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Jennifer Lopez volta às telas em papel feito por Sônia Braga

Musical "O Beijo da Mulher-Aranha" suaviza personagem de guerrilheiro e coloca ator negro no lugar de um branco

Jennifer Lopez volta às telas em papel feito por Sônia Braga
Jennifer Lopez faz papel de Sônia Braga em nova versão de "O Beijo da Mulher-Aranha" | Foto: Divulgação/Netflix

A cantora e atriz Jennifer Lopez foi uma das artistas mais prestigiadas neste último final de semana, durante o Festival de Cinema de Sundance. JLo, como é conhecida do público, chorou ao ser aplaudida de pé depois da exibição de O Beijo da Mulher-Aranha no Eccles Theatre, em Park City, Estados Unidos. Ao se dirigir ao público, ela comentou que estrelar essa adaptação musical foi a realização de um sonho de uma vida inteira. “A razão pela qual eu queria estar nesse negócio é porque minha mãe me colocava na frente da TV para ver West Side Story, de 1961″, contou a atriz. “É isso que eu queria fazer. Esta é a primeira vez que realmente consegui fazer isso. Este homem tornou meu sonho realidade”.

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O homem em questão é o diretor Bill Condon, cineasta especialista em musicais para cinema, que tem no currículo obras premiadas como Chicago, Dreamgirls e o remake de A Bela e a Fera, da Disney, feito com atores. Condon também comemorou sua volta à Sundance, festival no qual ele não participava desde que dirigiu Deuses e Monstros, estrelado por Ian McKellen e Brendan Fraser, em 1998. É bem verdade que Condon poderia adaptar um milhão de outros livros ou, até mesmo como sugeriu o roteirista Paul Schrader, usar o ChatGPT para ajudar a ter ideias originais para um filme. Mas não, Bill Condon escolheu um livro do argentino Manuel Puig escrito em 1976 e que anteriormente já havia sido adaptado pera o cinema em 1985 por Héctor Babenco, argentino naturalizado brasileiro. A versão de Babenco tinha no elenco Raúl Juliá e Sônia Braga (papel agora de Jennifer Lopez), além de William Hurt, que ganhou o Oscar de melhor ator.

Roteiro suaviza personagem de guerrilheiro e coloca ator negro no lugar de um branco

Durante uma conversa com o público depois da exibição de O Beijo da Mulher-Aranha, Bill Condon revelou que começou a “pensar nessa história muitos anos atrás”. “É um filme que eu queria fazer a minha vida inteira”. Mas a versão de Condon é bem diferente da realizada por Hector Babendo, que é diferente do livro original escrito por Puig. A primeira grande novidade é que Condon, dada sua experiência no gênero, transformou a narrativa num musical — única alternativa possível para escalar Jennifer Lopez no elenco. Os personagens principais, Luis Molina e Valentin Arregui, continuam sendo dois homens encarcerados numa prisão. Valentin Arregui (interpretado por Diego Luna) diz que é um preso político, mas sabe-se que originalmente tratava-se de um violento membro de grupo guerrilheiro armado.

Já Luis Molina (um tal de Tonatiuh) apresenta-se como o decorador de vitrines queer que conta ao companheiro de cela que está cumprindo pena por fazer sexo com um homem. Qualquer pessoa que tenha lido somente a contracapa do livro de Manuel Puig sabe que o personagem foi preso por abuso sexual de menores. Mas o diretor Bil Condon não parece muito interessado nesses detalhes, tampouco no fato de que o personagem era um homem branco, já que o tal Tonatiuh escolhido agora por ele é um ator negro. “Crescendo como um garoto latino, feminino e queer (que quer dizer gay), lutei com unhas e dentes para colocar isso na cara das pessoas”, disse ele. No filme de Babenco, quem fazia o mesmo papel era o espetacular ator porto-riquenho Raúl Juliá, que morreu em 1994.

A nova versão de O Beijo da Mulher-Aranha chegou ao Sundance Festival sem distribuição garantida. Portanto, pelo menos até o momento, não há nenhuma previsão de que o filme chegue aos cinemas.

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