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Economia

Copom se manterá vigilante sobre taxa de juros

Afirmação consta da ata da reunião em que o Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 13,75% ao ano

Banco Central inflação
Fachada do Banco Central do Brasil | Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, relativa à 249ª reunião, divulgada nesta terça-feira, 27, informa que o comitê “se manterá vigilante, avaliando se a estratégia de manutenção da taxa básica de juros por período suficientemente prolongado será capaz de assegurar a convergência da inflação”.

Na semana passada, o comitê decidiu manter a taxa de juros em 13,75% ao ano, após 12 altas consecutivas, embora o aumento de 0,25 ponto porcentual também tenha sido amplamente debatido, conforme a ata. A decisão de manter a taxa de juros, segundo o comitê, “reflete a incerteza ao redor de seus cenários”.

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Como os cenários interno e externo refletem incerteza, o Copom afirma que se manterá vigilante e reforça “que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação, como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”. “O Comitê enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados e não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso o processo de desinflação não transcorra como esperado.”

Quanto aos ambientes econômicos, a ata considera que o “ambiente externo se mantém adverso e volátil”, com contínuas revisões negativas para o crescimento das principais economias, em especial para a China. Embora o mercado de trabalho norte-americano esteja aquecido, diz a ata, outros fatos “reforçam uma perspectiva de desaceleração do crescimento global nos próximos trimestres”, como a manutenção da política de covid zero da China e a continuidade da guerra na Ucrânia e a consequente baixa no fornecimento de gás natural para a Europa.

Segundo a ata, a inflação continua sendo desafiadora, já que a normalização das cadeias de suprimento ainda é incipiente, e a acomodação nos preços das principais commodities ainda é recente. Porém, o baixo grau de ociosidade do mercado de trabalho sugere que “pressões inflacionárias no setor de serviços podem demorar a se dissipar”.

Outro apontamento da ata é quanto à adoção de políticas monetárias restritivas de forma sincronizada entre os países, o que impacta as expectativas de crescimento econômico. Por isso, o “Comitê segue acompanhando os riscos relacionados à desaceleração global e ao aumento da aversão a risco, em ambiente de inflação significativamente pressionada”.

No âmbito doméstico, um fator de impacto foi a divulgação do PIB, que teve ritmo de crescimento acima do esperado no segundo trimestre. “Observou-se crescimento robusto tanto no consumo quanto no investimento”, de acordo com a ata. Além disso, outros indicadores divulgados desde a última reunião do Copom continuam dando sinais de crescimento.

Ao lado do PIB, houve deflação por dois meses seguidos, o que também impactou na decisão do comitê. “As divulgações recentes foram fortemente influenciadas pela redução de preços administrados, em função tanto da queda de impostos quanto, em menor medida, das quedas dos preços internacionais de combustíveis.” As expectativas de inflação para 2022, 2023 e 2024 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 6,0%, 5,0% e 3,5%, respectivamente.

Também no cenário doméstico, o comitê falou sobre gastos públicos, afirmando que “o aumento de gastos de forma permanente e a incerteza sobre sua trajetória a partir do próximo ano podem elevar os prêmios de risco do país e as expectativas de inflação”. Isso porque podem pressionar a demanda e piorar as expectativas sobre a trajetória fiscal. “O Comitê reitera que há vários canais pelos quais a política fiscal pode afetar a inflação, incluindo seu efeito sobre a atividade, preços de ativos, grau de incerteza na economia e expectativas de inflação.”

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