A passagem de um ciclone extratropical pelo litoral da Região Sul do Brasil provocou estragos significativos nesta segunda-feira, 28, e terça-feira, 29. Rajadas de vento que ultrapassaram os 100 km/h atingiram Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com prejuízos à infraestrutura, queda de energia e transtornos no trânsito. Em meio às tempestades e ao cenário de destruição, as autoridades mantêm alertas para ventania, ressaca e frio intenso nos próximos dias.
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Santa Catarina: destelhamentos, maré alta e prejuízos à rede elétrica
Em Santa Catarina, os ventos mais intensos ocorreram na segunda-feira. Urupema, na Serra, registrou 98,4 km/h. Em Siderópolis, a velocidade chegou a 87,8 km/h. Cidades da Grande Florianópolis, do sul e norte também sofreram com as rajadas, que causaram queda de árvores, danos em telhados e interrupção no fornecimento de energia. No total, 44 mil unidades consumidoras ficaram sem luz, segundo a Celesc, que mobilizou 250 equipes para reparar os estragos.
Em Florianópolis, parte do telhado da Academia da Polícia Militar, no bairro Trindade, foi arrancada e atingiu o ginásio da instituição. Em Tubarão, uma árvore caiu sobre veículos. Em Chapecó, um avião com a delegação de futsal de Sorocaba precisou arremeter e seguir para Florianópolis, já que Joaçaba, seu destino, não oferecia condições seguras para o pouso.
Blumenau registrou quedas de árvores e destelhamentos. Em Rio Negrinho, no domingo 27, um telão de LED desabou sobre o público de um rodeio. Quatro pessoas ficaram feridas.
A maré alta complicou ainda mais o cenário nesta terça-feira. A capital catarinense amanheceu alagada, especialmente no centro e no sul da ilha. No bairro Rio Tavares, moradores relataram que a água invadiu casas às 4h da madrugada. Vias importantes, como a SC-405, a Avenida da Saudade e a Avenida Gustavo Richard, ficaram intransitáveis. A Defesa Civil manteve o alerta para ondas entre 4 e 5 metros no litoral e até 6 metros em alto-mar.
Rio Grande do Sul: vendavais e prejuízos no litoral norte
No Rio Grande do Sul, o ciclone também provocou estragos generalizados. Na segunda-feira os ventos alcançaram 105 km/h. Mais de 200 mil pessoas ficaram sem energia elétrica na manhã seguinte. Xangri-Lá teve parte da plataforma marítima da praia de Atlântida destruída. Em Capão da Canoa, 150 casas foram danificadas e ao menos 16 pessoas buscaram abrigos públicos. Postes e árvores caíram em diversas cidades.
Imbé sofreu com destelhamentos e queda de estruturas, incluindo parte do telhado da garagem da prefeitura. Um poste caiu sobre a ponte que liga o município a Tramandaí. Em Pelotas, a ventania comprometeu o funcionamento de unidades de saúde e causou a queda de estruturas na Feira Nacional do Doce. Em Rio Grande, uma parede desabou sobre uma casa, danificou um carro, mas não deixou feridos.
A Marinha emitiu alerta de ressaca, com ondas entre 2,5 e 3,5 metros no litoral. A Defesa Civil recomendou atenção à continuidade da chuva na Região Metropolitana de Porto Alegre, na serra e litoral norte, com risco moderado para alagamentos.
Frente fria avança com tempestades e traz risco de neve
Com o afastamento do ciclone, uma massa de ar polar começou a avançar pelo Sul. As temperaturas caíram bruscamente já na noite de segunda. Em Santa Catarina, os termômetros devem marcar entre 0°C e 5°C na serra e no oeste. No litoral, as mínimas oscilam entre 8°C e 10°C. O frio deve persistir até a próxima quinta-feira, 31, com possibilidade de neve ou chuva congelada nas áreas mais elevadas da serra.
No Rio Grande do Sul, o ar frio mantém as temperaturas em declínio. A previsão aponta tempo seco entre os dias 30 e 31, embora a umidade que vem do mar ainda possa provocar chuvas fracas em parte do Estado.
Orientações de segurança por causa das tempestades
A Defesa Civil reforça a necessidade de evitar áreas alagadas e manter distância de árvores, placas e estruturas instáveis durante ventanias. Com a chegada do frio intenso, o órgão orienta cuidados com pessoas em situação de vulnerabilidade e animais domésticos.
Em caso de emergência, os contatos são:
- Defesa Civil: 199
- Corpo de Bombeiros: 193






































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