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Recife, Salvador, Belém e Rio de Janeiro enfrentam escalada de tiroteios entre facções

Os dados foram coletados entre janeiro e junho deste ano pelo Instituto Fogo Cruzado

arma; violência
Arma de fogo | Foto: Brett Hondow/Pixabay

Entre janeiro e junho de 2025, dados do Instituto Fogo Cruzado revelam que as áreas metropolitanas de Recife (PE), Salvador (BA) e Belém (PA) enfrentaram uma intensificação dos confrontos armados entre grupos de facções rivais, resultando em mais mortos e feridos.

No Recife e arredores, o número de tiroteios ligados a disputas entre facções atingiu 18 casos, deixando 16 pessoas mortas e 11 feridas. Em igual período de 2024, havia sido registrado apenas um episódio, sem vítimas. Um terço dessas ocorrências concentrou-se na capital, com Olinda e Paulista também em destaque.

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Recorde de vítimas e impacto sobre crianças em Pernambuco

Pernambuco também bateu recorde de vítimas de balas perdidas: 39 atingidos, sendo 35 mortos. O semestre foi o mais violento para crianças desde o início do levantamento, com dez baleadas, duas delas morreram e oito ficaram feridas, a maioria durante homicídios ou tentativas.

Apesar da queda no total de tiroteios e vítimas em 2025, crimes motivados por disputas e aumento de crianças baleadas preocupam especialistas. Pelo menos duas crianças foram feridas em contextos ligados a disputas territoriais. Adolescentes seguem expostos à escalada da violência desde 2022.

Bahia mantém números e registra alta em mortes por ações policiais

Na capital baiana e Região Metropolitana, o levantamento identificou 81 tiroteios por disputas entre grupos armados, com 45 mortos e 28 feridos. Em relação a 2024, os números se mantiveram, mas houve aumento de mortes em ações policiais: vítimas em chacinas por agentes do Estado saltaram de 17 para 57, alta de 235%. O número de adolescentes baleados em operações cresceu 367%.

Letalidade policial e impactos em populações vulneráveis no Pará

Em Belém e Região Metropolitana, o total de tiroteios caiu de 312 para 292, mas a letalidade aumentou em determinados recortes. Quase metade dos confrontos (48%) ocorreu em ações policiais, totalizando 139 registros e representando crescimento de 9% perante o ano anterior. Todas as quatro chacinas mapeadas ocorreram nesse contexto, com 14 mortos, aumento de 16%.

No Pará, três comunidades quilombolas registraram tiroteios letais. Belém liderou em número de mortes, com 91 vítimas, seguida por Ananindeua (52) e Marituba (30). Quatro idosos foram mortos, indicando crescimento de 33% em relação ao primeiro semestre de 2024.

Violência no Rio de Janeiro

No primeiro semestre de 2025, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro registrou 154 tiroteios entre grupos armados, o maior número da série histórica e um aumento de 48% em relação ao mesmo período de 2024, segundo o Instituto Fogo Cruzado. O levantamento também apontou crescimento nos confrontos com presença policial: 504 episódios contaram com agentes do Estado, o maior porcentual desde 2017, representando 41% do total de tiroteios.

Embora o número geral de tiroteios tenha caído 8%, foram 1,2 mil neste ano contra 1,3 mil no anterior, a violência aumentou em intensidade e impacto. A média foi de três tiroteios por dia. O número de pessoas baleadas chegou a 816, com 406 mortes e 410 feridos, o que representa aumentos de 6% e 14%, respectivamente. Mais da metade foi atingida em ações policiais.

Vila Isabel liderou entre os bairros com mais tiroteios (66 casos), seguido de Cascadura. Já Bangu teve o maior número de vítimas baleadas (28). Entre os atingidos, estavam dez crianças, 18 adolescentes e 20 idosos. Das 60 mulheres baleadas, 15 estavam dentro de casa. Dez casos envolveram feminicídio ou tentativa.

Entre os atingidos também estavam 14 motoristas de aplicativo, nove entregadores e dois ambulantes. Sessenta e seis agentes de segurança foram baleados, dos quais 46 eram policiais militares.

O semestre registrou ainda 23 chacinas, com 84 mortos e 64 em ações com envolvimento estatal. As balas perdidas atingiram 61 pessoas, sendo 14 fatalmente. Em 70% das 1,2 mil ocorrências foi possível identificar a motivação, com predominância de ações policiais, disputas entre facções e crimes como homicídios e roubos.

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