O presidente da Amapá Previdência (Amprev), Jocildo Lemos, afirmou que a aprovação do primeiro aporte de R$ 200 milhões no Banco Master “tirou um peso das costas”. De acordo com informações do jornal O Globo, a declaração ocorreu em julho de 2024, logo depois de o comitê de investimentos da autarquia liberar a compra de letras financeiras da instituição. Lemos, que chegou ao cargo por indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sugeriu aos colegas ter sofrido pressão para viabilizar o negócio.
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A cena, marcada por risos dos conselheiros, consta em uma auditoria sigilosa do Ministério da Previdência Social enviada à Polícia Federal (PF). O documento baseou a operação realizada na última sexta-feira, 6, contra o fundo de pensão amapaense. Segundo o jornal O Globo, os investigadores utilizaram gravações das reuniões para identificar o que classificaram como “comprometimento ou influência externa” na condução dos recursos previdenciários.
Investimentos a toque de caixa no Banco Master
A Amprev duplicou o valor injetado no Banco Master em apenas três semanas, totalizando R$ 400 milhões em letras financeiras. O articulador dos investimentos foi José Milton Gonçalves, também indicado por Alcolumbre e alvo da PF. Mesmo com alertas sobre o alto risco da operação — incluindo um parecer técnico da Caixa Econômica Federal que classificou o investimento no Master como perigoso —, Lemos e Gonçalves forçaram a aprovação das propostas de forma acelerada.
Os auditores revelam que a condução do processo ignorou princípios básicos de segurança e prudência. Enquanto instituições sólidas como BTG Pactual e Santander receberam R$ 100 milhões cada uma, o banco de Daniel Vorcaro obteve o dobro do valor na primeira reunião. O atrativo era uma taxa de retorno de 8,35% ao ano em dez anos, promessa que seduziu o comitê apesar da falta de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para esse montante.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal mira agora cinco integrantes do comitê de investimentos da Amprev. Além de Lemos e Gonçalves, Jackson Oliveira é investigado por garantir a maioria necessária nas votações, superando a resistência de outros conselheiros. O desabafo de Jocildo Lemos sobre o “alívio” de aprovar a verba não apareceu na ata pública da reunião, mas as gravações revelaram o tom de urgência e a combinação prévia de resultados.
A operação busca esclarecer se houve pagamento de vantagens indevidas para que o fundo de pensão do Amapá servisse de socorro financeiro ao Banco Master. A auditoria do governo federal reforça que o foco dos gestores estava exclusivamente no ganho de curto prazo, desprezando a integridade do patrimônio dos servidores estaduais. Os envolvidos agora enfrentam suspeitas de gestão fraudulenta e organização criminosa.
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Quando esses fundos sao vitimas decorrupcaoou desvios,quem fica no prejiizo?