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Sítio arqueológico no Rio Grande do Sul pode ter mais de 10 mil anos

O agricultor Diogo Fernandez encontrou potes de argila e pedra lascada na plantação de arroz devastada pelas enchentes

Imagem aérea de Dona Francisca
As análises prévias indicaram que pelo menos duas culturas distintas ocuparam a região nos últimos 12 mil anos | Foto: Reprodução/Câmara Municipal de Vereadores de Dona Francisca (RS)

As enchentes no Rio Grande do Sul evidenciaram um sítio arqueológico, na cidade de Dona Francisca, que pode ter mais de 10 mil anos de história. Uma cratera em uma plantação de arroz revelou vestígios milenar de ocupação humana.

O agricultor Diogo Fernandez, de 36 anos, encontrou potes de argila e pedra lascada na lavoura.

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Fernandez entrou em contato com a Secretaria de Cultura da cidade para que eles pudessem analisar o conteúdo. A pasta, por sua vez, avisou pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). O centro acadêmico fica a 56 quilômetros de Dona Francisca.

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O arqueólogo João Heitor Macedo e a historiadora Maria Medianeira Padoin resgataram as peças antes que uma eventual segunda enchente atingisse o espaço.

“Estávamos preocupados com as previsões de mais inundações”, afirmou Maria ao jornal Folha de S.Paulo. “Estamos na fase de conclusão da limpeza do material e produção de relatório para os órgãos competentes.”

Materiais encontrados no Rio Grande do Sul revelam duas comunidades milenares

A especialista informou que eles recolheram 130 fragmentos de pedra lascada no Rio Grande do Sul. Além disso, encontraram 469 pedaços de cerâmica com grafismo e pintura.

As análises prévias indicaram que pelo menos duas culturas distintas ocuparam a região nos últimos 12 mil anos.

O primeiro povo seria de caçadores-coletores. O segundo, a partir de cinco milênios atrás, seria de horticultores ceramistas.

Heitor Macedo explicou que as pedras lascadas eram utilizadas pelos caçadores em ponta de flechas. Esse grupo foi um dos primeiros a viver em território brasileiro.

“Eram grupos de nômades, caçadores, coletores e pescadores, que viviam dos recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente”, informou o arqueólogo.

As cerâmicas foram relacionadas aos indígenas guaranis. O grupo vive no Rio Grande do Sul até os dias de hoje.

“Esse povo ocupava densamente a região quando os europeus chegaram e começaram a colonização”, explicou o especialista. “Eram horticultores, que se voltaram à produção de cerâmica, principalmente vasilhame, que era de muito boa qualidade.”

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