Nos meses que antecederam a liquidação, o Banco Central (BC) intensificou a vigilância sobre o Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro, na tentativa de evitar uma intervenção drástica. O órgão aguardou iniciativas da instituição para reverter o quadro, mas decretou a liquidação em novembro de 2025, depois de esgotadas as alternativas, conforme divulgou o portal Metrópoles.
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Documentos enviados pelo Banco Central à CPI do Crime Organizado revelam que, desde o começo de 2024, havia expectativa de uma solução de mercado, como a venda do banco ou a adoção de medidas para enxugar operações. O diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, destacou que o objetivo era evitar impactos sociais e custos elevados ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Tentativas de venda e reforço de liquidez
Entre as primeiras opções avaliadas, esteve a transferência de carteiras de crédito para outras instituições. Em 2024, começou a relação entre o Master e o Banco de Brasília (BRB), que se intensificou em 2025, quando surgiu a principal proposta: a venda do Master ao BRB. O Banco Central, porém, rejeitou a operação em setembro de 2025 por falta de viabilidade econômico-financeira.
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O FGC ainda repassou, a partir de maio de 2025, R$ 4,3 bilhões ao Master para auxiliar no cumprimento de obrigações imediatas. O Banco Central também autorizou Daniel Vorcaro a negociar ativos pessoais, dos quais parte foi vendida ao BTG Pactual, com possibilidade de entrada de R$ 954 milhões. Apesar do reforço, as medidas não evitaram o agravamento da crise.
No voto que embasou a decisão, Santos revelou que, mesmo com linhas de liquidez ampliadas, o banco permaneceu em situação crítica, sem alternativas viáveis para reverter o quadro. “Mesmo com a extensão da linha de liquidez fornecida pelo Fundo às principais entidades do grupo, permanece em estado econômico-financeiro crítico, não tendo construído alternativas factíveis para mitigar o problema, a solução adequada à luz dos interesses públicos envolvidos”, afirmou Santos.
O diretor defendeu a ideia, à diretoria do BC, de que fossem adotadas medidas imediatas, relatando que a saúde financeira do grupo se deteriorou e a capacidade de cumprir obrigações futuras ficou comprometida. O banco passou a enfrentar uma crise aguda de liquidez por causa da insuficiência das soluções propostas.
Irregularidades e agravamento da crise
Ao longo de 2024 e 2025, o Master apresentou diversas irregularidades: atrasos no envio de documentos, exaustão das carteiras de crédito e descumprimento dos depósitos compulsórios, agravado a partir de fevereiro de 2025. Mesmo alertada, em abril de 2025, a instituição solicitou dispensa do recolhimento em maio, mas o pedido foi negado pelo Deban.
Santos relatou que, depois de expirado o prazo para ajustes, a supervisão do BC constatou o agravamento da crise e a inexistência de perspectivas de recuperação. A Procuradoria-Geral do BC corroborou o entendimento, frisando que a autoridade buscou alternativas menos onerosas à sociedade, seja por negociações, seja por redução gradual das atividades.
O histórico da crise mostra que, entre 2018 e 2023, o banco buscou expansão, passando ao controle de Vorcaro. No primeiro semestre de 2024, adquiriu três instituições e foi cobrado a apresentar plano de contingência. Em julho de 2024, o banco não atingiu a meta de captação prevista, agravando a situação. Nos meses seguintes, ocorreram falhas de capital e riscos na gestão do crédito.
Suspeitas de crimes e consequências
Negociações para venda ao BRB foram iniciadas em janeiro de 2025, mas, em setembro, a proposta foi barrada. Depois de uma nova tentativa de reestruturação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro de 2025.
A Procuradoria e a diretoria de Fiscalização também destacaram suspeitas de crimes por parte da gestão do banco. Durante as negociações, o Master teria vendido ao BRB carteiras de crédito no valor de cerca de R$ 10 bilhões cuja existência não foi comprovada, fato comunicado ao Ministério Público Federal em julho de 2025.
Santos acrescentou que as estratégias adotadas pelo banco estiveram acompanhadas de práticas ilícitas, contribuindo para intensificar a crise de liquidez. “A gravidade das ocorrências identificadas pela Supervisão e, em especial, a conexão entre os ilícitos e a crítica situação econômico-financeira em que se encontra o conglomerado militam no sentido da caracterização de graves irregularidades por parte do Banco Master, a atrair a necessidade de medidas saneadoras pela autoridade de resolução do país”, concluiu Santos.
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