação envolveu o Ministério Público Federal, a Receita Federal, a Polícia Federal (PF) e o MP paulista.

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A denúncia partiu de empresários e trabalhadores do agronegócio. Eles procuraram o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado em diferentes regiões do interior paulista. Os relatos detalham a aquisição forçada de fazendas, usinas, postos e transportadoras por grupos ligados ao PCC.

Segundo os depoimentos, integrantes da facção apareciam com dinheiro vivo para comprar propriedades — sempre com valores abaixo do mercado.

Se o proprietário resistisse ou pensasse em denunciar a coação, recebia ameaças diretas. Em alguns casos, os criminosos atearam fogo em lavouras e imóveis como forma de intimidação.

Justiça autoriza prisões e buscas contra PCC

O avanço do PCC chamou atenção das autoridades pela sofisticação da estrutura criminosa. O MP paulista percebeu que não se tratava apenas de intimidação rural. Contudo, de um plano estratégico de dominação territorial e lavagem de dinheiro por meio do setor sucroalcooleiro.

A investigação revelou operações de sonegação fiscal em larga escala, adulteração de combustíveis com metanol importado de forma fraudulenta e uso do sistema financeiro para ocultar patrimônio.

+ Leia também: “Receita Federal identifica R$ 30 bilhões em pelo menos 40 fundos usados pelo PCC”

Com o aprofundamento do caso, o MP paulista acionou o Ministério Público Federal. A Receita e a PF também passaram a atuar na apuração. A força-tarefa então preparou a operação que foi deflagrada hoje.

A Justiça Federal concedeu os mandados de prisão. Já a Justiça Estadual autorizou dezenas de buscas e apreensões em locais ligados a suspeitos de integrar o esquema — da plantação de cana à bomba do posto.

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