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O advogado Nelson Wilians, fundador de um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, é alvo da Operação Distrato, deflagrada nesta quarta-feira, 15, por suspeita de sonegação de R$ 3,8 bilhões em ICMS. A investigação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e outras entidades, aponta que escritórios ofereciam meios ilegais para reduzir o imposto, cobrando honorários altos.
O advogado Nelson Wilians, alvo da Operação Distrato por suspeita de sonegação de R$ 3,8 bilhões em ICMS, é o fundador do Nelson Wilians Advogados, um dos maiores escritórios de advocacia empresarial do Brasil. Com mais de mil advogados e presença em todos os Estados, a banca se tornou uma potência no setor. Mas Wilians também se tornou conhecido por algo que foge à tradição da advocacia: transformar a própria imagem em uma marca.
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Em vídeos de produção refinada, ele exibe a rotina em sua mansão no Jardim Europa, em São Paulo, viagens de jato e helicóptero e festas para milhares de convidados.
A Operação Distrato foi deflagrada nesta quarta-feira, 15, pelo Ministério Público de São Paulo, pela Sefaz-SP e pela Procuradoria-Geral do Estado. Segundo a investigação, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas um atalho para reduzir o ICMS a pagar, com créditos tributários sem autorização do Fisco. Os intermediários recebiam honorários de até 70% do valor do crédito utilizado.
Wilians não foi denunciado nem condenado. A operação está na fase de cumprimento de mandados de busca e apreensão. Todos os investigados têm direito ao contraditório e à ampla defesa.
De Jaguapitã ao topo da advocacia
Filho de agricultores de Jaguapitã, cidade de cerca de 13 mil habitantes no norte do Paraná, ele ouviu do pai, ainda jovem, uma frase que nunca esqueceu: “De você, só espero o pior”.
Formado em Direito pela Instituição Toledo de Ensino, em Bauru, fundou o escritório em 1999. Seu modelo de crescimento por escala era incomum na advocacia brasileira. Hoje, a banca está presente em todos os Estados.
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Wilians afirma administrar cerca de 450 mil processos e participar de cerca de 3 mil audiências por mês.
A imagem como estratégia de negócio
A estratégia de transformar a própria imagem em uma marca rendeu ao advogado projeção fora do universo jurídico. Em 2024, foi o primeiro advogado a estampar a capa da edição brasileira da revista Forbes, na lista “50 Over 50”, que destacou empresários e executivos com mais de 50 anos.
Casado com Anne Wilians, que também é sócia do escritório e alvo da Operação Distrato, ele costuma incluir a família em vídeos publicados nas redes sociais.
A exposição divide opiniões. Wilians afirma que decidiu transformar sua vida em um “reality show“. Costuma repetir que “não basta ser bom, tem de parecer bom”. Parte da advocacia vê na exposição uma ruptura com a tradição de discrição da profissão. Entre colegas, ganhou o apelido de ostentador.
Investigações recentes marcam trajetória
A Operação Distrato é a segunda investigação de grande repercussão contra Wilians em menos de um ano. Em setembro de 2025, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que apura um suposto esquema de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social. Na ocasião, a PF apreendeu esculturas e obras de arte em sua casa, incluindo um quadro de Di Cavalcanti. Ele negou participação no esquema.
Ao longo da carreira, o advogado participou de disputas de grande repercussão, como a representação de Rose Miriam di Matteo na disputa pela herança de Gugu Liberato e de herdeiras da família Aguiar, controladora do Bradesco.
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Daqui a pouco descobre-se ser canhoto.