A maior novidade no fato de a CazéTV ter adquirido a exclusividade das transmissões na Copa do Mundo de 2026 vai além dos sucessivos recordes batidos no YouTube. Pela primeira vez, desde a Copa de 1982, o Grupo Globo não tem a exclusividade das transmissões. Tal situação revela um novo conceito neste tipo de negócio, na opinião do Paulo Beltrão, executivo do mercado publicitário digital e CEO da Network Media, em entrevista a Oeste.
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Segundo ele, as plataformas de streaming abrem a possibilidade de centralização da gestão do negócio. Isso significa a diminuição de custos e um potencial de lucro muito maior. A tendência é a de uma dificuldade crescente para as grandes emissoras, com uma infraestrutura mais ampla, obterem a exclusividade. Talvez nunca mais tenham.
A dúvida já pode ser esclarecida ainda neste semestre, quando as negociações para a transmissão da Copa do Mundo de 2030 vão se iniciar. Como as receitas com publicidade, em torno de R$ 2 bilhões, da Globo e da CazéTV foram similares nesta Copa, ambas chegam com força para as negociações.
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Em 2026, a LiveMode, que controla a CazéTV, baseada na imagem do streamer Casimiro Miguel, e é uma agência de gestão de direitos, levou a melhor. E mostrou, conforme ressalta Beltrão, que, nesta corrida pela exclusividade, a estrutura mais enxuta é uma vantagem para quem quer lucrar mais e gastar menos. Confira a entrevista.
O que o modelo da CazéTV traz de novidades a respeito das transmissões de grandes eventos esportivos a partir de agora?
É a segunda Copa do Mundo transmitida pela CazéTV. A emissora já vem há alguns anos transmitindo diversos campeonatos, competições e grandes eventos, como as Olimpíadas de Paris 2024. Não vejo tantas novidades em termos de formato. Fica clara a conveniência e a extrema variedade, pois, diferentemente dos grandes veículos, como a TV Globo, a CazéTV transmite tudo na íntegra: 104 jogos, duas horas de pré-jogo, zona mista com os jogadores, coletivas inteiras, reportagens in loco etc. Como não têm problemas de grade, vivem o evento.
A Globo informa que manteve a liderança na audiência. Mas até que ponto esta situação tirou a força e o monopólio da Globo, que eram claros em outras competições?
Diferentemente do que muitos pensam, a TV aberta continua dominante. Mas os hábitos estão mudando rápido e esse, na minha visão, é o maior asset (ativo) da CazéTV. Ou seja, já se criou o hábito de acessar o celular ou sentar em frente à TV e procurar a programação da CazéTV, da mesmíssima forma que acessávamos a TV Globo durante as últimas décadas. Puro hábito. E isso vale ouro.
Em quais aspectos esse tipo de transmissão da CazéTV deixou a desejar e precisa se aperfeiçoar?
A CazéTV cresceu rápido demais. É o maior fenômeno global do YouTube. E exatamente por essa razão ainda está procurando seu estilo, padrão de narração (exageradamente festiva), oferece pouquíssimos infográficos e, por vezes, exagera nos merchandisings. Enfim, é nítido que ainda está em busca de uma identidade. Por ora, tudo é novidade.
Quais cuidados a CazéTV precisa tomar a partir de agora?
Essa “bagunça”, no melhor sentido, pode não se sustentar quando deixar de ser novidade. O “sarrafo” vai subir e o público vai querer mais informação com profundidade e análises de alta qualidade jornalística, coisa que a CazéTV ainda não tem. Outro problema, mas de ordem técnica, é o delay, que na prática é o atraso do sinal, além de áudio com problemas de sincronização. São desafios estruturais que a empresa vai ter de enfrentar.
Do ponto de vista financeiro, qual tipo de transmissão traz maior rentabilidade e por quê?
Vejo esse ponto como o mais impactante de toda a análise. A CazéTV tem menos de quatro anos de vida e um faturamento de R$ 2 bilhões em patrocínios nesta Copa do Mundo. Curiosamente, a tradicionalíssima TV Globo obteve o mesmo faturamento. A diferença é que a emissora de Casimiro Miguel tem custos infinitamente menores, equipe enxuta, não tem afiliadas nem diversos outros núcleos, como jornalismo e dramaturgia, por exemplo. Na realidade, o grande negócio é o ecossistema da LiveMode (dona da CazéTV).
Como é esse ecossistema?
A LiveMode entendeu antes de muita gente que o futuro das transmissões esportivas não está apenas em comprar direitos, mas em construir um modelo de negócio completo. Ela conecta conteúdo, tecnologia, distribuição e publicidade de uma forma muito eficiente. A CazéTV é a face mais conhecida desse ecossistema, mas por trás existe uma empresa que negocia direitos, estrutura operações, desenvolve projetos comerciais e cria novas formas de monetização. A LiveMode não está reinventando apenas a transmissão esportiva; está reinventando a forma de transformar audiência em valor para marcas, ligas e plataformas.
O delay é que aborrece.
No joga da Argentina x Cabo Verde, percebi qdo a CVERDE, empatou e a Argentina estava no campo de ataque. Comentei que pelo barulho os africanos tinham empatado e, tinham mesmo.