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Economia

Inflação desacelera em junho, mas segue acima da meta, diz IBGE

IPCA ficou em 0,16% no mês passado e em 4,64% no acumulado dos últimos 12 meses; preços da habitação puxaram índice

prévia da inflação alimentos
Preços desaceleraram em junho, segundo dados do IBGE, mas inflação oficial do país permanece estourando a meta | Foto: Arquivo/Agência Brasil

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma desaceleração em junho de 2026, registrando uma inflação de 0,16%, abaixo dos 0,58% de maio, mas ainda acima da meta de 3% estipulada pelo governo para 2026. No acumulado do ano, a inflação é de 3,36% e, nos últimos 12 meses, de 4,64%. A habitação foi o setor que mais contribuiu para a alta, com variação de 0,63%, enquanto alimentos e bebidas tiveram queda de 0,24%. As projeções do mercado indicam que a inflação deve fechar o ano em 5,3%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, desacelerou em junho deste ano, mas permanece acima da meta estipulada pelo governo para 2026, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mês passado, a inflação oficial ficou em 0,16%. O índice veio 0,42 ponto porcentual abaixo do IPCA de maio (0,58%), indicando desaceleração do índice.

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No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a inflação é de 3,36%. Nos últimos 12 meses até junho, o índice ficou em 4,64%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação do Brasil para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5% na base anual. Neste momento, portanto, a inflação brasileira está estourando o teto da meta.

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O resultado do IPCA em junho veio abaixo da média das projeções dos analistas do mercado, que eram de 0,31% (índice mensal) e 4,8% (anual).

De acordo com a última edição do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) e que reúne as projeções do mercado financeiro sobre diversos indicadores econômicos, a inflação oficial do Brasil deve fechar este ano em 5,3%.

Habitação puxou inflação em junho

Em junho, os preços do setor de habitação puxaram o índice. Eles foram responsáveis pela maior variação no mês (0,63%) e pelo maior impacto sobre o resultado cheio do IPCA (0,1 ponto porcentual).

Na outra ponta, o segmento de alimentos e bebidas, que registrou queda de 0,24%, teve a maior variação negativa e o maior impacto negativo sobre o índice (-0,05 ponto porcentual).

De acordo com os dados do IBGE, os demais grupos tiveram variações entre -0,02% (educação) e 0,25% (despesas totais).

Leia também: “Mercado corta estimativa de inflação, mas ainda projeta estouro da meta”

Veja o resultado de todos os grupos do IPCA:

  • Habitação: 0,63%
  • Despesas pessoais: 0,25%
  • Artigos de residência: 0,23%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,23%
  • Comunicação: 0,19%
  • Vestuário: 0,17%
  • Transportes: 0,17%
  • Educação: -0,02%
  • Alimentação e bebidas: -0,24%

IPCA

O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é utilizado pelo BC como uma das referências para as decisões sobre a taxa básica de juros (Selic).

O indicador mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.

O IPCA mensura dados nas cidades, englobando 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no Brasil. O índice monitora preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário e artigos de residência.

Leia também: “FMI sobe projeção para PIB do Brasil neste ano, mas vê desaceleração em 2027”

Análise

Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o IPCA abaixo do esperado em junho “ajuda a aliviar um pouco a pressão na inflação corrente no curto prazo e contribui para as apostas de mais uma queda de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

“Porém, o cenário continua desafiador para o BC, com o mercado de trabalho aquecido, estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral, expectativas de inflação desancoradas, a pressão em alimentos e energia esperada com o avanço do ‘super El Niño’ no segundo semestre e o recrudescimento recente do conflito no Oriente Médio, que já voltou a pressionar os preços do petróleo”, alerta Kayo.

André Valério, economista sênior do Banco Inter, observa que o dado de junho do IPCA “reforça a surpresa com o dado do IPCA-15 que já antecipava a normalização da inflação”. “Entretanto, a surpresa de baixa foi muito além do esperado, indicando que o processo inflacionário subjacente da economia brasileira não aparenta estar reacelerando, que a pressão altista recente foi amplamente influenciada pelas condições adversas de oferta em combustíveis e em alimentos”, afirma.

“Entretanto, já estamos em meio ao El Niño e tudo sugere que teremos um evento superforte, o que pode trazer uma pressão exacerbada sobre os preços de alimentos no 4º trimestre deste ano e no 1º trimestre do ano que vem”, prossegue Valério. “Por ora, o processo inflacionário dá sinais de que o aperto monetário empreendido nos últimos anos tem surtido efeito, o que, na nossa visão, permitiria o Copom a continuar o atual ciclo de calibração.”

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Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que “o mercado de trabalho aquecido e a desvalorização do real tendem a manter a inflação pressionada no segundo semestre”.

“Apesar da surpresa do IPCA de hoje, a inflação ainda elevada, as projeções acima da meta e o mercado de trabalho aquecido no país tornam cada vez mais difícil justificar novos cortes de juros”, explica Moreno. “Acreditamos que a taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, deve terminar 2026 em 14%, com apenas um corte adicional de juros. Para 2027, projetamos que a Selic permaneça estável nesse patamar.”

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