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Curiosidades

Yoshi & The Mysterious Book é uma enciclopédia interativa cheia de charme no Switch 2

Cada capítulo do jogo se passa num bioma diferente e apresenta criaturas únicas

Yoshi & The Mysterious Book é uma enciclopédia interativa cheia de charme no Switch 2
O jogador pode dar nomes próprios às criaturas descobertas ao longo do jogo, virando um Charles Darwin amador | Divulgação/Nintendo

Yoshi & The Mysterious Book começa da forma mais típica possível: Bowser Jr. faz bobagem, um objeto misterioso cai na Ilha Yoshi, e o dinossauro verde mais famoso da Nintendo entra em ação. O objeto desta vez é N. Igma, uma enciclopédia falante que perdeu todo o seu conteúdo e pede aos Yoshis que o ajudem a preencher suas páginas novamente.

O que parece um ponto de partida convencional revela, nas primeiras horas, uma estrutura que não se parece com nenhum outro jogo do mercado.

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Cada capítulo do jogo se passa num bioma diferente e apresenta criaturas únicas para estudar. O jogador seleciona uma criatura com uma lupa, e Yoshi é lançado num nível bidimensional desenhado à mão, onde o objetivo não é alcançar um ponto de chegada, mas entender como aquela criatura funciona.

O que acontece se ela entrar em contato com a água? Com a lama? Com uma pimenta picante? Se for engolida, pisoteada ou carregada? Cada descoberta é registrada automaticamente por N. Igma, construindo um perfil enciclopédico que cresce a cada experimento.

Exploração no lugar de desafio: uma escolha que divide opiniões

A Good-Feel fez uma aposta clara: Yoshi & The Mysterious Book  não é um jogo de plataforma no sentido tradicional. Não há barra de energia, não há vidas, não há tela de Game Over. Se Yoshi cai de uma plataforma, simplesmente retorna ao centro da área. A ausência de punição é intencional — o foco está na experimentação livre, na lógica imaginativa de uma criança que inventa regras próprias para brincar.

Isso tem consequências diretas para quem espera a profundidade técnica de Super Mario ou mesmo do clássico A Ilha do Yoshi. Para esses jogadores, a experiência pode ser frustrante, e o jogo não pretende ser o que não é. Para quem embarca na proposta, porém, a satisfação de descobrir que uma criatura específica reage de forma inesperada a um elemento do cenário é genuína. A experiência enxuta permite terminar todos os capítulos em cerca de dez horas, caso decida não buscar cada uma das descobertas possíveis.

Criaturas variadas que sustentam a curiosidade até o fim

O maior risco de um jogo baseado em descobertas é a repetição. A Good-Feel mitiga esse problema com investimento numa variedade considerável de criaturas, cada uma com comportamentos distintos, que exigem abordagens diferentes. Engolir, pisar e arremessar são as interações básicas, mas as descobertas mais raras, aquelas de três estrelas, essenciais para avançar, exigem raciocínio menos óbvio e combinações entre criaturas de biomas diferentes.

O problema aparece nos capítulos finais, quando algumas descobertas começam a repetir padrões já vistos. A surpresa dos primeiros níveis vai cedendo espaço ao automatismo, e a sensação de que o jogo poderia ter variado mais suas mecânicas se torna perceptível. 

Uma direção de arte entre as mais bonitas já feitas para Yoshi

A apresentação visual de Yoshi & The Mysterious Book é seu ponto forte mais notado. A Good-Feel abandonou o papelão de Crafted World e a lã de Woolly World para adotar um estilo que remete às ilustrações de enciclopédias infantis dos anos 1990: cores brilhantes levemente envelhecidas, traços de lápis sobre papel, fundos pintados à mão. Algumas animações reduzem deliberadamente a taxa de quadros para evocar um efeito de stopmotion que lembra o cinema de animação artesanal.

O resultado é coeso, meticuloso e visualmente distinto de qualquer outra produção da Nintendo até hoje. O jogo roda sem problemas tanto na TV quanto no modo portátil do Switch 2, sem quedas de desempenho perceptíveis ao longo das mais de dez horas de jogo. Cada nova descoberta aparece na tela como se alguém estivesse desenhando ao vivo — um detalhe de design de som e animação que eleva a satisfação de cada experimento.

A trilha sonora, no entanto, começa bem, mas pode acabar cansando pela falta de variedade até a conclusão da obra.. As composições são agradáveis, mas variam pouco ao longo dos capítulos. As mesmas progressões retornam com frequência, e a ausência de temas específicos por bioma cria uma sensação de cansaço sonoro que contradiz a variedade visual do jogo. 

Um jogo de nicho que sabe exatamente o que quer ser

Yoshi & The Mysterious Book encerra o primeiro ano do Nintendo Switch 2 sem tentar ser o grande jogo de vitrine que o console ainda aguarda. Jogar este título com crianças ao lado ou em sessões curtas e relaxadas revela sua melhor versão, em que a curiosidade substitui a tensão e a descoberta vale mais do que a conquista. Essencial para a família e perfeito para criar boas memórias afetivas que vão perdurar por diversos anos.

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