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O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal e dono da Rede Record, investiu R$ 1,5 bilhão no Banco Digimais para cobrir déficits e facilitar sua venda, em meio a uma crise institucional. A Polícia Federal investiga o banco por inflar ativos e ocultar insolvência, seguindo práticas fraudulentas semelhantes às do extinto Banco Master. A Justiça bloqueou R$ 670 milhões de alvos relacionados ao esquema, enquanto Macedo, que reside no exterior, teve seu sigilo fiscal quebrado e bens congelados.
O bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da Rede Record, aportou cerca de R$ 1,5 bilhão no Banco Digimais para tampar os rombos do balanço e viabilizar a venda da instituição. As informações são do jornal O Globo.
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BTG Pactual e Banco Safra estão entre os potenciais compradores. O objetivo da capitalização é limpar as contas do banco e destravar as negociações. Até agora, não há anúncio de venda concluída nem detalhamento público de preço ou formato da operação.
O aporte ocorre em meio a uma crise institucional no Digimais. Em junho, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Miragem, que acusa o banco de inflar artificialmente seus ativos para esconder uma situação de insolvência.
A representação da PF que embasou as medidas judiciais contra o Digimais sinaliza que a instituição de Edir Macedo seguiu o mesmo modus operandi de fraudes do Banco Master. O documento detalha como a diretoria manipulou registros contábeis para criar uma falsa aparência de liquidez, escondendo a real situação financeira.
A PF ressalta que o banco “adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”. O modelo consistia em captar dinheiro de forma massiva no mercado, oferecendo CDBs com taxas de retorno muito superiores à média.
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Segundo os investigadores, a diretoria se aproveitou da confiança dos depositantes e passou a “superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais”. O objetivo central era “ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”.
Conexões do Digimais com o Banco Master
A PF encontrou conexões diretas entre o Digimais e o Master. Em janeiro de 2025, Maurício Antonio Quadrado, ex-executivo do Banco Master, tentou comprar a instituição de Edir Macedo por meio da holding Bluebank, mas o Banco Central vetou o negócio.
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Os agentes descobriram que o Digimais alocou cerca de R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios ligadas ao Master. Para a corporação, manter esses créditos de “origem duvidosa” configura indício de gestão fraudulenta.
Com base nessas descobertas, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 670 milhões pertencentes a dez alvos ligados ao esquema. O líder religioso não recebeu mandados de busca e apreensão por residir no exterior, mas acabou alvo da investigação, com a quebra de seu sigilo fiscal e o congelamento de seus bens pessoais.
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