Metade dos combustíveis fósseis poderá ser inútil em 2036, diz estudo

Noruega, Estados Unidos e Brasil são considerados alguns dos principais perdedores, a menos que se diversifiquem rapidamente
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Plataforma na Bacia de Campos | Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo
Plataforma na Bacia de Campos | Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Cerca de metade dos combustíveis fósseis do mundo poderá ser desnecessária e produzir muito pouco lucro dentro de 15 anos, devido à transição energética. Um novo estudo revela, no entanto, que os países que começarem mais cedo a desativar o uso desses combustíveis poderão conseguir reduzir algumas das perdas.

Ou seja, a prevalência de energias mais limpas no mercado deverá ser benéfica para a economia de alguns países e irá compensar as perdas para a economia global. A transição, porém, pode trazer grande instabilidade e até provocar uma crise financeira como a de 2008, alertam os especialistas.

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Estudo publicado na quinta-feira 4 na revista científica Nature mostra que metade dos ativos de combustíveis fósseis no mundo pode tornar-se desnecessária dentro de 15 anos. As empresas ligadas a esse tipo de exploração poderão ficar na posse de “ativos ociosos”: infraestrutura, terrenos, fábricas e investimentos. O valor desses combustíveis fósseis poderá cair ao ponto de já não ser possível às empresas lucrar de nenhuma forma.

Jean-François Mercure, da Universidade de Exeter, principal integrante do trabalho, diz que a mudança para a energia limpa irá beneficiar a economia mundial em geral, mas deve ser tratada com cautela para evitar colapsos locais e regionais, que provocariam uma possível instabilidade em nível global.

“Na pior das hipóteses, as pessoas vão continuar a investir em combustíveis fósseis até que, de repente, a procura que esperavam vai deixar de existir, e as empresas perceberão que o que têm em sua posse não vale nada. Podemos ter uma crise financeira à escala da crise de 2008”, alerta o coordenador.,

Mercure destaca o impacto negativo para cidades dependentes da exploração de petróleo, como Houston, por exemplo, que poderão ter o mesmo destino de Detroit, com o declínio da indústria de automóvel nos EUA, caso a transição não seja cuidadosamente gerida.

O estudo prevê uma mudança geopolítica significativa com a queda na procura dos combustíveis fósseis, porque os fluxos de investimento atuais e os compromissos dos governos para atingir a neutralidade carbônica até 2050 fazem com que a energia renovável vá se tornando gradualmente mais eficiente, mais barata e estável.

Por outro lado, os combustíveis fósseis terão maior volatilidade de preços. Muitos ativos de carbono, como reservas de petróleo, de carvão, ou as respectivas infraestruturas, vão deixar de produzir valor para os proprietários.

O estudo projeta que as perdas sejam mais evidentes em locais remotos ou onde a exploração e a extração das matérias são mais difíceis e desafiadoras. Nesses locais, a viabilidade econômica da extração dos recursos irá perder-se mais rapidamente com a desvalorização dos mesmos. A pesquisa cita o exemplo da extração de areias e xistos betuminosos ou explorações petrolíferas no Mar Ártico ou em águas profundas.

A Noruega, o Canadá, os Estados Unidos, a Rússia ou o Brasil são considerados alguns dos principais perdedores, a menos que se diversifiquem rapidamente diante da dependência de combustíveis fósseis.

Nesse cenário, os países que mais ganham são os atuais importadores de petróleo, gás e carvão, como a União Europeia, o Japão e a Índia, por exemplo. Para esses, de acordo com o estudo, a transição econômica trará independência energética e vantagens econômicas, ao passarem a investir o dinheiro anteriormente utilizado na compra de combustível em energias renováveis, modernização de infraestruturas e criação de empregos.

Com informações da Agência Brasil e RTP (Rádio e Televisão de Portugal)

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7 comentários Ver comentários

  1. A necessidade de petróleo continuará mas NÃO crescerá junto com a população ou demanda de energia. Crescerá, mas num ritmo muito menor. O absurdo é o Brasil ter subsidiado o Diesel no governo Temer para acabar a greve dos caminhoneiros, e agora se pensar em diminuir o preço dos combustíveis: diesel e gasolina. Carros q usam diesel e gasolina estarão só no terceiro mundo logo, logo. Essa SUCATA fica para os países pobres enqto Europa, Japão, EUA estarão com as frotas modernas elétricas.

  2. Também não concordo com a analise que o petróleo não será mais útil .
    Duvido pois além dos carros ainda tem muitas coisas que usam o petróleo .

  3. Sim, só que nem tanto.

    Eu concordo, mas é preciso manter os pés no chão. Previsões desse tipo costumam ser muito radicais, Essa matéria remete à que tratava da fala do Paulo Guedes sobre a privatização da Petrobras. É bem verdade que “a idade da pedra não acabou por falta de pedras”, mas, também é verdade que quem constrói as nossas “cavernas” ainda são os “pedreiros”, ou seja, a idade da pedra não acabou totalmente e hoje se superpõe à idade do plástico. Os combustíveis fósseis serão gradualmente abandonados pelos países ricos, mas ainda serão consumidos por muito tempo, principalmente nos países pobres.

    É uma situação parecida com a das baterias. Enquanto os ricos estão usando powerwall da Tesla, aqui no Brasil ainda é viável usar os trambolhos de chumbo-acido (estacionárias ou não). Problema de rico X problema de pobre. Sairemos de um problema para outro, pois sempre haverá a extração das matérias-primas e a manufatura, com seus impactos ambientais. Geradores eólicos, painéis solares, nióbio, lítio, etc. não vem do Espaço.

  4. As teorias da conspiração estão deixando de ser teorias e sendo cada vez mais conspiração mesmo. Primeiro, foi o “aquecimento global”. Quando não estava dando mais “ibope “, veio “as mudanças climáticas”. Os donos do mundo fazem o que querem e aceitamos iguais cordeirinhos.

  5. O Brasil é muito mais do isto , tem petróleo , tem água , tem minério , tem terra fértil , tem nióbio , tem ouro , tem o agronegócio e várias outras fontes de renda , o que nos prejudica e temos que lutar contra é os políticos ladrões que saquearam o país a vida inteira .
    Já faz três décadas que veículos movidos a etanol (energia renovável) rodam no país e pagamos caro por ele e ninguém faz nada para resolver , se quiserem , desenvolvem um motor que pode rodar 30/40 km com um litro de etanol , fonte 100% Brasil , mas o lobe no congresso não deixa , eles não deixam o Brasil ser independente , votem conscientes no ano que vem , temos que manter a agenda de tirar o Brasil do terror criado pelos esquerdistas.

  6. Nesse cenário, os países que mais ganham são os atuais importadores de petróleo, gás e carvão, como a União Europeia, o Japão e a Índia, por exemplo. Para esses, de acordo com o estudo, a transição econômica trará independência energética e vantagens econômicas, ao passarem a investir o dinheiro anteriormente utilizado na compra de combustível ou em energias renováveis, modernização de infraestruturas e criação de empregos.
    NÃO ENTENDI ESTA LÓGICA!

  7. Não confio muito nesta pesquisa. Mesmo que os veículos terrestres se tornem totalmente elétricos, ainda se tem os marítimo e aéreo – estes com uma necessidade energética muito maior e com dificil logística para as pausas de recarregamento da bateria elétrica. Além de todo o plástico ser feito de petróleo, e muitos outros produtos químicos.

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