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Economia

Banco Central corta projeção de crescimento do PIB

O Relatório Trimestral de Inflação reduziu a estimativa de 2,1% para 1,9%; os dois porcentuais ficam abaixo do crescimento de 2024, que foi de 3,4%

Projeção do PIB foi divulgada pela autoridade monetária nesta quinta-feira, 26 | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Projeção do PIB foi divulgada pela autoridade monetária | Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O Banco Central (BC) reduziu a perspectiva de crescimento da economia brasileira. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) ao fim deste ano caiu de 2,1% para 1,9%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) divulgado nesta quinta-feira, 27. O PIB nacional cresceu 3,4% em 2024, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

“A projeção de crescimento do PIB em 2025 continua consistente com a perspectiva de desaceleração da economia ante 2024 e os anos anteriores”, diz a autarquia. A mudança na projeção reflete uma queda no crescimento esperado para os setores mais cíclicos — que, segundo o relatório, será parcialmente compensada por um avanço dos outros nichos.

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As duas edições anteriores do RTI, de setembro e dezembro do ano passado, também previam crescimento em 2025 menor que o de 2024. Essa desaceleração econômica prevista está associada à política monetária mais contracionista, segundo o BC. A taxa básica de juros está em 14,25% ao ano, o maior patamar desde o governo Dilma. 

Banco Central reduz projeção de crescimento da economia do Brasil no ano
Evolução das projeções para crescimento do PIB em 2024 | Foto: Reprodução/Banco Central

Entre outros fatores, o BC também atribui o crescimento econômico nacional reduzido ao menor impulso fiscal e ao esfriamento da economia externa. 

Já a melhora nas previsões para os setores menos sensíveis ao ciclo econômico é fruto, principalmente, do aumento nas estimativas de produção agrícola e aos prognósticos mais favoráveis para a produção de petróleo. Pelo lado da demanda, a projeção ainda é de queda expressiva no consumo das famílias e nas importações. 

Agro deve ser o setor com melhor desempenho no ano

Setorialmente, o corte na projeção de crescimento do PIB reflete o desempenho reduzido da indústria e dos serviços, que tiveram surpresas negativas no quarto trimestre de 2024, e. O BC também projeta alta na agropecuária. 

A expansão esperada na agropecuária passou de 4% para 6,5%, diante de expectativas mais favoráveis para a produção agrícola, em especial a de grãos. Também há expectativa de safra recorde de soja, cuja colheita é concentrada no início do ano, diz o relatório. 

Na indústria, a projeção de crescimento caiu de 2,4% para 2,2%. A menor projeção para a indústria de transformação está bastante relacionada à expectativa de um menor ritmo médio de crescimento ao longo do ano, com desaceleração já no primeiro trimestre. 

Por outro lado, a revisão altista na indústria extrativa resulta das projeções mais favoráveis para a produção de petróleo, enquanto na construção ela deriva, principalmente, da surpresa positiva no quarto trimestre de 2024. 

Já a projeção para o setor de serviços recuou de 1,9% para 1,5%, com redução ou estabilidade na maioria de suas sete atividades. “Em geral, as mudanças são resultado das surpresas no quarto trimestre, predominantemente negativas, e da expectativa de taxas de crescimento ao longo do ano um pouco menores do que se previa anteriormente”, aponta o RTI.

PIB acumulado no ano | Foto: Reprodução/Banco Central

PIB vai subir antes de esfriar, segundo o Banco Central

Em termos de trajetória do PIB ao longo do ano, o BC projeta um crescimento mais expressivo no primeiro trimestre, depois de uma alta modesta no quarto trimestre de 2024, e certa estabilidade nos trimestres seguintes. 

A previsão de forte alta na agropecuária, juntamente com o aumento do salário mínimo e a liberação de recursos extras do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), deve contribuir para a aceleração da atividade no primeiro trimestre. 

Ainda assim, o crescimento esperado para o primeiro trimestre, especialmente ao retirar o setor agropecuário do cálculo do PIB, parece sensível à especificação do ajuste sazonal, conclui o relatório do Banco Central.

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