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Economia

Recordes de recuperação judicial no Brasil passaram nos últimos anos pelos governos Dilma, Temer e Lula

Na gestão Bolsonaro, mesmo com a maior pandemia da história, os números retrocederam

Segundo a atualização da série da Serasa Experian, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial em 2025, alta de 5,5% em relação a 2024 | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial
Segundo a atualização da série da Serasa Experian, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial em 2025, alta de 5,5% em relação a 2024 | Foto: Divulgação/Oeste | Imagem criada com o auxílio de inteligência artificial

Os níveis recordes dos pedidos de recuperação judicial no Brasil têm sido noticiados à exaustão nos últimos meses e não são novidade para o público que acompanha as principais manchetes econômicas. O movimento ocorre em um contexto de juros elevados, consumo pressionado, restrição de crédito e aumento dos custos operacionais, fatores que têm levado empresas de diferentes segmentos a buscar proteção legal para evitar a falência.

Contudo, ao analisarmos os dados da série histórica da Serasa Experian, fica difícil ignorar um padrão: os momentos de explosão das recuperações judiciais no Brasil passaram, sobretudo, pelos governos Dilma, Temer e Lula, revelando como crises econômicas, crédito caro e decisões de política econômica deixam cicatrizes que continuam sendo pagas pelas empresas anos depois.

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Em 2015 e 2016, durante o governo de Dilma Rousseff, o país somou 3.150 pedidos de recuperação judicial, sendo 1.287 em 2015 e 1.863 em 2016, então o maior patamar da série histórica. No governo de Michel Temer, os números permaneceram elevados, com 1.420 pedidos em 2017 e 1.408 em 2018, totalizando 2.828 recuperações judiciais no período.

Pedidos de recuperação judicial diminuíram sob Bolsonaro

Já durante o governo de Jair Bolsonaro, houve uma redução consistente nos indicadores, com 1.387 pedidos em 2019, 1.179 em 2020, 891 em 2021 e 833 em 2022, somando 4.290 pedidos em quatro anos. Há de se considerar neste período, ainda, o cenário catastrófico da pior pandemia da história que levou milhares de empresas à falência e gerou uma das mais graves crises econômicas já registradas, com consequências danosas inclusive no chamado período pós pandemia.

Já quando chegamos no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, os números voltaram a acelerar, com 1.405 pedidos em 2023 e recorde histórico de 2.273 em 2024, totalizando 3.678 recuperações judiciais em apenas dois anos. Em 2025, os pedidos continuaram em patamar recorde, consolidando a tendência de alta observada desde 2023. Segundo a atualização da série da Serasa Experian, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial em 2025, alta de 5,5% em relação a 2024 e o maior volume anual desde 2016. Pela nova metodologia do indicador, foram 2.466 empresas (CNPJs) envolvidas em recuperações judiciais ao longo do ano, um novo recorde histórico.

A recuperação judicial é um instrumento previsto na legislação brasileira para permitir que companhias endividadas reorganizem suas finanças, renegociem compromissos com credores e tentem preservar operações, empregos e ativos. Em teoria, trata-se de uma segunda chance para negócios em dificuldade. Na prática, porém, o aumento acelerado dos pedidos costuma refletir um ambiente econômico deteriorado e dificuldades crescentes de sustentação das atividades.

A crise no governo Lula

O crescimento expressivo durante o atual ciclo político inevitavelmente coloca o governo sob maior escrutínio. Apesar de o discurso do governo federal estar voltado ao crescimento econômico e à reindustrialização, inflamado neste ano por conta das eleições, muitas empresas seguem enfrentando dificuldades para equilibrar custos financeiros, expandir receitas e sustentar margens operacionais.

O cenário já afeta empresas amplamente conhecidas do consumidor brasileiro. Grandes marcas, como Starbucks, Bombril, Casa do Pão de Queijo, Subway, Tok&Stok, Polishop, Estrela, 123 Milhas, Ricardo Eletro, Casa & Video, Mobly, Coteminas e outras companhias ligadas ao varejo, indústria e serviços passaram a figurar em processos de recuperação judicial ou reestruturação financeira. Em comum, enfrentam desafios relacionados à mudança no comportamento do consumo, endividamento elevado, competição digital e desaceleração econômica.

Sobreviver no mercado brasileiro tornou-se uma tarefa cada vez mais complexa. Para além das disputas políticas, o avanço das recuperações judiciais evidencia um problema estrutural que exige respostas capazes de devolver previsibilidade econômica, confiança empresarial e melhores condições para quem produz e gera empregos no país.

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Marcelo Tostes é conselheiro federal da OAB e CEO do escritório Marcelo Tostes Advogados

3 comentários
  1. Enoch Bruder
    Enoch Bruder

    Parabéns aos envolvidos corruptos e incompetentes! Nobel da destruição econômica e social do País! Quem votou nos envolvidos esta bem representado, certamente!!!

  2. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Salve os governantes petistas e suas ” qualidades” administrativas juntamente com seus satélites.

    1. Enoch Bruder
      Enoch Bruder

      Parabéns aos envolvidos! Vocês são geniais!
      São os heróis da destruição e das desgraças econômicas e sociais

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