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Economia

Credores acusam Gafisa de usar fundo para blindar patrimônio em operações ligadas ao Master

Processos indicam contratos para dificultar execução de dívidas e acesso a recursos

Gafisa
Durante a execução da dívida, a Polo identificou que a Gafisa detinha integralmente o fundo Bergamo | Foto: Divulgação/Gafisa

A Gafisa enfrenta acusações de credores que indicam uma estrutura financeira usada para dificultar o pagamento de dívidas. Conforme as denúncias, a construtora teria operado em conjunto com o Banco Master para proteger o patrimônio por meio de fundos de investimento. O caso envolve o investidor Nelson Tanure e aparece em investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF)

Segundo o portal Metrópoles, a Polo Securitizadora moveu uma das ações e cobra cerca de R$ 24 milhões. Apesar de obter decisão favorável para bloqueio de bens, a empresa conseguiu recuperar apenas parte do valor. O processo relata que a construtora mantinha ativos relevantes fora do alcance das penhoras.

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Durante a execução da dívida, a Polo identificou que a Gafisa detinha integralmente o fundo Bergamo, com patrimônio divulgado de R$ 129 milhões em 2022. A empresa obteve autorização judicial para penhorar esses recursos.

A tentativa de bloqueio levou à atuação do advogado Daniel Lopes Monteiro. Ele ingressou com ação em nome do Master para impedir a penhora, alegando que o fundo estava vinculado ao banco de Daniel Vorcaro por alienação fiduciária.

De acordo com o Metrópoles, documentos revelam que a conta da Gafisa no Master apresentava saldo negativo, o que inviabilizava bloqueios judiciais. Ao mesmo tempo, a construtora realizou aportes expressivos no Bergamo, que direcionava parte dos recursos a empresas ligadas ao banco.

Atuação de Monteiro em operações financeiras 

Apurações revelam que Monteiro atuava em operações de crédito no Master, com foco em ativos vinculados a valores a receber. Fontes do mercado financeiro o descrevem como responsável por estruturar fundos utilizados nessas operações.

Segundo relatos, havia integração entre operações do Master e da gestora Reag, também investigada e posteriormente liquidada pelo Banco Central.

No caso da Gafisa, o Bergamo aparece como elemento central dessa estrutura. Documentos indicam movimentação superior a R$ 2 bilhões em três anos, com dezenas de aplicações e resgates.

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, o empresário Vladimir Timerman afirmou que recursos da construtora transitavam por diferentes fundos até chegar ao Master. Ele também declarou que Tanure teria controle sobre a administradora do fundo, a Trustee DTVM.

Família Klabin relata bloqueio de acesso a ativos

Outro processo, movido pela família Klabin, também descreve dificuldades para localizar ativos da Gafisa. Na ação, os autores afirmam ter encontrado apenas R$ 0,01 disponível em conta da construtora. A disputa voltou a envolver o Bergamo. A administradora alegou que valores não poderiam ser liberados por estarem vinculados ao Master.

A Justiça rejeitou o argumento e autorizou a penhora. Na decisão, o juiz afirmou que não havia justificativa para impedir o resgate dos recursos, já que o fundo possui prazo indeterminado.

Disputa termina em acordo entre as partes

Ao Metrópoles, a defesa de Monteiro argumentou que o advogado “sempre atuou de forma técnica” e que a ação da Polo contra a Gafisa é “mais uma entre milhares que seu escritório atuou na defesa de clientes”. 

Já a Polo sustentou que não há provas de garantia e descreveu a operação como mecanismo para dificultar o acesso de credores ao patrimônio da construtora. 

+ Leia também: “Justiça de São Paulo aceita pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor”

A disputa terminou em acordo entre as partes. Em nota, a Gafisa informou que o litígio com a Polo “se encerrou há pelo menos dois anos” e que “a parceria entre ambas foi retomada e segue em boa ordem”. Por sua vez, a Gafisa destacou que “não comenta assuntos relacionados a acionistas”.

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