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Estadão expõe o crescente ativismo judicial do STF

Números levantados pelo jornal dão dimensão da disposição da Corte de se intrometer na seara política

Dados sobre o STF foram publicados em editorial do Estadão desta terça-feira, 4 | Foto: Shutterstock
Dados sobre o STF foram publicados em editorial do Estadão desta terça-feira, 4 | Foto: Shutterstock

O ativismo do Supremo Tribunal Federal (STF), entendido por parte expressiva da sociedade como um dos principais vetores de degradação institucional do país, foi medido em números.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que, de 2019 até agora, a Corte já declarou 78 omissões inconstitucionais, vale dizer, lacunas de providência de outros Poderes, notadamente do Legislativo, para a concretização dos preceitos inscritos na Constituição.

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Segundo o jornal, isso representa uma média de 13 declarações de omissão por ano, praticamente uma por mês no período avaliado.

“Para dar uma ideia de quão aberrante é esse número, o Supremo declarou apenas 62 omissões inconstitucionais entre 1990 e 2018, o que equivale a cerca de duas por ano, em média, no decorrer de quase três décadas”, destaca o Estadão em editorial desta terça-feira, 4.

“À luz dos fatos, é incontornável observar um liame entre o crescimento vertiginoso do número de declarações de omissão inconstitucional nos últimos seis anos e a disposição da atual composição do STF de se envolver em questões que, noutros tempos e sob o crivo de outros ministros, decerto teriam sido deixadas a cargo da política”, afirma o veículo.

“O registro desse nexo causal, porém, não deve surpreender ninguém”, acrescenta. “Afinal, nem a própria Corte esconde seu engajamento em uma autoatribuída missão de definir os rumos da vida nacional em uma miríade de exorbitâncias. Ao contrário. Por vezes, o orgulho de um suposto papel de ‘empurrar a história’, como disse certa vez o ministro presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, chega às raias da soberba.”

Evidentemente, em certos casos o Supremo não só pode, como deve agir diante de uma omissão inconstitucional. Ou o Poder Legislativo, por óbvio, não teria previsto esse instrumento de controle de constitucionalidade.

A razão para isso é simples. Todo o ordenamento jurídico se submete à supremacia da Lei Maior, donde se conclui que os Poderes da República não podem ir além nem tampouco ficar aquém de suas atribuições e prerrogativas. São elas, afinal, que materializam o texto constitucional na vida cotidiana do país, resguardando direitos e fazendo cumprir deveres.

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“O busílis está na medida”, avalia o texto. “Tal como um remédio, a diferença entre a saúde democrática e a doença institucional está na dose do avanço do Supremo sobre questões que, originalmente, não lhe são afeitas.”

A Corte já teve esse equilíbrio. Logo, pode voltar a tê-lo. Prova disso é o número relativamente baixo de declarações de omissão inconstitucional até o fim de 2018. Houve casos em que o STF não apenas declarou a lacuna do Legislativo, como também atuou como legislador positivo, mas com prudência.

Um bom exemplo foi o julgamento de três mandados de injunção, em 2007, que regulamentou o direito de greve do funcionalismo público – previsto na Constituição, mas carente de regulamentação. Àquela época, o STF não se eximiu de assegurar o direito de greve dos servidores e fixou regras para seu exercício, mas deixou claro que sua decisão prevaleceria até que deputados e senadores decidam sobre o tema.

Ao centro, presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, durante a sessão plenária do STF
Ao centro, presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, durante a sessão plenária do STF | Foto: Gustavo Moreno/STF

Cuidado do STF parece ter sido esquecido

Esse cuidado republicano parece ter ficado no passado. Especialistas ouvidos pelo Estadão destacaram que o STF adotou uma atitude mais “expansiva”, não se limitando a declarar uma omissão inconstitucional, mas passando a legislar no lugar dos próprios legisladores sobre variada gama de questões, da criminalização da homofobia à demarcação de terras indígenas, passando pela quantidade de maconha que um cidadão pode portar.

“Os ministros têm ampliado cada vez mais a interpretação de seus próprios poderes constitucionais”, disse ao jornal jurista Diego Werneck, pesquisador do Insper.

“Para citar um exemplo recente de abuso na interpretação de uma suposta omissão do Congresso, veja-se o ímpeto do STF para reescrever o Marco Civil da Internet, à guisa de regulamentar as redes sociais”, afirma o jornal.

Leia também: “J. R. Guzzo: ‘STF devolve o Brasil para a idade da pedra lascada'”

“Ora, se o Congresso ainda não o fez, é porque entendeu não ter chegado a um consenso sobre a matéria, uma decisão política legítima contra a qual a Corte não tem nada a fazer”, conclui o texto.

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7 comentários
  1. Sérgio Tostes de Escobar
    Sérgio Tostes de Escobar

    A arrogância do boca de veludo, afirmando a importância dos ministros, não eleitos, do STF chega às raias do ridículo. Triste, muito triste ⚖️😢😖😡🤬

  2. Filipe Drumond Costa
    Filipe Drumond Costa

    E preciso dar um fim nisso! Os poderes tem que cumprir seus papéis constitucionais sem a intromissão de qualquer outro. O STF está agindo fora da CF e das leis vigentes no país! As decisões do Legislativo devem ser cumpridas doa a quem doer.

  3. Leo Saraiva
    Leo Saraiva

    Estadão é fonte confiável da Direita agora 🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔🤔
    Quem diria kkkkkkkkkkk

  4. Erasmo Silvestre da Silva
    Erasmo Silvestre da Silva

    Não resolve porque não quer só é trazer o canhão de laser e o guindaste da Síria

  5. Robinson dos Santos Pereira
    Robinson dos Santos Pereira

    E o que ocorreu em 2019 para despertar essa sanha de protagonismo do STF?

    1. MNJM
      MNJM

      Senado é o único culpado da Interferência do STF o de não lhes compete.
      O atual colegiado é o pior de todos os tempos, Legislam , fazem perseguição política, CENSURAM com a desfaçatez de dizer que defendem a democracia é muita cretinice . Atualmente uma Instituição desmoralizada, atuam politicamente. UMA CORTE DITATORIAL QUE ENVERGONHA E FAZ MUITO MAL AO PAÍS.

  6. ROGERIO R GIGLIO
    ROGERIO R GIGLIO

    demorou para a mídia do governo “Estadão” dar luz a este fato. Esse tribunal está degradado. Se submetem as ordens de um ditadorzinho que nem é juiz e atua como um bulldog do sistema corrupto e imoral que vive o Brasil. Salve-se quem puder.

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