De cada R$ 100 aplicados pelo Banco de Brasília (BRB) na aquisição de carteiras de crédito entre 2024 e 2025, R$ 95 tiveram como destino o Banco Master. Os dados constam de planilhas de prestação de contas elaboradas pelo próprio banco estatal e foram divulgados primeiramente pelo portal Metrópoles.
Desde julho de 2024, o BRB desembolsou R$ 30,4 bilhões na compra de ativos do Master. Desse total, R$ 25,1 bilhões referem-se a carteiras de crédito de varejo, com destaque para operações ligadas à Credcesta, linha de crédito consignado voltada sobretudo a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com desconto direto em folha.
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O montante é ainda maior quando se incluem operações classificadas como “substituições”, nas quais o banco estatal devolve carteiras deterioradas e recebe outras em troca. Os aportes do BRB no Master seguiram até outubro, pouco antes de o Banco Central (BC) liquidar a instituição fundada por Daniel Vorcaro.

Aporte do BRB no Master é 25 vezes maior que em outras instituições
No período em que adquiriu, em média, mais de uma carteira por semana do Master, o BRB realizou apenas 32 aquisições com outras instituições financeiras, que somaram R$ 1,6 bilhão.
Entre esses negócios, um dos principais vendedores foi o Will Bank, banco digital vinculado ao Master e também liquidado pelo BC. Ao todo, o BRB comprou cinco carteiras de crédito consignado com garantia do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço da instituição, no valor de R$ 358 milhões.
Ao considerar o Will Bank no mesmo grupo do Master, o total de aquisições com o conglomerado de Daniel Vorcaro chega a R$ 25,5 bilhões, contra R$ 1,2 bilhão negociados com todas as demais instituições financeiras. A compra do Master pelo BRB foi barrada pelo BC em setembro.

Em 2024, além do Master, o BRB concentrou a aquisição de carteiras de crédito consignado com garantia do INSS com a Facta Financeira e o Banco Pine. No mesmo período, o banco também recomprou quatro carteiras de menor porte que haviam sido vendidas ao Guardian Asset.
Ao todo, o BRB declarou à Comissão de Valores Mobiliários ter realizado 120 aquisições de carteiras de crédito de varejo do Master. A maior parte das operações envolveu consignados da Credcesta, mas também incluiu carteiras de “Pix Crédito”, parcelamento de faturas e crédito rotativo, entre outras modalidades.
Além disso, o banco adquiriu do Master ativos bilionários classificados como “crédito atacado”, principalmente Cédulas de Crédito Bancário — títulos que formalizam dívidas decorrentes de operações de crédito contratadas por empresas e também por pessoa física, como Bruno Lemos Ferrari, CEO da Oncoclínicas.

O BRB informou também à autarquia ter feito 44 aquisições de instrumentos como Certificado de Depósito Interbancário, Certificado de Recebíveis Imobiliários e fundos diversos ligados ao Master, em operações que somam R$ 8,1 bilhões.
Metade desse valor refere-se à substituição de créditos deteriorados, concentrada entre maio e o início de agosto de 2025, período em que o BC já sinalizava resistência à aprovação da compra do Master pelo BRB. Em parte dessas trocas, o banco recebia novos ativos da Credcesta.
Em fevereiro, o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, afirmou ao Metrópoles que buscava compradores para a totalidade da carteira adquirida do Master. Segundo ele, o conjunto de ativos — que posteriormente se revelou ter custado R$ 30,4 bilhões — estava avaliado em R$ 21,9 bilhões.
Leia também: “O rastro da roubalheira“, reportagem de Sarah Peres publicada na Edição 314 da Revista Oeste
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