Um Brasil paralisado

É proibido tocar no potássio brasileiro, um produto essencial para os interesses do país; a agropecuária tem de comprar na Rússia, no Canadá ou onde encontrar, ao preço que encontrar
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Foto: Divulgação/iStock
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(J.R. Guzzo, publicado no jornal O Estado de S.Paulo em 13 de março de 2022)

A invasão da Ucrânia pela Rússia e o imediato travamento que se seguiu na economia russa deixaram o Brasil a pé numa questão estratégica — a dependência quase total que o agronegócio brasileiro tem hoje dos fertilizantes importados. Uma parte importante deles vem da Rússia, e com a guerra o fornecimento foi interrompido; o esforço, agora, é para encontrar outros vendedores no mercado internacional. É vital que isso aconteça. Sem fertilizante não há safra, e sem safra a economia do Brasil sofre um enfarte — agricultura, pecuária e todo o mundo de serviços que atende à atividade rural são hoje o centro da atividade econômica neste país. O valor bruto da produção no campo, em 2021, foi de R$ 1 trilhão e as exportações chegaram a US$ 100 bilhões — dinheiro que mantém o Brasil solvente em divisas e sem o qual a economia simplesmente entra em colapso. A isso se soma a imensa vantagem da segurança alimentar. O Brasil tem o que precisa para si e ainda alimenta 1 bilhão de pessoas no resto do mundo.

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O Brasil é dependente de muita importação, da área de tecnologia a peças para a indústria de automóveis, mas, no caso dos fertilizantes, o país vive uma aberração de primeiro grau. Importa do exterior 95% dos seus adubos minerais — só que tem, aqui mesmo, as minas que dariam de sobra para suprir todas as necessidades no país pelos próximos 200 anos. Só em potássio, um elemento essencial nessa equação, as reservas conhecidas do Amazonas e do Pará somam 3 bilhões de toneladas. Está tudo embaixo da terra. É proibido tocar no potássio brasileiro, um produto essencial para os interesses do país; a agropecuária tem de comprar na Rússia, no Canadá ou onde encontrar, ao preço que encontrar — e, como se vê agora, com a guerra, há horas em que não encontra.

O caso do potássio é um escândalo em estado puro. Desde 2010 a iniciativa privada tenta explorar as jazidas de Autazes, no Amazonas, onde se estima reserva de 800 milhões de toneladas. A combinação de uma legislação suicida, a ação destrutiva da burocracia regulatória e a militância do Ministério Público, tudo com as bênçãos do sistema judiciário, não deixam mexer em nada. Um projeto de grande porte, que envolve não apenas mineração, mas indústria, transporte e toda uma cadeia produtiva, e já obteve as licenças estaduais necessárias, está travado desde 2016. Fica “perto” de uma área indígena — não dentro; apenas “perto” — e, por conta disso, procuradores estão bloqueando sua utilização.

Isso se chama pobreza contratada. O Ministério Público e a Justiça são hoje os inimigos número 1 do progresso, da criação de empregos, de oportunidades e de renda e da possibilidade de um Brasil mais justo através do crescimento. Querem o país parado exatamente onde está.

Leia também: “Potássio para dar e vender”, artigo publicado na Edição 102 da Revista Oeste

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15 comentários Ver comentários

  1. Eu acho que esses procuradores que estão proibindo a retirada desses minérios essenciais ao nosso país deveriam ser todos demitidos por justa causa por alta traição ao seu próprio país que lhes dá emprego.

  2. Toda a cadeia de comando do país está ocupada por integrantes que não dão a mínima para o desenvolvimento. Pensam olhando o próprio umbigo, interessados no seu bem estar e de seus próximos. Sabem que a vida tem um fim e, por isso, pouco se lixam para o futuro. Os vivos que se lasquem. Não se preocupam em deixar um legado para as futuras gerações. Todo o poder desse país está podre, mais sujo do que poleiro de pato, e, para complicar, os eleitores não se preocupam em mudar esses mandatários. Política no Brasil virou emprego vitalício com direito de passar o “direito conquistado” para as futuras gerações.

  3. Parabéns Guzzo!
    O Brasil vive uma “pandemia Judicial”.
    Somente com o Povo nas ruas e a reeleição do Presidente Bolsonaro poderemos ter um País desenvolvido e próspero.

  4. Ou o Brás se vê livre dessa gente é dessas instituições ou o país acabará. São instituições falidas, ocupadas por gente retrógrada e incompetente. Não há como dar certo.

  5. Antes, eram as ONGs que trabalhavam para as empresas estrangeiras interessadas na manutenção do atraso e dependência da indústria brasileira. Agora é o MP e Judiciário que fazem esse papel ao “eliminar” os atravessadores do atraso

  6. É uma questão de milagre que o capitalismo ainda exista no Brasil. Os estudantes são doutrinados no socialismo desde que entram na escola. Todo mundo passa por esta doutrinação nefasta do marxismo, que não deu certo em nenhum país do mundo. No entanto, o que não falta ao país são progressistas de todos os matizes: políticos, juristas, professores, funcionários públicos, banqueiros, bancários, jornalistas, intelectuais, escritores, editores, etc. A indústria de progressistas segue a todo vapor, por meio do sistema educacional. Progressistas não vão faltar nunca, pois todo jovem brasileiro passa por esta doutrinação e volta para casa com a ideia de que o capitalismo deve ser destruído.

    1. Parabens, Valdinei por seus comentarios. Acertou na veia. Funcionarios do Ministerio Publico e Judiciario, leia-se procuradores, juizes, ministros, etc., em cima de seus altos salarios e mordomias, que nem sabem o que e um fertilizante e nem conhecem a realidade dos povos da Amazônia, do alto de suas arrogâncias e “sabedoria”, querem decidir o que e bom para nossos Pais e povos.

    2. Só lembrando: “progressistas”, como toda a expressão que a esquerda usa, quer dizer na prática REGRESSISTAS, eles são a síntese do atraso, do caos e da decadência do país. São os neocomunistas que se escondem numa democracia de fachada.

  7. Está na hora de a população começar a procurar esses procuradores (que são pagos pelo povo e não pelo “Estado”) para explicar que se o país for para o brejo eles também serão prejudicados.

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