publicidade
Economia

'Bancos de esquerda' já preveem catástrofe na economia brasileira

O cidadão comum tem de acreditar naquilo que vê e não naquilo que lhe dizem os economistas das grandes instituições financeiras

economia brasileira
Foto: Divulgação/Agência Brasil

(J.R. Guzzo, publicado no jornal Gazeta do Povo em 24 de fevereiro de 2022)

Um dos grandes bancos brasileiros chegou à conclusão, já em fevereiro, que o Brasil vai fechar este ano com recessão — mais exatamente, a economia vai recuar 0,5% até dezembro. Como é que eles sabem isso, se o ano nem começou? É o tipo de pergunta que não adianta nada fazer, porque nunca dão uma resposta coerente para ela; são previsões da ciência econômica, diriam os autores da profecia, coisa que é privativa dos economistas de grandes bancos e a respeito da qual não cabe ao leigo se manifestar.

Receba nossas atualizações

Tudo bem, mas o que realmente interessa saber, nessa espécie de adivinhações, é o seguinte: elas são feitas sem nenhuma responsabilidade, sem nenhum compromisso e, sobretudo, sem nenhuma consequência para quem as coloca em circulação junto ao público pagante. Têm de ser recebidas, assim, com o grau de confiança que se reserva para os búzios do Pai João e as cartas de tarô da Mãe Joana. É simples: se der tudo errado, e a realidade mostrar-se o contrário da previsão, não acontece nada para o economista-previsor. Não perde o emprego. Não é nem chamado para uma pequena conversa na sala do chefe. Na verdade, ninguém vai se lembrar em dezembro o que ele disse em fevereiro — com um pouco de jeito, o cidadão pode até ir dizendo, aqui e ali, que previu outra coisa, ou mesmo o contrário. Em seguida, parte para a próxima previsão.

Vinda de onde vem, a estimativa de 0,5% de recessão não deveria, pensando um pouco, surpreender ninguém. Curiosamente, no Brasil de hoje, temos bancos de esquerda — e faz parte de seu compromisso social, sobretudo num ano de eleições, dizer que a economia nacional está em ruínas e dar a entender que o “campo progressista” vai devolver ao sistema econômico a felicidade que ele perdeu com o governo de direita. São bancos assim que fazem previsões como essa. Ou, então, pagam campanhas de publicidade contra a pecuária brasileira. Ou têm, na voz de gente que está em suas vizinhanças, candidatos à Presidência da República.

A saída possível, para o cidadão comum, é olhar para a realidade do dia a dia e acreditar naquilo que vê, e não naquilo que lhe dizem os economistas dos grandes bancos. Pode anotar, por exemplo, que justamente em janeiro de 2022, com a previsão de recessão, o investimento estrangeiro direto no Brasil foi de US$ 5 bilhões, o maior desde 2018; as contas mostram que podem ser US$ 10 bilhões em fevereiro. Se o país está morto, por que gente de fora está investindo tanto dinheiro aqui? Não dá para entender — mas leigo não tem mesmo que entender essas coisas, certo? Esperemos, então, pelos fatos.

Leia também: “O mundo se despede da pandemia”, reportagem publicada na Edição 101 da Revista Oeste

Leia mais sobre:

Canal Oeste
Nossos colunistas
Foto do autor J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Foto do autor Augusto Nunes
Augusto Nunes
Foto do autor Ana Paula Henkel
Ana Paula Henkel
Foto do autor Guilherme Fiuza
Guilherme Fiuza
Foto do autor Rodrigo Constantino
Rodrigo Constantino
Foto do autor Alexandre Garcia
Alexandre Garcia
Foto do autor Antonio Cabrera
Antonio Cabrera
Foto do autor Eugênio Esber
Eugênio Esber
Foto do autor Evaristo de Miranda
Evaristo de Miranda
Foto do autor Flávio Gordon
Flávio Gordon
Foto do autor Roberto Motta
Roberto Motta
Foto do autor Miriam Sanger
Miriam Sanger
Foto do autor Adalberto Piotto
Adalberto Piotto
Foto do autor Frank Furedi, da Spiked
Frank Furedi, da Spiked
Foto do autor Jeffrey A. Tucker.
Jeffrey A. Tucker.
Foto do autor Theodore Dalrymple
Theodore Dalrymple
Foto do autor Flavio Morgenstern
Flavio Morgenstern
Foto do autor Ubiratan Jorge Iorio
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
publicidade