Petrobras deve superar excesso de petróleo com vendas à China

Petrolífera brasileira deve retomar crescimento e recuperar participação de mercado mais rápido que outros competidores latino-americanos, segundo a Bloomberg.
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Petrolífera brasileira deve retomar crescimento e recuperar participação de mercado mais rápido que outros competidores latino-americanos, segundo a Bloomberg

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A Petrobras sofre, assim como outras petrolíferas no mundo, com o excesso de petróleo global. Contudo, a empresa brasileira espera que as exportações para a China se recuperem em breve e conta com extensa capacidade de armazenamento, que a ajuda a resistir nesse meio-tempo.

A destruição da demanda pela pandemia de covid-19 levou os produtores a ter barris que ninguém quer. Embora não haja vencedores reais com os preços do petróleo em mínimas históricas, o Brasil pode estar em uma situação única para enfrentar a questão. A companhia cortou a produção no final de março e início de abril, mas foi amplamente impulsionada desde então. Em relatório divulgado na segunda-feira, a empresa expressou a confiança de que as vendas para seu maior mercado de petróleo de longe aumentarão à medida que a recuperação da China da pandemia se expanda e as fábricas voltem a funcionar mais próximo da normalidade.

Enquanto isso, a capacidade do Brasil de armazenar petróleo “permanece robusta”, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O país possui 159 milhões de barris de capacidade, com mais da metade em projetos de produção offshore relativamente novos. Ao mesmo tempo, as refinarias da Petrobras estão aumentando a produção de combustível marítimo sob demanda, reduzindo o petróleo retido.

O Brasil “certamente está mais bem posicionado do que seus pares regionais”, afirmou Jaimin Patel,  analista de crédito sênior da Bloomberg Intelligence, que cobre os produtores de petróleo da América Latina. “Mesmo antes da crise, o país tinha maior capacidade de armazenamento.”

A Petrobras também se destaca do México, Colômbia e Equador, que produzem notas de qualidade inferior com mercados mais limitados e carecem das plataformas de petróleo em águas profundas que dão à brasileira maior força de armazenamento. Um único navio flutuante de produção, armazenamento e descarga, conhecido como FPSO, pode conter até 2 milhões de barris. O petróleo subiu depois que os EUA relataram o maior salto na demanda de gasolina desde o ano passado, oferecendo esperança de que o consumo possa retornar gradualmente.

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse, em 22 de abril, que estava mais preocupado em vender com lucro do que em encontrar um estoque para o petróleo, mesmo reconhecendo que o armazenamento global estava atingindo um limite. “A economia chinesa está mostrando sinais de recuperação”, analisou Branco. “Há capacidade de absorver um bom volume de exportações.”

Ele apontou o combustível marítimo que pode ser produzido a baixo preço a partir do petróleo bruto específico do Brasil e disse que o etanol agora será ainda menos competitivo que a gasolina da Petrobras. As exportações de petróleo para a China triplicaram desde 2013, de acordo com dados compilados pela agência Bloomberg.

A Petrobras tem muitas preocupações com o maior excesso de petróleo da história. Mesmo que encontre um lar para o petróleo, ainda precisa fazer algo com todo o gás natural que sai dos mesmos poços e não pode simplesmente ser desligado. A baixa demanda de gás natural da indústria brasileira é uma ameaça adicional à produção offshore do Brasil, de acordo com a Wood Mackenzie, consultoria de energia.

Ao mesmo tempo, os sindicatos citam mais de 1.000 casos suspeitos de covid-19 em instalações offshore, onde, à semelhança dos navios de cruzeiro, a proximidade facilita o contágio. A Petrobras afirmou na segunda-feira que está submetendo a teste trabalhadores das plataformas.

Ainda assim, a Petrobras entrou na crise do petróleo em uma posição mais forte do que outros exportadores regionais e estará em melhor posição para retomar o crescimento e recuperar a participação de mercado quando a demanda global por petróleo começar a crescer novamente.

“A principal diferença é que o Brasil ainda está no modo de expansão, apesar dos cortes, e será um ganho a longo prazo”, disse Ixchel Castro, gerente de mercados de petróleo e refino para a América Latina da Wood Mackenzie. “Você continuará vendo mais barris do Brasil, mesmo que em um ritmo mais lento.”

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1 comentário

  1. Coisa de subdesenvolvido:_ exporta petróleo abaixo da xepa e compra os derivados em dólar ao mercado, repassa caro ao país movido a diesel e esculhamba a balança comercial onde não seria necessário (fertilizantes nitrogenados tambem). Ufanismo ? Ridículo . #foraGuede$, TeresaCrisyina,Albuquerque,Castello.

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