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Economia

Fictor rescinde contratos com investidores e não fala em devolver dinheiro

Com lista bilionária de credores, a empresa anunciou distrato e não esclareceu devolução de recursos

Master Executivo da financeira Fictor durante apresentação a investidores | Foto: Divulgação/Fictor
Executivo da financeira Fictor durante apresentação a investidores | Foto: Divulgação/Fictor

O Grupo Fictor enviou um comunicado aos investidores no domingo 1º, logo depois de protocolar na Justiça o pedido de recuperação judicial. A notificação informava a rescisão dos contratos firmados com quem aplicou recursos na empresa na expectativa de obter rendimentos. As informações são do portal Metrópoles.

No texto, a empresa anuncia o distrato das Sociedades em Conta de Participação (SCPs), modelo que sustentava a captação de recursos da companhia. “A Fictor Invest, na qualidade de sócia ostensiva, comunica formalmente a decisão de promover o distrato da Sociedade em Conta de Participação”, diz a mensagem.

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As SCPs eram o principal instrumento de negócios da Fictor, que ganhou projeção nacional ao anunciar a compra do Banco Master, por R$ 3 bilhões, às vésperas da operação policial que levou à prisão os principais dirigentes da instituição financeira. Nesse modelo, investidores aportavam capital sem aparecer formalmente, enquanto a Fictor, como sócia ostensiva, conduzia os negócios e repartia os lucros.

O Fictor ganhou projeção nacional ao assinar um contrato de patrocínio de R$ 30 milhões anuais com o Palmeiras | Foto: Divulgação
O Fictor ganhou projeção nacional ao assinar um contrato de patrocínio de R$ 30 milhões anuais com o Palmeiras | Foto: Divulgação

Na prática, os investidores tornavam-se sócios ocultos da empresa, com contratos que prometiam retornos fixos, variáveis conforme o valor investido. Com isso, não figuram como clientes, mas como sócios no processo de recuperação judicial.

Pela legislação, o sócio oculto investe capital sem constar no contrato social, e cabe ao sócio ostensivo a gestão e a responsabilidade pelas dívidas. Mesmo no cenário mais favorável, esses investidores ficariam no fim da fila de credores. Com o distrato anunciado, a situação se agrava ainda mais.

No comunicado, a Fictor não esclarece como — ou se — os valores investidos serão devolvidos. Depois de anunciar a rescisão, a empresa atribuiu a recuperação judicial aos efeitos da tentativa frustrada de aquisição do Banco Master, que teria abalado a confiança do mercado e a reputação do grupo, impactando indiretamente as SCPs.

Antônio Marques de Oliveira Neto, que mediava a venda do Master para Fictor: acusações ao BC | Foto: Reprodução/X/@AntonioNetoURA
Antônio Marques de Oliveira Neto, que mediava a venda do Master para o Grupo Fictor | Foto: Reprodução/X/@AntonioNetoURA

Em seguida, a Fictor reforça o tratamento dos investidores como sócios e informa a rescisão unilateral dos contratos, sob o argumento de preservar a segurança jurídica e a equidade entre os participantes. O texto termina sem indicar o destino do dinheiro aplicado e limita-se a afirmar que o distrato é válido desde 1º de fevereiro e que os termos detalhados ainda serão encaminhados.

Fictor declarou mais de R$ 4 bilhões em dívidas

Paralelamente, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que a Fictor apresente, em cinco dias, uma nova lista de credores. A decisão veio depois de empresas apontadas como as maiores credoras negarem ter valores a receber do grupo.

No pedido de recuperação judicial, a Fictor declarou dívidas de R$ 4,3 bilhões e listou instituições como American Express e Sefer Investimentos, que juntas somariam mais de R$ 1 bilhão em créditos. Ambas, porém, afirmaram desconhecer os valores.

Carro de luxo apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero | Foto: Reprodução/PF

Segundo a Fictor, a dívida com a American Express seria de R$ 893,2 milhões. A bandeira de cartões, no entanto, informou que foi listada incorretamente como credora em documento judicial protocolado em 2 de fevereiro de 2026.

Já a suposta dívida de R$ 430 milhões com a Sefer Investimentos também foi negada pela corretora, que afirmou não conceder crédito com recursos próprios. A Sefer é alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro.

A primeira etapa da investigação levou à prisão dirigentes do Banco Master, um dia depois do anúncio da tentativa de compra da instituição pela Fictor.

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