Quadro de saúde de Bolsonaro pode ter relação com a facada recebida em 2018

Presidente está sendo acompanhado pelo cirurgião gástrico Antonio Luiz Macedo
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Segundo o último boletim médico,  o quadro de saúde do presidente Jair Bolsonaro “segue mantendo evolução clínica satisfatória” | Foto: Reprodução/Redes sociais
Segundo o último boletim médico, o quadro de saúde do presidente Jair Bolsonaro “segue mantendo evolução clínica satisfatória” | Foto: Reprodução/Redes sociais

O presidente da República, Jair Bolsonaro, segue internado no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, com diagnóstico de obstrução intestinal. Ele foi transferido do Hospital das Forças Armadas, em Brasília, para a capital paulista no início da noite de ontem, quarta-feira 14, e, por enquanto, continua em tratamento clínico, sem necessidade de cirurgia. Segundo o último boletim médico divulgado nesta quinta-feira, 15, o quadro de saúde do presidente “segue mantendo evolução clínica satisfatória. A sonda nasogástrica foi retirada e planeja-se o início da alimentação para amanhã.”

Entenda o diagnóstico e possíveis causas

A obstrução intestinal ocorre quando há o bloqueio parcial ou total da passagem das fezes pelo intestino. Especialistas afirmam que a origem do quadro pode ser associada a diversos fatores como tumores, hérnias (saliências que aparecem pelo deslocamento de um órgão interno), aderências (partes do intestino que ficam coladas, formando uma cicatriz), síndrome do intestino irritável, prisão de ventre, entre outros. No caso do presidente, uma hipótese para o diagnóstico de obstrução intestinal são as aderências em razão das cirurgias anteriores a que ele se submeteu depois da facada que sofreu, em setembro de 2018, durante campanha eleitoral em Juiz de Fora (MG).

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O médico neurocirurgião Paulo Porto de Melo diz que é comum surgirem aderências, também chamadas de bridas no jargão médico, em pacientes submetidos a cirurgia intestinal. “As aderências são como ‘pontes’ que se grudam umas nas outras, impedindo a passagem de fezes e gases pelo trato intestinal.” O médico explica que as aderências surgem como parte de um “processo inflamatório e cicatricial intenso, especialmente após manipulações extensas, comuns em cirurgias por trauma.”

Uma das principais dificuldades relacionadas à obstrução, segundo especialistas, é que as cirurgias que buscam corrigir o problema podem levar à formação de novos quadros no futuro, fazendo com que mais procedimentos sejam necessários. “Quem já apresentou aderência uma vez apresenta risco de ter mais vezes”, diz o médico cirurgião-geral do Hospital das Clínicas Roberto Rasslan. Ele explica que o tratamento para obstrução por aderência costuma ser clínico, sem necessidade de procedimento cirúrgico. “Em boa parte dos casos, recomendam-se jejum e uso de sonda nasogástrica para tirar o líquido e descomprimir [tirar a pressão] o intestino. Em geral, espera-se 48 horas para reavaliar o paciente e observar se ele voltou a evacuar, se eliminou gases.”

Os casos que não são resolvidos vão precisar de cirurgia de emergência. Mas, como esses procedimentos podem gerar novas aderências e lesionar o intestino, os médicos costumam ser cautelosos na indicação. “É preciso ter muito cuidado ao soltar as aderências para não perfurar o intestino, porque, como ele está inchado, fica mais fino. É uma cirurgia delicada”, diz Rasslan.

Relação da obstrução intestinal com a crise de soluços

Um dos primeiros sinais de obstrução intestinal é a parada na eliminação de fezes e gases. A prisão de ventre pode vir acompanhada de dor abdominal, inchaço, náuseas, vômito e diminuição do apetite. Além disso, pode ocorrer o estufamento do abdômen (distensão abdominal) —  o que pode ter relação com as crises de soluço que o presidente vinha apresentando. Uma vez que o intestino estava obstruído, o estômago passou a se dilatar.

O médico cirurgião-geral Roberto Rasslan explica que, todos os dias, o corpo humano produz cerca de 2 litros por dia entre saliva, suco gástrico, sucos biliares e pancreáticos. Parte desses líquidos é absorvida no organismo e parte é eliminada nas fezes. Em decorrência da obstrução intestinal, essa absorção não acontece e o líquido volta para o estômago, causando a sensação de inchaço abdominal. Esse processo poderia justificar as dores na região relatadas pelo presidente.

Bolsonaro está sendo acompanhado pelo cirurgião gástrico Antonio Luiz Macedo, que cuida de sua saúde desde a facada sofrida nas vésperas da eleição de 2018.

Relembre o histórico de cirurgias de Bolsonaro

6 de setembro de 2018 Bolsonaro leva a facada e faz a primeira cirurgia, em hospital de Juiz de Fora (MG).
12 de setembro de 2018 — Em São Paulo, Bolsonaro passa por uma segunda cirurgia para desobstrução do intestino.
28 de janeiro de 2019 — Bolsonaro realiza cirurgia para retirada da bolsa de colostomia colocada após a facada. O procedimento conecta o intestino a uma bolsa fora do corpo, para evitar que as fezes possam causar infecção no local onde foi feito o corte.
8 de setembro de 2019 — Para corrigir uma hérnia na cicatriz de uma operação anterior, Bolsonaro é submetido a nova cirurgia.

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