A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) defendeu o aprofundamento das negociações entre Brasília e Washington para a eventual redução ou mesmo a suspensão das novas tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano sobre diversos produtos brasileiros.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, 23, a Amcham Brasil projeta que o tarifaço deve atingir cerca de 3 mil produtos do país, que correspondem a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos. Para a entidade, a aplicação das tarifas “agrava as condições de acesso das exportações brasileiras ao mercado norte-americano”.
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“Para 85,3% dessas vendas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, seus efeitos serão cumulativos com as tarifas de 25% anunciadas na semana anterior, resultando em sobretaxas de 37,5% – um dos níveis mais elevados aplicados pelos EUA a seus parceiros comerciais”, diz a Amcham Brasil.
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De acordo com a instituição, o novo tarifaço “compromete ainda mais a competitividade das exportações brasileiras para os EUA e tende a aprofundar a trajetória de retração do comércio bilateral”. “Também poderá elevar custos para empresas e consumidores norte-americanos, fragilizar cadeias produtivas integradas entre os dois países e afetar os investimentos bilaterais”, diz a nota.
“A nova tarifa amplia os impactos negativos sobre as exportações brasileiras, com diversos setores sujeitos a sobretaxas expressivas de 37,5%. A reversão desse cenário passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados”, defendeu o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto.
No documento, a Câmara Americana de Comércio para o Brasil afirma que eventuais “medidas de reciprocidade não contribuem para superar as divergências atuais e apresentam elevado risco de provocar uma escalada política e comercial, agravando os impactos econômicos para empresas, trabalhadores e consumidores brasileiros”.
A entidade reforçou, ainda, o pedido de “continuidade das negociações entre os governos do Brasil e dos EUA como solução para reverter as sobretaxas, ampliar a previsibilidade para empresas e investidores e avançar na construção de uma agenda bilateral positiva”.
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Novo tarifaço de Trump
Na quinta-feira, o governo norte-americano anunciou a imposição de tarifas adicionais de 12,5% sobre produtos brasileiros. A decisão faz parte de um conjunto de medidas que atinge 60 economias investigadas por não impedirem de forma efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A tarifa de 12,5% se sobrepõe à taxa de 25% que já havia sido aplicada pelos EUA sobre o Brasil no dia 15. Empresas brasileiras de setores como calçados, máquinas, equipamentos, peças e produtos químicos não farmacêuticos passarão a enfrentar tarifas totais de 37,5% nas exportações aos EUA.
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