Em meio à crise, campanha estimula consumo de etanol entre brasileiros 

Com a pandemia do coronavírus, setor sucroalcooleiro vê consumo do combustível despencar e faz campanha para reviver tempos áureos do Pró-Álcool.
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O vice-presidente da Faesp, Tirso Meirelles | Foto: Divulgação
O vice-presidente da Faesp, Tirso Meirelles | Foto: Divulgação

Com a pandemia do coronavírus, setor sucroalcooleiro quer incentivar a escolha do combustível que é mais barato, renovável e contribui para manutenção de empregos no país

O vice-presidente da Faesp, Tirso Meirelles | Foto: Divulgação
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“Cada um de nós tem de fazer seu papel. Temos que salvaguardar a economia brasileira, é isso que cada brasileiro, que é um empreendedor nato, precisa fazer”. É assim que o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, começa a explicação sobre a nova campanha que a instituição lançou na última terça-feira, 12 de maio.

Batizada de “Na hora de abastecer, escolha etanol e ajude a manter milhões de empregos”, a ação quer lembrar aos brasileiros os benefícios do combustível tipicamente nacional e ajudar a cadeia produtiva da cana-de-açúcar a se manter durante a pandemia do coronavírus.

“Não podemos ficar à mercê de posições internacionais”, concorda o vice-presidente do Grupo São Martinho, João Guilherme Ometto. “O etanol fortalece a matriz energética brasileira, produz energia limpa, faz parte de qualquer bom programa de sustentabilidade que queira diminuir a poluição nas grandes cidades”.

Por “posições internacionais”, Ometto se refere à baixa histórica do petróleo que fez com que a gasolina chegasse ao preço mais baixo em anos no Brasil e complicasse a vida de toda a cadeia produtiva do etanol, do “fornecedor”, como é conhecido o produtor que planta a commodity.

“É preciso mitigar a delicada situação da cadeia sucroenergética no Estado de São Paulo, motivada pelos baixos preços internacionais do petróleo e redução do consumo do etanol, em função da política adotada para contenção da covid-19”, explica o presidente da Faesp, Fabio Meirelles.

2020 era ano de recuperação do setor

Segundo o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, no total, 1,2 mil municípios brasileiros possuem cultivos e apenas São Paulo tem mais de 5,5 milhões de hectares de área plantada com a finalidade de abastecer as usinas para a produção de etanol, açúcar e bioenergia.

Se nos anos 1970, o Pró-Álcool fez o brasileiro se orgulhar de ter um combustível nacional, nos últimos anos de governos petistas, a história mudou do açúcar para o fel. “O setor sofreu muito no governo Dilma, porque ela segurou a inflação represando o valor da gasolina”, conta. “Isso foi um desastre para a Petrobras e para o etanol”.

Para piorar, no mesmo período, a Índia passou anos subsidiando o açúcar, outro derivado da cana. “Esse ano havia uma sinalização de forte recuperação do setor, por três razões: o fim do subsídio do açúcar indiano, a economia estava melhorando e o preço do etanol estava competitivo frente à gasolina. Por fim, o verão foi bom e a safra estava correndo bem”, lamenta Rodrigues, que afirma que após o início do confinamento social devido à covid-19, o consumo do combustível caiu 40%.

No total, mais de um milhão de trabalhadores estão envolvidos diretamente na cadeia produtiva da cana-de-açúcar, que na época de safra – que dura oito meses por ano, funciona 24 horas por dia. Este ano, a colheita começou em março.

Estratégias de sobrevivência

Após a negativa do governo federal em elevar o valor da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) – que na opinião dos entrevistados não é um imposto e, sim, uma ferramenta de controle para evitar que um produto esmague o outro na bomba do posto – veio a ideia de retomar o diálogo com os municípios.

De acordo com Tirso Meirelles, em 1996, boa parte das indústrias automotivas havia parado de fabricar carros movidos a álcool e o setor sucroalcooleiro enfrentava uma grande crise. Para contornar a situação, a Faesp reuniu prefeitos de cidades produtoras de cana e foram às fábricas de carros pedir a volta dos motores a etanol. Deu certo e em 1997, todas as prefeituras empenhadas tinham pelo menos um carro com esse tipo de combustível em suas frotas.

Enquanto o plano não se concretiza, as usinas estocam o que que podem de etanol e voltam sua produção ao açúcar, que também enfrenta baixas cotações no mercado internacional. Além disso, levam a campanha às ruas, na tentativa de trazer de volta o consumidor não apenas durante a pandemia, mas depois dela. O intuito é que esse incentivo gere um comportamento que possa ser mantido mesmo após o pico da crise de saúde pública, uma vez que, além de ser mais sustentável, o etanol é mais barato, renovável e contribui muito para manter milhões de empregos no Brasil.

 

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