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Economia

Raízen busca acordo bilionário para evitar recuperação judicial

Companhia gerencia passivo de R$ 65 bilhões e tem até o dia 8 de junho para fechar pacto extrajudicial com bancos e detentores de títulos agrícolas

Empresa Raízen.
Companhia controlada pela Cosan acelera a venda de ativos no exterior para reforçar o caixa | Foto: Divulgação/Raízen

A Raízen corre contra o tempo para evitar que seu processo de reestruturação financeira se transforme em uma recuperação judicial convencional. O grupo estabeleceu o dia 8 de junho de 2026 como o prazo-limite para consolidar um plano extrajudicial com seus credores. A operação envolve a gestão de um passivo que ultrapassa a marca de R$ 65 bilhões, segundo informações do portal Poder360.

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A empresa protocolou a petição inicial de recuperação extrajudicial em 11 de março deste ano. A estratégia empresarial foca a negociação direta de passivos, a venda de ativos operacionais no exterior e a injeção de recursos por parte dos acionistas controladores.

O aporte da Shell e o plano de ações da Raízen

A engenharia financeira desenhada pela diretoria da Raízen prevê a entrada de R$ 3,5 bilhões em dinheiro novo por meio da petroleira Shell. Em posicionamento oficial, a multinacional anglo-holandesa classificou a injeção de capital como uma medida “prudente e necessária para enfrentar os desafios financeiros”. O desenho técnico prevê ainda um aporte secundário de R$ 500 milhões da Aguassanta Participações, veículo de investimentos da família do empresário Rubens Ometto.

A principal cláusula oferecida aos credores propõe a transformação de 45% do saldo das dívidas reestruturadas em frações acionárias da companhia. O preço sugerido por papel fixou-se em R$ 0,25. A precificação aplica um desconto sobre a cotação atual de mercado e resultará na diluição da participação direta que a Cosan e a própria Shell mantêm na estrutura do negócio.

As tratativas entre a administração da Raízen e o mercado financeiro mudaram de rumo depois de fundos geridos pelo banco BTG Pactual desistirem de um aporte direto de R$ 5,5 bilhões na divisão de distribuição de combustíveis da rede. O banco de investimentos não figura na lista de credores institucionais da distribuidora de etanol.

Em contrapartida, o BTG coordenou uma capitalização robusta de R$ 10 bilhões diretamente na holding controladora, a Cosan. Desse montante, o banco injetou R$ 4,5 bilhões, a gestora Perfin aportou R$ 2 bilhões e a Aguassanta direcionou R$ 750 milhões. A transação garantiu ao trio o controle de 55% do capital votante da Cosan, o que fortalece indiretamente o suporte financeiro de curto prazo sobre a Raízen.

Resistência dos investidores de CRAs e cenários futuros

O perfil da dívida da Raízen aponta uma divisão clara entre os credores. Os bancos comerciais concentram cerca de 40% das pendências em aberto e lideram o avanço para a assinatura do acordo extrajudicial. O plano necessita do aval formal de pelo menos metade das frentes de crédito elegíveis para obter a homologação definitiva da Justiça.

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Os 60% restantes do passivo estão distribuídos no mercado varejista, sobretudo entre investidores de Certificados de Recebíveis do Agronegócio. Esse bloco apresenta forte resistência às propostas de conversão de títulos em ações, sob a justificativa de preservar papéis de renda fixa com taxas de juros mais elevadas.

A direção da Raízen mapeia três saídas possíveis até o término do prazo estipulado:

  1. Concluir a assinatura do acordo extrajudicial unificado;
  2. Solicitar aos magistrados a prorrogação formal do período de negociação;
  3. Ingressar com o pedido de recuperação judicial definitivo.

Para manter a liquidez do caixa, a Raízen acelerou a venda de patrimônio. Usinas de cana-de-açúcar situadas no Brasil já foram liquidadas. O departamento de relações com investidores negocia agora refinarias e postos de combustíveis na Argentina, em transações internacionais estimadas em mais de US$ 1 bilhão. A Cosan e a Raízen decidiram não se manifestar sobre o andamento das reuniões.

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