O mercado de locação residencial brasileiro continua desafiando a desaceleração da economia e os juros elevados.

Em maio, os preços dos aluguéis subiram 0,85%, segundo o Índice FipeZAP de Locação Residencial, marcando o segundo mês consecutivo de forte valorização e mantendo uma trajetória superior à inflação oficial do país.
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Embora o resultado tenha representado uma leve desaceleração em relação a abril, quando a alta havia sido de 1,04%, o avanço dos aluguéis permaneceu acima da inflação medida pelo IPCA, que registrou 0,58% no mês, e também superou a valorização dos imóveis residenciais para venda, de apenas 0,42%.
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Os números mostram que o mercado de aluguel continua aquecido em praticamente todo o país, impulsionado por uma combinação de demanda crescente, dificuldades de acesso ao crédito imobiliário e aumento do custo de aquisição da casa própria.
Aluguéis avançam quase o dobro da inflação
No acumulado de 2026, os aluguéis já registram alta de 4,40%, enquanto o IPCA acumula 3,20%. Em 12 meses, a diferença é ainda mais expressiva: o Índice FipeZAP aponta valorização média de 8,68%, contra 4,72% da inflação oficial.
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Trata-se de uma tendência que vem se consolidando desde a pandemia. Depois de um período de retração entre 2015 e 2020, os preços dos aluguéis passaram a acelerar fortemente a partir de 2022. Desde então, a valorização anual permanece sistematicamente acima da inflação. O gráfico histórico do relatório mostra que o mercado de locação mantém uma dinâmica mais vigorosa que a do mercado de compra e venda de imóveis.
Aracaju lidera disparada dos preços
Entre as capitais, Aracaju continua sendo o principal destaque nacional. Os aluguéis na capital sergipana avançaram 3,57% apenas em maio, acumulando impressionantes 15,24% no ano e 22,72% nos últimos 12 meses, o maior crescimento entre todas as capitais monitoradas.
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Logo atrás aparecem Teresina, com valorização anual de 17,48%, e Brasília, onde os preços já subiram 14,90% em um ano. João Pessoa, Fortaleza, Belém e Cuiabá também registram aumentos superiores a 11% no período.
No recorte mensal, os maiores aumentos observados em maio ocorreram em:
- Aracaju: +3,57%;
- Fortaleza: +3,06%;
- Teresina: +2,30%;
- Brasília: +1,98%;
- Curitiba: +1,30%;
- João Pessoa: +1,17%;
- Belo Horizonte: +1,15%;
- Rio de Janeiro: +1,03%.
Entre as poucas capitais que registraram queda no mês aparecem Vitória (-1,85%), Maceió (-0,25%), Belém (-0,25%) e Florianópolis (-0,23%).
Brasília se consolida como um dos mercados mais aquecidos
Entre as grandes capitais, Brasília chama atenção pelo desempenho consistente. Os preços dos aluguéis avançaram praticamente 2% em maio e acumulam quase 15% em 12 meses. A capital federal apresenta atualmente um preço médio de R$ 54 por metro quadrado, acima da média nacional.
O Rio de Janeiro também mantém forte recuperação. Após anos de estagnação, os aluguéis na cidade acumulam alta de 10,81% nos últimos 12 meses.
São Paulo, por sua vez, segue como o maior e mais caro mercado de locação do país. O preço médio atingiu R$ 64,67 por metro quadrado, o mais elevado entre as capitais brasileiras.
São Paulo continua sendo a capital mais cara
O levantamento mostra que o preço médio nacional dos aluguéis chegou a R$ 53,35 por metro quadrado em maio.
Entre as capitais, os maiores valores foram registrados em:
- São Paulo – R$ 64,67/m²;
- Recife – R$ 63,64/m²;
- Belém – R$ 63,27/m²;
- Florianópolis – R$ 60,93/m²;
- Rio de Janeiro – R$ 59,08/m².
Quando são consideradas também as cidades do interior e da região metropolitana, Barueri aparece no topo do ranking nacional, com aluguel médio de R$ 72,16 por metro quadrado, superando inclusive a capital paulista.
Apartamentos de dois dormitórios lideram alta
Os imóveis de dois dormitórios apresentaram o maior aumento em maio, com valorização de 1,09%. Em contraste, os apartamentos com quatro ou mais dormitórios registraram queda de 0,16% no mês.
No acumulado de 12 meses, entretanto, o destaque continua sendo os imóveis de três dormitórios, que avançaram 9,69%, acima da média nacional.
Investimento em imóveis segue atrativo
Apesar do elevado patamar dos juros, o investimento em imóveis para locação continua oferecendo retornos relevantes.
Segundo o FipeZAP, a rentabilidade média do aluguel residencial atingiu 6,11% ao ano em maio. Embora fique abaixo do rendimento oferecido por títulos públicos indexados à Selic, o retorno permanece competitivo quando combinado à valorização patrimonial dos imóveis.
As maiores taxas de retorno foram observadas em:
- Recife: 8,54% ao ano;
- Cuiabá: 8,31% ao ano;
- Belém: 8,29% ao ano;
- Manaus: 8,27% ao ano;
- São Luís: 7,45% ao ano.
Crédito caro ajuda a sustentar demanda por aluguel
O cenário ajuda a explicar por que os preços continuam avançando. Com financiamentos imobiliários ainda caros e exigências de entrada cada vez maiores, uma parcela crescente da população tem permanecido no mercado de locação.
Ao mesmo tempo, a oferta de imóveis disponíveis para aluguel não cresce na mesma velocidade da demanda, especialmente nas grandes capitais e em cidades que vêm recebendo novos investimentos e migração populacional.
O resultado é um mercado que segue pressionado. Mesmo desacelerando ligeiramente em maio, o Índice FipeZAP mostra que os aluguéis continuam crescendo acima da inflação e dos preços dos imóveis à venda, reforçando a tendência de valorização do setor residencial em 2026.






































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