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Economia

A morte da classe média brasileira

A erosão desse estrato fragiliza a própria espinha dorsal da sociedade

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (à esq), e o presidente Lula (à dir), durante evento do lançamento do Plano Safra 2025, no Palácio do Planalto - 1/7/2025 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil; PT
Técnicos do governo argumentam que a restrição só valeria para 2027, já que o resultado fiscal de 2025 será conhecido no início de 2026 | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Allan Gallo*

Nas últimas décadas, a combinação de estagnação salarial e inflação corrosiva transformou o que parecia ser ascensão social em ilusão de ótica. Entre 2010 e 2025, os preços no país avançaram mais de 140%.

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Isso significa que, há 15 anos, quem ganhava R$ 5 mil precisaria de R$ 12,4 mil, hoje, para manter o padrão. Como a maioria continua recebendo valores próximos aos de 2010, a sensação de progresso virou endividamento, cortes de consumo e improviso no orçamento.

Apesar da robustez do plano real, a moeda que deveria oferecer estabilidade não resistiu ao tempo. Desde 1994, o real perdeu 87% do seu valor de compra, o que, traduzindo em termos práticos, significa dizer que R$ 100 da época equivalem a pouco mais de R$ 12 em 2025. No agregado, a inflação brasileira acumulada nesse intervalo ultrapassou 600%. Nos Estados Unidos, o dólar perdeu metade do poder de compra no mesmo período, o que por si só é significativo, mas muito menos drástico do que os quase nove décimos brasileiros. 

O problema não é apenas monetário, pois, a cada ciclo, crises políticas e incertezas institucionais adicionaram combustível ao processo de desgaste econômico. Não por acaso, os picos inflacionários coincidem com momentos de instabilidade, como em 1995, 2002, 2015 e 2021.

Morador de rua em ponto de ônibus, na Avenida Rio Branco, em São Paulo – 04/07/2023 | Foto: Cristyan Costa/Revista Oeste

O impacto sobre a classe média é devastador. Esse grupo que tradicionalmente sustenta o consumo e a arrecadação agora reduz gastos em alimentação, saúde privada e lazer. Entre 2017 e 2022, a chamada classe C viu sua renda disponível encolher cerca de 10%.

A roda da mobilidade social, que deveria girar, emperrou. Conforme a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, seriam necessárias nove gerações para uma família pobre alcançar padrão de vida médio no Brasil, o que põe o país entre os piores do mundo. 

Não é apenas o bolso que encolhe. A erosão da classe média fragiliza a própria espinha dorsal da sociedade. Enquanto os mais ricos conseguem se proteger e os mais pobres recebem auxílios, o grupo intermediário arca com impostos altos e pouca contrapartida. A cada nova década, renova-se a promessa de estabilidade, mas, na prática, repete-se a frustração. O desaparecimento silencioso da classe média é, também, a morte de um futuro que já não chega.

Leia também: “Um voto supremo”, reportagem publicada na Edição 287 da Revista Oeste


*Allan Gallo, professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) e pesquisador de Centro Mackenzie de Liberdade Econômica (MackLiber)

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7 comentários
  1. Ronaldo mesquita vieira
    Ronaldo mesquita vieira

    Resultado de anos de governo que ODEIA a classe media

  2. RODRIGO DE SOUZA COSTA
    RODRIGO DE SOUZA COSTA

    Eles não enganam, não mentiram. Eles disseram nas eleições que iam fazer isso. O povo lhes outorgou isso. Agora não adianta reclamar.

  3. Anísio Silva Horta
    Anísio Silva Horta

    DESSA CLASSE MEDIA, PROFESSORES E DEMAIS FUNCIONÁRIOS PUBLICOS, A GRANDE MAIORIA É ESQUERDISTA PTISTA . ESTAO JOGANDO O PAIS NO ABISMO COM PRAZER. MASOQUISTAS !!!

  4. Ivan R S Peluso
    Ivan R S Peluso

    O Brasil tem 90 milhões de habitantes dependendo de programas sociais. Tirando os aposentados , o resto são parasitas criados pelo PT e sustentados pelos impostos extorsivos cobrados de quem trabalha. Faz o L aí jumentinho!

  5. Marcelo Gurgel
    Marcelo Gurgel

    Nenhum país sobrevive sem a sua classe média, sem a receita dos impostos pago pela classe média produtiva nenhum estado sobrevive

  6. Daniel BG
    Daniel BG

    Uma promessa que nunca chega e que presenciamos o mais horrível dos tribunais condenar a esperança de uma economia melhor.

  7. Paulo Roberto Taveira
    Paulo Roberto Taveira

    Sente- se isto a todo momento. É parte do plano petista de aos poucos nos tornarmos uma enorme Cuba.

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