Professora recebe sem trabalhar e diz achar que era ‘benção de Deus’

Em sentença, juiz afirmou que ex-servidora tinha capacidade intelectual para entender que não existe pagamento divino  
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Decisão de primeira instância cabe recurso junto ao TJ-SP
Decisão de primeira instância cabe recurso junto ao TJ-SP | Foto: Divulgação/Pixabay

Uma professora do Guarujá, litoral sul de São Paulo, foi condenada pela Justiça a devolver valores de horas extras recebidos sem de fato trabalhar. De acordo com a ação, a então funcionária pública teve ganhos de até R$ 23 mil entre 2003 e 2004. A sentença é da quarta-feira 11.

Na decisão do juiz Marcelo Machado da Silva, da 4ª Vara Cível do Guarujá, há registro de depoimento da professora em ação criminal sobre o mesmo fato. No documento, a servidora disse não ter devolvido o dinheiro “porque ninguém pediu que devolvesse”.

Ela ainda afirmou ter passado por problemas financeiros, à época, e disse ter acreditado que os valores a mais recebidos eram “benção de Deus”.

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“Respeitado o entendimento diverso, a ré exercia a atividade de professora, que exige capacidade intelectual que lhe proporciona condições de entender que não existe pagamento de verbas atribuível a qualquer manifestação divina, particularmente quando a origem do dinheiro é pública, ou seja, dinheiro da municipalidade, que é obtido por meio da arrecadação de impostos pagos por todos”, disse o juiz, em trecho da sentença.

O magistrado reforçou ainda que a professora deveria ter procurado a administração local para evitar problemas judiciais, o que não fez.

Dados não foram encontrados

Em depoimento, servidores da Educação do Guarujá afirmaram que todas as horas extras são registradas e os professores assinam os documentos. No caso específico, os colegas não encontraram dados nos anos de 2003 e 2004 da professora condenada.

Posteriormente, a então servidora afirmou ter acreditado que o aumento nos vencimentos era referente ao treinamento escolar realizado naquele período.

A professora foi condenada por improbidade administrativa com perda da função pública, suspensão dos direitos políticos por oito anos, pagamento de multa no valor do acréscimo patrimonial, proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios fiscais por dez anos. A essa decisão, cabe recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

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14 comentários Ver comentários

  1. ADEUS BOZO E CIA…. EM OUTUBRO A FORÇA DO POVO E DA RAZÃO
    DARÁ A DEVIDA RESPOSTA NAS URNAS Á TROCULÊNCIA, AO OBSCURANTISMO IRRACIONAL….. KKKKKKKKKKĶKKKKKKKKKKKKK

  2. Agora eu entendo a imaginação e heresia do ex-presidiário (“Eu às vezes fico imaginando que Deus é petista”). Se para uns ‘assalto é profissão’, para outros ‘corrupção deve ser “bênção”‘.

  3. A manifestação divina foi no sentido de dar-lhe uma oportunidade de mostrar-se honesta informando o equívoco à municipalidade,assim que percebeu serem os valores indevidos.Às vezes,Deus nos submete a pequenos testes de lealdade e fé.É preciso ficar atento aos sinais.

  4. Não concordo com a decisão…. Afinal, os Sindicalistas não fazem nada nunca e também ganham horrores de dinheiro tirado de quem realmente trabalha…. Será que todo sindicalista é ungido por Deus ou tem que fazer o sacrifício do dedo mindinho para ser “diferenciado” ????

  5. No próximo ano completar-se-á 20 anos que o fato ocorreu. A decisão informada ainda é de primeira instância. Nessa velocidade, a “coitada” já será defunto quando sair a decisão final. Por isso é vantajoso ser criminoso no Brasil. Justiça cara e ineficiente, exceto para penalizar pessoas sem o devido processo legal.

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