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Anvisa aprova vacina do Butantan contra chikungunya

Imunizante foi avaliado em 4 mil voluntários de 18 a 65 anos

Crianças vacina
Comissão coloca programa de vacinação em escolas públicas | Foto: Myke Sena/MS

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira, 14, o pedido para registro definitivo da vacina contra a chikungunya no Brasil, encaminhado pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva.

Com a decisão, o imunizante está autorizado a ser aplicado no país na população acima de 18 anos. Além do Brasil, o produto já recebeu aprovação das agências reguladoras dos EUA e da União Europeia.

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A vacina foi avaliada nos Estados Unidos em 4 mil voluntários de 18 a 65 anos, com um bom perfil de segurança: 98,9% dos participantes do ensaio clínico produziram anticorpos neutralizantes, com níveis que se mantiveram robustos por ao menos seis meses.

Esta é a primeira vacina autorizada contra a doença, que pode causar dor crônica nas articulações e afetou 620 mil pessoas no mundo só em 2024. Os países com mais casos da doença são Brasil, Paraguai, Argentina e Bolívia.

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As pesquisas da vacina

No estudo clínico de fase 3 feito com adolescentes brasileiros, publicado na revista científica The Lancet, depois de uma dose da vacina, foi observada a presença de anticorpos neutralizantes em 100% dos voluntários com infecção prévia e em 98,8% daqueles sem contato anterior com o vírus.

A proteção foi mantida em 99,1% dos jovens depois de seis meses. A maioria dos eventos adversos registrados depois da vacinação foi leve ou moderada, os mais relatados dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre. Para que o produto chegue, de fato, aos braços da população, alguns passos regulatórios ainda devem ser cumpridos.

O Instituto Butantan é uma das principais instituições científicas do Brasil | Foto: Divulgação/Butantan

O Instituto Butantan trabalha em uma versão com parte do processo realizado no Brasil. As modificações usam componentes nacionais e será melhor adequado à incorporação pelo SUS, pendente análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), Programa Nacional de Imunizações e demais autoridades de saúde.

“A partir da aprovação pela Conitec, a vacina poderá ser fornecida estrategicamente”, afirma Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan. “No caso da chikungunya, é possível que o plano do Ministério seja vacinar primeiro os residentes de regiões endêmicas, ou seja, que concentram mais casos.”

Conheça a chikungunya

A chikungunya é uma doença viral transmitida por mosquitos do gênero Aedes, como o Aedes aegypti, também responsável pela disseminação da dengue e da zika. Identificada em 1952, a doença já causou surtos em diversos países e tornou-se uma preocupação crescente para a saúde pública global.

Os sintomas surgem geralmente entre dois e sete dias depois da picada do mosquito infectado. Febre alta, dores intensas nas articulações, fadiga, dor de cabeça e erupções cutâneas são comuns. A principal característica que diferencia a chikungunya de outras arboviroses é a persistência das dores articulares, que podem durar meses ou anos.

Esse prolongamento dos sintomas gera grande impacto na qualidade de vida e sobrecarrega os sistemas de saúde, especialmente em regiões tropicais. Entre 2011 e 2020, foram registrados quase 19 milhões de casos em 110 países, com altos custos sociais e econômicos, estimados em mais de US$ 47 bilhões.

Apesar da gravidade, ainda não havia vacina ou tratamento antiviral específico. O cuidado é sintomático, com foco no alívio das dores e febre, repouso e hidratação. A única forma eficaz de prevenção é o controle dos mosquitos vetores e a proteção individual contra picadas.

Leia também: “Os selvagens da seringa”, artigo de Guilherme Fiuza publicado na Edição 71 da Revista Oeste

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