publicidade
Economia

Dólar sobe com inflação acima das expectativas e incertezas nas contas públicas

O IPCA registrou uma aceleração de 0,56% em outubro, superando as projeções do mercado, que estimavam uma alta de 0,54%

dólar; loteria; real; Morningstar
O dólar, a moeda dos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Gerd Altmann/Pixabay

O dólar abriu em forte alta nesta sexta-feira, 8, impulsionado por dados de inflação acima das expectativas e pela indefinição quanto ao pacote de cortes de gastos do governo Lula (PT). Às 10h06, a moeda norte-americana registrava avanço de 1,36%, negociada a R$ 5,75. Nesta quinta-feira, 7, o dólar fechou em R$ 5,67, enquanto a Bolsa de Valores recuou 0,50%, atingindo 129,6 mil pontos.

+ Leia mais notícias de Economia em Oeste

Receba nossas atualizações

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial da inflação brasileira, subiu para 0,56% em outubro, comparado a 0,44% registrado em setembro.

Analistas consultados pela Bloomberg esperavam uma alta de 0,54%, com projeções que variassem entre 0,48% e 0,65%. Com o novo índice, a inflação acumulada em 12 meses alcançou 4,76%, ante 4,42% até setembro e 4,82% no mesmo período do ano anterior. O mercado estimava uma taxa de 4,74%.

O IPCA é um parâmetro central para a meta de inflação perseguida pelo Banco Central, que fixou o objetivo em 3% para 2024 com uma margem de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Assim, o índice precisa se manter entre 1,5% e 4,5% até dezembro. Caso contrário, o novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, terá de justificar o descumprimento ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e apresentar estratégias para realinhar a inflação.

As mensagens contraditórias que o governo Lula manda sobre sua disposição de cortar despesas se refletem na alta dos juros e do dólar | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
As mensagens contraditórias que o governo Lula manda sobre sua disposição de cortar despesas se refletem na alta dos juros e do dólar | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Cenário inflacionário deve continuar a elevar a taxa de juros

O estrategista de investimentos Marcelo Bolzan analisou o cenário inflacionário e afirmou que o Copom deve manter a trajetória de elevação da taxa de juros. Segundo ele, ainda existem incertezas quanto ao ritmo desse ajuste. Na quarta-feira 6, o Copom elevou a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 11,25% ao ano, conforme previsto pelo mercado. Economistas interpretam a decisão como um reflexo das incertezas sobre a inflação, a política fiscal e o contexto internacional.

O IPCA de outubro sofreu influência do aumento no preço da energia elétrica, com alta de 4,74%. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) havia acionado a bandeira tarifária vermelha no patamar 2, o que elevou o custo para R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos.

As preocupações fiscais também afetam as expectativas sobre a inflação. O mercado aguarda o anúncio do pacote de cortes de gastos do governo, prometido para outubro. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adiou uma viagem a São Paulo para acompanhar o processo.

Pacote de corte de gastos do governo Lula contribuiu para dólar subir

Na quinta-feira, rumores sobre cortes entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões fizeram o dólar alcançar a marca de R$ 5,72. O Ministério da Fazenda, porém, emitiu uma nota em que nega esses valores.

cédulas de dólar
O valor do dólar tem aumentado por causa de incertezas na economia brasileira | Foto: Jorge Araujo/ Fotos Públicas

Ao longo da semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro Haddad e outros membros do governo discutiram o pacote de cortes de gastos com as pastas afetadas. Entre os participantes, estavam ministros como Rui Costa, da Casa Civil, e Simone Tebet, do Planejamento. Também participaram os titulares das áreas de Previdência, Trabalho, Saúde e Educação.

Analistas estimam que o governo precise realizar um corte de gastos entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões. Esse corte seria necessário para atender às expectativas do mercado e garantir o equilíbrio fiscal.

No cenário internacional, a vitória de Donald Trump nas eleições norte-americanas pode levar a um período de dólar forte e juros elevados. Esse cenário exigirá que o Brasil tome medidas fiscais mais rigorosas para controlar a inflação.

Leia mais sobre:

0 comentários
Nenhum comentário para este artigo, seja o primeiro.
Canal Oeste
Nossos colunistas
J. R. Guzzo (diretor perpétuo)
Augusto Nunes
Ana Paula Henkel
Guilherme Fiuza
Rodrigo Constantino
Alexandre Garcia
Antonio Cabrera
Eugênio Esber
Eugênio Esber
Evaristo de Miranda
Flávio Gordon
Roberto Motta
Miriam Sanger
Adalberto Piotto
Frank Furedi, da Spiked
Jeffrey A. Tucker.
Theodore Dalrymple
Flavio Morgenstern
Ubiratan Jorge Iorio
publicidade
Background
NEWSLETTER
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
Background
TELEGRAM
Cadastre-se e receba nossas newsletter com matérias exclusivas toda semana
publicidade
Background
Assine a Revista Oeste
Seja um dos brasileiros que acreditam que o bom jornalismo transforma um país.